Flávio Azevedo
Vaias, aplausos, descontentamento, e outras manifestações foram os ingredientes principais da cerimônia de posse do prefeito José Luiz Alves Antunes (DEM), do seu vice Matheus Neto (DEM) e dos 10 vereadores que vão compor a Câmara Municipal pelos próximos quatro anos. A queda de braço entre Executivo e o Legislativo, que foi explícita em 2008, pode permanecer esse ano. A solenidade aconteceu no plenário Zely Miranda, da Câmara Municipal, no dia primeiro de janeiro. Parentes, amigos, e uma multidão composta por correligionários, assessores e cabos eleitorais da situação e da oposição se acotovelavam para assistir a cerimônia – em um espaço considerado pequeno –, que teve início às 10h25min.
Em seu discurso de posse, o prefeito José Luiz lembrou que entrará para a história do município como o primeiro prefeito que foi eleito por três vezes. Ele aproveitou para alfinetar a oposição: “ainda bem que aqueles vereadores que torceram contra Rio Bonito, aqui (na Câmara) não conseguiram chegar”, disse, se referindo aos que não se reelegeram.
José Luiz disse que seu segundo mandato foi difícil. “Encontramos a prefeitura em situação difícil, mas quando botamos o trem na linha sofri um atentado. Na história do Brasil não vai ter outro caso de um prefeito reeleito com o pescoço furado porque foi vítima da ganância”, desabafou. Ele lembrou os 19 dias que ficou sem poder trabalhar porque estava hospitalizado e comentou que “naquela oportunidade eu não tive um vice para fazer o que Matheus Neto já está fazendo hoje”. Mandiocão pediu que as divergências (com a oposição) sejam deixadas de lado, e lamentou o fato de começar o ano “sem o orçamento de 2009 estar aprovado”.
Já o vice-prefeito Matheus Neto assumiu afirmando que um dos seus compromissos “é demonstrar no meio político o Deus que eu sirvo”. “Aos que perguntam se José Luiz e Matheus Neto vai dar certo, Eu respondo que já deu, porque eu reconheço que continuo sendo apenas um assessor do prefeito, para auxiliá-lo na administração de Rio Bonito”, discursou.
O clima da solenidade
O desconforto provocado pelo intenso calor e a queixa de que o número de convites para a cerimônia foi insuficiente para os empossados, sobretudo para o prefeito, o vice e os vereadores da base governista, também provocou o clima de insatisfação, mas a gota d’água para o clima de hostilidade entre Executivo e Legislativo foi a rejeição do orçamento municipal de 2009, pelos vereadores, no dia 26 de dezembro (os vereadores oposicionistas alegaram que haviam erros que feriam a Constituição Federal). Outro motivo de apreensão era a disputa pela presidência da Casa. Indignado com os 10 convites que recebeu para a cerimônia de posse, o prefeito José Luiz Antunes disse, ao microfone, que mandou devolvê-los.
Escolha do presidente
No início, a sessão solene foi presidida pelo vereador Aliézio Mendonça (PP), porque segundo o regimento interno da Câmara, antes do presidente ser escolhido, o vereador de mais idade preside a Mesa Diretora. Empossados os vereadores, chegou o momento mais esperado: a escolha do novo presidente. Apenas uma chapa, tendo o nome do vereador Fernando Soares (PMN) foi apresentada. Enquanto a votação era discutida pelos vereadores, o prefeito José Luiz ainda tentou convencer alguns parlamentares a escolher o seu candidato (Marcinho Bocão), para presidir a Casa. Sem conseguir que os próprios vereadores da base governista se entendessem, Fernando Soares confirmou o seu favoritismo e presidirá a Câmara nos próximos dois anos.
Se com os votos do G6 – grupo de seis vereadores, que inclui, além de Fernando Soares, Saulo Borges (PTB), Humberto Belgues (PSDB), Marcus Botelho (PR), Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR) e Abner Alvernaz Júnior, o Neném de Boa Esperança (PTN) – a vitória de Fernando já estava garantida, na última hora apareceram mais dois votos que deram a ele uma vitória expressiva por 8x0. Os votos inesperados para Fernando Soares teriam sido os dos vereadores Marcinho Bocão (DEM) e Maninho (PPS), ambos ligados ao governo. Os votos contrários, um anulado e outro em branco, teriam sido dos vereadores Aliézio Mendonça (PP) e Rita de Cássia (PP).
O vereador Marcus Botelho, um dos personagens principais na disputa pela presidência, disse que chegou a receber proposta para disputar o cargo com apoio do governo, momentos antes da votação. Ele, porém, resistiu ao assédio e se manteve no grupo de Fernando Soares. Definida a eleição para a presidência, Botelho comentou que não é fácil ser vereador, “mas o político tem que ter palavra”. Ele destacou ainda, que na política deve prevalecer o diálogo. “Fernando demonstrou que tem essa condição”, disse. Já o vereador Marcinho Bocão comentou, em sua primeira participação da tribuna, que ser vereador é o sonho de muitos, “mas poucos conseguem realizar”.
A vereadora Rita de Cássia (PP) alertou que o vereador chega a Câmara Municipal para servir “e não para se servir da posição que ocupa”. Ela ainda disse estar indignada com a rejeição do orçamento e com o fato de não ter recebido os convites para essa cerimônia. A vereadora pediu ainda que as mulheres não sejam discriminadas. Sob vaias, protestos e palavras de ordem, o vereador Caneco quase não conseguiu falar durante o seu discurso. Depois de dedicar o seu quarto mandato à sua mãe, ele argumentou que “não fui eu quem organizou a festa e distribuiu os convites. Contratamos uma empresa para isso”.
Antes de finalizar a sessão, o vereador Fernando Soares destacou a forma democrática como foi feita a escolha da mesa diretora. Ele disse ainda, que não gostaria de ver o riobonitense julgando a Câmara Municipal sem antes conhecer o seu funcionamento. “Digo isso, porque estamos iniciando um novo tempo”. Ele assegurou que “não estamos aqui para prejudicar o prefeito, mas para ajudá-lo. Quero deixar claro que eu sempre estarei aqui para atender aos interesses da população”, finalizou.