Esperanças para 2009

O ano de 2009 está chegando! E para os mais distraídos, devo lembrar que estamos um ano mais próximos da inauguração do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que vai trazer para a região, cerca de 200 mil pessoas para trabalhar nesse grande empreendimento da Petrobras, previsto para começar a operar em 2012. Neste ano que está chegando, nossos administradores municipais terão mais uma oportunidade de pensar de forma profissional e moderna no crescimento de suas cidades. Aliás, já há alguns anos, Rio Bonito e seus vizinhos carecem desse planejamento.

Apesar disso, cada dia que passa fica patente aos nossos olhos que os vícios da política, tão comuns nas cidades interioranas – é por isso que não crescem – deixam os municípios com esse aspecto anacrônico, onde o trânsito é confuso, a saúde precisa de investimentos estruturais, o setor rural pede socorro e o espaço urbano necessita urgentemente de segurança e ordenamento. Além disso, a nossa área cultural – onde alguns solitários preocupados, não conseguem convencer o poder público sobre a importância de investimentos para esse setor – corre o risco de desaparecer na poeira do tempo e deixar Rio Bonito sem identidade.

Nas últimas eleições, alguém, maldosamente, disse que um dos candidatos tinha como plataforma de governo a construção de um presídio em Rio Bonito. Vou ser sincero, podem até me chamar de maluco, mas essa é uma hipótese que deveríamos considerar. Para esclarecer a minha posição, vou relembrar ao amigo leitor, que com a implantação do Comperj, estão chegando para a nossa região cerca de 200 mil pessoas. Para quem ainda não percebeu, e para aqueles que pensam apenas nos empregos, devo lembrar que os recém-chegados e aqueles que aqui já estão, precisam comer, beber, comprar, vender, produzem lixo, e têm necessidades fisiológicas.

Além disso, essas pessoas estão divididas em classes e faixas etárias, que, logicamente, têm gostos variados, assim como costumes e práticas. Nesse conglomerado de gente encontramos empresários, empreendedores, profissionais liberais, patrões, empregados, prestadores de serviço, executivos, entre outros. Essa é a parte boa. Contudo, existe o lado feio e tenebroso, mas que ninguém quer encarar. Aliás, deixar de enxergar essa parte ruim pode ofuscar o brilho das vantagens da chegada do Comperj. O que eu quero dizer, é que nós também receberemos ladrões, traficantes, assaltantes, contraventores, mendigos, pivetes, cafetões, e outros tipos de ilicitudes e problemas sociais. Mas ninguém pensa nisso!

Nossas autoridades contemplam apenas a chegada de hospitais, agências bancárias, empresas e indústrias, teatros e cinemas, áreas de lazer, um novo Fórum, entre outras coisas boas que já deveriam ter sido implantadas por aqui. Entretanto, eles também precisam pensar nas coisas que não são muito agradáveis e nobres. É preciso saber planejar também o ônus, porque em uma sociedade precisa haver presídios, lixões, usinas de tratamento de esgoto e outras coisas dessa natureza. Afinal, escória, lixo, dejetos e, infelizmente, as pessoas desajustadas precisam receber um destino.

O lixo tem que ser reciclado e a pessoa que não se enquadra às convenções sociais precisa de recuperação. Ou será que vamos mandar os inúmeros ladrões e bandidos que certamente chegarão à região, para essa delegacia horrorosa de Rio Bonito? E o lixo produzido por 200 mil pessoas? Vai para o lixão do Mato Frio? Aliás, quem está pensando nesse impacto? Durante a campanha que se passou, vi muito “balão”, pesquisas falsas, um DVD irresponsável, mentiras, compra de votos, acusações etc. Projetos para o futuro? Vi alguns, mas muito tímidos. Eu ficaria mais feliz, se alguém realmente estivesse planejando construir uma estação de tratamento de esgoto, de reciclagem de lixo ou até um presídio, porque pelo menos seria algo planejado. Penso que o presídio é o que pode nos sobrar. Mas quem vai ficar com ele? Onde houver uma administração mais incompetente. E não vai adiantar fazer biquinho, é o que vai sobrar! Deixo aqui um alerta!