
Sinais de um futuro promissor
No último sábado (27), o programa Caldeirão do Huck, da TV Globo, emocionou o público ao apresentar para o Brasil, a história de Etani e José Roberto. Em 17 anos, o casal, que já possuía cinco filhos, adotou 46 crianças. O casal e os muitos filhos moram em uma chácara que mais parece uma creche, na cidade de São Cristovão, a poucos quilômetros de Aracaju, capital do Sergipe. O que mais atraiu a minha atenção, porém, foi um menino de 10 anos chamado Biriba. Perguntado pelo apresentador Luciano Huck o que gostaria de ser quando crescesse, ele respondeu com firmeza: “Prefeito de São Cristovão”. De quebra, Biriba revelou que a sua primeira realização quando for prefeito, será promover o saneamento básico da cidade.
A expectativa de ser prefeito acalentada no coração de um menino de apenas 10 anos, demonstra que a afirmativa de que os jovens não se preocupam com política e/ou com responsabilidade social é mentirosa. Decidi escrever sobre isso, tendo o Biriba como referência. Entretanto, ao abrir a minha caixa de e-mail, na noite do mesmo sábado, me deparei com um texto maravilhoso da adolescente Juliana Peclat, de apenas 14 anos. Ela escreveu o seguinte:
“Todos os dias quando ligamos a TV, nos deparamos com atitudes horrorosas, cenas apavorantes, mortes, golpes ridículos, falta de caráter, de compaixão ao próximo, entre outras coisas. E todos pensam: “como um ser humano é capaz de tamanhas atrocidades?”. Porém, depois de apenas alguns minutos, ninguém se lembra do que foi visto. Aliás, ninguém quer saber dos problemas do próximo, porque “já temos os nossos problemas”. Só que, com isso, eles se tornam irreversíveis. Como diz o meu avô: “o mundo está perdido!”. E, eu acabo tendo que concordar com ele. Nessa geração, só vemos tudo piorar. Eles só pensam em ganhar mais dinheiro, mesmo que para isso seja necessário passar por cima de qualquer ‘idiota’ que esteja em seu caminho.
Quando ouço no jornal todas aquelas notícias ruins, fico arrepiada! Estamos todos presos fora das grades da prisão. Ninguém está seguro das balas soltas no ar, nem mesmo dentro de sua própria casa. Tenho certeza que todos têm os seus problemas, suas brigas em família, suas contas para pagar todo mês, seus filhos para educar, sua sogra chata, seu ‘’marido galinha’’. Acho também, que cada um tem o que merece, mas não é por isso, que devemos nos acostumar com o que é ruim, achar que não tem mais jeito e deixar por isso mesmo. Assim é muito ‘mole’! Achar que tudo é normal, enquanto a sua conta no banco cresce, o seu cartão de crédito estoura, enquanto você ‘pega um bronze’ na sua casa do litoral etc. É muito fácil, achar que já é tudo tão comum e que não devemos nos importar.
Enquanto você está sentado no sofá jogando vídeo-game, conversando na internet, até mesmo enquanto você dorme um sono profundo, há pessoas morrendo sem culpa. Pessoas sendo agredidas moralmente e espiritualmente. Famílias sendo acabadas. Gente sem casa. Crianças sem ter o que comer e sem ter onde brincar. Ou seja, coisas básicas que qualquer um tem direito. Mulheres se prostituindo, para tentar sustentar suas famílias e dar, quem sabe, um futuro menos doloroso a seus filhos, que possuem 80% de chance de acabar em mãos erradas, e, conseqüentemente, na prisão pelo resto de suas vidas... Às vezes, apenas por falta de oportunidade. Estamos acostumados com o pior! Aliás, com tudo que não deveríamos nunca termos nos acostumado.
Pergunto-me todos os dias: “onde isso tudo vai parar com tanta morte, guerra, descaso com a natureza, falta de amor e ganância de sobra? Será que o fim dos tempos chegou? Qual pode ser a saída? Será que daqui a alguns anos será possível pôr a cabeça no travesseiro e dormir sem culpa? Continuaremos girando em uma órbita ao redor do sol?”. Na verdade, ninguém sabe as respostas para essas perguntas. Afinal, a única certeza que temos da vida é a morte. Além disso, também temos certeza que a injustiça e a impunidade nunca terminarão por completo, pois a alegria de uns é o sofrimento de outros”.
É realmente uma falácia essa história dos jovens não entenderem de política e temas do gênero. Penso, inclusive, que aquela suposta alienação tão comum entre eles, é uma fuga das notícias que deprimem qualquer ser inteligente. Afinal, constantemente somos bombardeados com informações, onde vemos aqueles que recebem para proporcionar à população, segurança, saúde, educação, transporte, entre outras necessidades, envolvidos em corrupção, falcatruas, mentiras e outras leviandades. Na verdade, a ausência dos jovens desse processo, é uma forma que eles encontraram de expressar a sua indignação com a constante prevaricação da classe política. O que falta são os formadores de opinião, do qual eu faço parte, dar voz a essa ‘galera’. Tenho tentado fazer a minha parte.