Guilherme Duarte
Depois de um longo período de trégua, a dengue voltou a preocupar as autoridades do município. O motivo é que nessa época do ano, com o aumento da temperatura e o início do período pré-chuvoso, o mosquito Aedes aegypti encontra condições favoráveis para a proliferação, o que pode resultar em uma nova epidemia na cidade, assim como aconteceu em 2008. Segundo dados da Vigilância Epidemiológica do município, de janeiro a setembro deste ano, 870 casos de dengue foram registrados em Rio Bonito.
Ontem (sexta-feira, 14), a equipe do Programa Municipal de Combate a Dengue (PMCD) realizou um mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti nos bairros Boa Esperança e Parque Andréa. Na próxima semana, o mutirão vai percorrer os bairros do Basílio, Parque Indiano e Parque das Acácias. Os mutirões incluem, entre outras atividades, a limpeza de terrenos, coleta de lixo, utilização do carro fumacê e a eliminação de focos com larvas de mosquitos que transmitem a doença. Desta vez, a Subsecretaria de Saúde da Região Metropolitana cedeu 11 profissionais para auxiliar no combate a doença do município, além de mais de 500 “toucas” (capas plásticas) para cobrir as caixas d’águas, panfletos e cartazes de conscientização.
De acordo com o coordenador do PMCD, Aloísio Mendes Araújo, o popular Mobral, para a campanha obter bons resultados é preciso que a população colabore. “A dengue tem que ser tratada dia a dia, não adianta fazermos uma campanha hoje e amanhã ou depois a população esquecer tudo que foi dito e principalmente feito. Medidas simples, como manter a caixa d’água bem fechada, e remover tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas, como folhas secas, devem ser tomadas. Nós estamos fazendo nossa parte, agora esperamos que a população se conscientize e nos ajude a combater a dengue, não só cuidando das suas casas como denunciando irregularidades na redondeza”, afirma Mobral.
Segundo Olício Nascimento, coordenador do Núcleo de Educação em Saúde/IEC, departamento vinculado a Secretaria Municipal de Saúde, a partir de novembro o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti aumenta devido às freqüentes chuvas e altas temperaturas. “Em temperaturas mais baixas, a larva leva uma média de 10 dias para se transformar em um mosquito adulto. No verão, isso pode ocorrer em sete dias”, explica. “Agora, em novembro, estamos tendo dias tão quentes como em janeiro. Ou seja, o ciclo do mosquito fica menor e isso ajuda a aumentar o número”, acrescenta Olício.
Dengue
A dengue pode se apresentar – clinicamente – de quatro formas diferentes: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue.
Infecção Inaparente - A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma. A grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes.
Dengue Clássica - A Dengue Clássica é uma forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas.
Dengue Hemorrágica - A Dengue Hemorrágica é uma doença grave e se caracteriza por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente se assemelha a Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas. Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.
Síndrome de Choque da Dengue - Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.