Guilherme Duarte

Dez entre dez brasileiros sonham em ter uma vida boa e se possível sem fazer muito esforço. Ganhar na loteria seria a maneira mais fácil de realizar esse sonho, mas pouquíssimas pessoas têm esse privilégio. Para se ter uma idéia, a probabilidade de acerto dos seis números da Mega-Sena é de uma em 50.063.860. Mas como dizem por aí, tem gente que nasceu com o “bumbum viradopra Lua”. E foi o que aconteceu com o ex-lavrador Renné Senna, que em julho de 2005 ganhou um prêmio de quase R$ 52 milhões no concurso 679 da Mega-Sena, o segundo maior prêmio pago pela Caixa Econômica Federal até hoje. Quem não ficaria feliz em ganhar uma fortuna dessas, e com Renné não foi diferente. O lavrador, que havia perdido as duas pernas há três anos devido a complicações de saúde, começou a desfrutar do prêmio que ganhou e viver a vida que sempre sonhou, mas não sabia ele, que a partir daquele momento o seu triste fim começava a ser escrito.

Depois de viver quase uma vida toda de dificuldades, Renné Senna finalmente pôde aproveitar a parte boa da vida. Ele comprou carros importados, uma fazenda avaliada em quase R$ 10 milhões, um apartamento no Recreio dos Bandeirantes, um triciclo para se locomover, um sítio no município de Itaboraí, casas para alguns dos seus familiares, deu uma vida de princesa para sua esposa e seus três filhos, entre outras coisas. Mas como todos sabem, o dinheiro não traz apenas coisas boas. A inveja e a ganância são um dos principais sentimentos que envolvem as pessoas ao redor de um milionário. Para evitar que uma tragédia acontecesse, Renné contratou uma equipe de seguranças, colocou câmeras na fazenda onde morava, mas infelizmente de nada adiantou.

Na manhã do dia 7 de janeiro de 2007, Renné sai de casa com seu triciclo para ir ao Bar do Penco, em lavras, para tomar cerveja e jogar conversa fora com os amigos, um dos seus programas preferidos, segundo o proprietário do bar. Por volta das 10h, dois homens encapuzados chegam ao local em uma motocicleta, o carona desce e covardemente dispara quatro vezes contra Renné Senna, que devido a sua deficiência não pode se defender. Todos os tiros pegam na cabeça, o milionário morre na hora e os bandidos fogem sem deixar pistas.

No dia seguinte começam as investigações e as principais suspeitas recaem sobre a viúva Adriana Almeida e a única filha de Renné, Renata Senna. Dias depois, a polícia descobre que o casal teve uma briga feia no réveillon e que Adriana Almeida havia passado o Ano Novo em Arraial do Cabo com um amante, que a chamava de “Égua Loira”. A partir daí, todas as suspeitas recaíram sobre a ex-cabeleireira. No dia 30 de janeiro, Adriana Almeida é presa em Niterói sob acusação de ter sido a mandante do assassinato do marido. As investigações também levam a prisão de mais cinco acusados de terem participado do assassinato do milionário. São eles: o ex-PM Anderson da Silva de Souza – acusado de ter efetuado os disparos –, Ronaldo Amaral de Oliveira, Marcos Antonio Vicente, Ednei Gonçalves Pereira e Janaína Oliveira Silva, esposa de Anderson.

Julgamento foi marcado em junho

No dia 16 de outubro de 2007, a juíza Renata Gil de Alcântara Videira, que naquela oportunidade cuidava do caso, anuncia que os seis acusados irão a júri popular, mas sem data prevista. No início de 2008, a juíza Cristina de Souza Santos, da 1ª Vara Civil de Rio Bonito, nomeia Renata Senna como inventariante da fortuna. A essa altura a Justiça já havia negado cinco habeas corpus à viúva Adriana Almeida. Somente em junho de 2008, a juíza Roberta dos Santos Braga marca o julgamento de três dos seis acusados no crime para o dia 7 de agosto. Mas em função de recursos da defesa, o julgamento teve que ser adiado. Fato que se repetiu um mês depois. No dia 30 de junho, exatamente 1 ano e 5 meses após de ter sido presa, Adriana Almeida é solta. E no dia 19 de dezembro, o Superior Tribunal de Justiça manda soltar Janaína Oliveira Silva e Marcos Antonio Vicente.

Advogado diz que Renata Senna tem medo de Adriana Almeida

Na última quarta-feira (7), o assassinato de Renné Senna completou dois anos. Um dia antes, na terça-feira (6), em entrevista via telefone, o advogado Marcus Rangoni, que defende Renata Senna – filha e herdeira do milionário –, revelou que sua cliente tem medo de ser a próxima vítima de Adriana Almeida. “Depois que a Adriana foi solta, a Renata não tem mais sossego. Ela teme que a Adriana faça com ela o que fez com o Renné. Minha cliente vive se mudando com medo que algo de ruim possa acontecer com ela. Ainda mais agora que a Justiça soltou mais dois acusados de terem participado do assassinato do pai dela. Mas é da Adriana que ela tem mais medo. Renné dava tudo do bom e do melhor para a Adriana, ela não precisava ter feito aquilo. Isso é ganância”, disse Rangoni.

Ainda segundo o advogado, Renata pretende sair do país assim que a Justiça liberar a herança deixada pelo pai. “Até agora, a Justiça liberou apenas uma quantia para pagar as despesas do patrimônio de Renné. Assim que houver a liberação total dos bens que são dela por direito, a Renata irá deixar o país. Esperamos que os acusados sejam julgados e condenados o mais rápido possível. A estratégia da defesa de protelar o julgamento demonstra que os acusados têm culpa no cartório. Se os seis não tivessem nenhuma participação no crime, com certeza eles iriam querer agilidade no julgamento para provar sua inocência. O objetivo deles é deixar que o crime caia em esquecimento, mas a população de Rio Bonito não pode deixar isso acontecer”, encerrou o advogado.