
E a saúde?
Concluí o curso técnico de enfermagem, em dezembro de 1994, em uma das melhores escolas de enfermagem do Estado do Rio de Janeiro. Pelo menos quando por lá eu passei, essa era a fama do curso de enfermagem do Colégio Municipal de Rio Bonito, que naquela época tinha o nome de Centro Educacional de Ensino Navega Creton. Nos anos 90, bastava mostrar um diploma do Colégio Municipal, para que o técnico de enfermagem ser contratado pelo Hospital das Clínicas de Niterói (HCN). Fui forjado, como tantos outros, pelos professores Tereza Cristina Abrahão Fernandes e Rogério Moura de Oliveira. O nosso centro de treinamento foi o Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), onde eu também trabalhei durante seis anos.
Por ter em meu currículo esse histórico, eu confesso que não gosto de escrever sobre saúde, afinal, eu posso ser interpretado como alguém que está legislando em causa própria. Contudo, como vários colegas – da enfermagem e do jornalismo – sempre estão me cobrando um artigo sobre esse tema, resolvi que chegou o tempo de me manifestar sobre o assunto. Mas antes de iniciar, é imperioso lembrar ao leitor, que há cerca de três anos eu acompanho a saúde, sobretudo a de Rio Bonito, com um olhar jornalístico. Essa visão permitiu que eu enxergasse os problemas, que não são poucos e percebesse que as soluções estão mais próximas do que imaginamos.
Para começar, penso que um dos grandes problemas da saúde são as administrações eleitoreiras, onde os políticos aproveitam a fragilidade de alguém desesperado para mostrar o seu ‘bom coração’. Na verdade, esse político é apenas um oportunista. Ou seja, alguém que dá a um desesperado, a falsa impressão de ser o ‘salvador da pátria’, por ter conseguido o impossível: “pagar para ele, aquele raro serviço que, na verdade, a Constituição Federal diz que é direito de todos”.
Eu não posso deixar de citar ainda, a falta de planejamento e competência técnica do gestor. Afinal, é muito comum vermos hospitais, ambulatórios, postos de saúde e outros setores dessa natureza, povoado por pessoal incompetente e/ou desinteressado, que estão por ali, apenas para que compromissos e acordos políticos sejam cumpridos. Essa situação colabora para duas problemáticas. Em primeiro lugar, para a falta de vagas de trabalho para quem é competente. E, em segundo, para os baixos salários, que desagrada o servidor e provoca o corpo mole dos mesmos.
Outra situação problemática são os projetos copiados dos países de primeiro mundo. Podemos citar, por exemplo, além dos Programas de Saúde da Família e outros muitos projetos do governo federal para a saúde, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU, que é um projeto fantástico e, em Rio Bonito, funciona de forma muito eficiente. Contudo, entre outros, esse é mais um projeto que é gerenciado com amadorismo pelos seus idealizadores. A idéia de que alguém que está passando mal, ou acaba de se acidentar, tem direito a um atendimento rápido, preciso e feito por profissionais competentes é confortante, é real, mas também é extremamente traiçoeira.
Digo isso, porque nos últimos 20 anos, reconheço que o número de pessoas que estão sendo transportadas por viaturas do governo, de planos de saúde e/ou por ambulâncias de estradas privatizadas aumentou sensivelmente. Contudo, esses pacientes estão sendo recebidos aonde? É bom saber que as emergências, sobretudo as públicas, estão constantemente lotadas. E, em suas salas de trauma, local que recebe os acidentados, algumas vítimas permanecem em coma por vários dias e acomodados apenas em uma fria maca. É comum ver essas pessoas morrerem antes de chegarem ao CTI, que também, geralmente está superlotado e com poucos profissionais especializados para o cuidado dos pacientes.
Como esse é um assunto muito extenso, eu preciso fazer uma abordagem criteriosa. Por isso, eu peço a você, amigo leitor, que tenha paciência, para que possamos continuar desdobrando esse assunto na próxima semana.