Flávio Azevedo
A expedição “Caminhos de Darwin”, uma realização da Casa da Ciência, do Ministério de Ciência e Tecnologia, vai passar pelo município de Rio Bonito no próximo sábado (29). O objetivo do projeto é relembrar o trajeto percorrido pelo naturalista britânico Charles Darwin, autor da “Teoria da Evolução”, quando ele esteve no Brasil em 1832. De acordo com o diário de Darwin, ele percorreu 241 quilômetros a cavalo, de Niterói até Conceição de Macabu, no norte Fluminense. Entre os lugares visitados pelo autor do livro “A Origem das Espécies”, está Rio Bonito, que o naturalista conheceu em 22 de abril de 1822. Na época, a cidade era um vilarejo conhecido como Madre de Deus.
A expedição contará com a participação de cientistas, professores e pesquisadores de várias universidades cariocas. Seus integrantes vão pernoitar no município de Conceição de Macabu. Por volta das 8h, a expedição vai chegar a Praça da Bandeira, em frente ao Mercado Municipal, no Centro de Rio Bonito, sendo recebida pelo prefeito José Luiz Antunes (DEM), pela secretária de Educação e Cultura, Ana Maria Figueiredo e demais autoridades. Na praça haverá o descerramento de uma das 12 placas comemorativas, que serão inauguradas em todos os municípios que fazem parte do trajeto da expedição. O objetivo é sinalizar o roteiro do naturalista. Esses marcos irão conter mapas e citações do diário de viajem de Darwin, que são as observações feitas pelo naturalista, do aspecto de cada local por onde ele passou. Durante o evento também será apresentado uma esquete teatral preparada pela organização da expedição.
O que diz o diário
De acordo com o diário de Darwin, ele tomou o café da manhã na aldeia de Madre de Deus, nome da aldeia que existia por aqui, antes de Rio Bonito ser elevado a condição de município em sete de maio de 1846. O teórico britânico descreve a cidade como uma terra “ricamente cultivada, tendo a cana-de-açúcar como produto principal”. Ele descreve também as aves e vegetação que contemplou na aldeia de Madre de Deus como “belos pássaros e uma grande variedade de passifloras (plantas)”. O britânico também descreve o aspecto da localidade de Madre de Deus: “um vilarejo exótico e pitoresco, com casas baixas e pintadas com cores alegres. Lembro de ter visto uma ou duas igrejas”, descreveu Darwin, que pode ter visto a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e a então Capela de Sant’Ana – hoje igreja do Basílio –, que já estavam construídas em 1832.
Para a Diretora do Departamento de Cultura de Rio Bonito, Maria do Carmo Soares Cordeiro, o projeto “Caminhos de Darwin” é uma importante contribuição para a história de Rio Bonito. “Os documentos mais antigos que existem de Rio Bonito, datam de 1880. Mas em seu diário de viajem, Darwin caracteriza Rio Bonito em 1832 de uma forma que até agora não tínhamos documentos que comprovassem esse aspecto do vilarejo de Madre de Deus”, analisou.
Passagem de Darwin pelo Brasil
Na capital, Darwin ficou hospedado no bairro de Botafogo e se encantou com o relevo das montanhas, a Floresta da Tijuca, a Lagoa, o Jardim Botânico e o Corcovado. A visita ao Brasil o ajudou a refletir sobre as relações entre os seres vivos e suas possíveis ascendências comuns. O Rio foi a sexta parada da expedição cartográfica do navio Beagle. Na costa brasileira, Darwin coletou as primeiras espécimes para seus estudos. Após atravessar a Baía de Guanabara e passar por Niterói, Darwin seguiu para a Região dos Lagos. Ele fez um circuito a cavalo, passando por Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Barra de São João, Macaé e Conceição de Macabu, onde se hospedou na Fazenda do Sossego, que pertencia a imigrantes ingleses.
Charles Darwin voltou ao Rio, por um caminho diferente, por isso, ele passou por Rio Bonito e Itaboraí, até chegar novamente em Niterói. Acostumado com a frieza das florestas européias, o britânico se encantou com a variedade da floresta tropical. “Vi pela primeira vez, uma floresta tropical em toda a sua grandeza sublime”, escreveu em seu diário.