Flávio Azevedo
Essa semana o município de Rio Bonito voltou a ser castigado pelas chuvas que caem na região desde o mês de novembro do ano passado, causando transtornos em toda a cidade. Os temporais alagaram diversos pontos e causaram inúmeros prejuízos aos comerciantes e moradores de vários bairros. De acordo com a Defesa Civil da cidade, a chuva que não para de cair complicou ainda mais, a situação das casas que estão em área de risco, principalmente no Boqueirão, onde cerca de 30 casas estão interditadas, e no Bosque Clube. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Luis Francisco Soares, o número de casas interditadas, que era de 150, aumentou para 190.
Na segunda, terça e quarta-feira (19, 20 e 21), cerca de 20 minutos de chuva, foram suficientes para complicar o trânsito no Centro da cidade e alagar várias ruas. Nas avenidas Sete de Maio e Manuel Duarte, o tráfego de veículos teve que ser interrompido por mais de uma hora devido ao volume da água, causando problemas no trânsito. No entroncamento da Rua Arthur Bernardes, com a Rua Desembargador Itabaiana de Oliveira e Dr. Francisco de Souza, próximo a Cooperativa Agropecuária, a água subiu cerca de meio metro. Os bairros de Braçanã, Praça Cruzeiro, Boqueirão, Flor dos Cambucaes, Bosque Clube, Green Valley, Caixa D´água, Basílio e Mangueira foram os mais atingidos.
Por volta de 13h30min, da última quinta-feira (22), um deslizamento de terra na Rua Dr Luiz Palmier, na Praça Cruzeiro, destruiu uma residência e provocou cortes nas pernas da professora Hingsley Tolentino. Já na Rua Rodrigues Coelho, no bairro Green Valley, uma casa foi atingida no final da madrugada. Havia dez pessoas na casa. De acordo com a cabeleireira Celina do Amor Divino, ela foi despertada por um barulho muito forte. “Levantei assustada e vi o barro invadindo os quartos onde dormiam os meus filhos. Só deu tempo de puxar as crianças e correr para fora da casa”, disse. Também muito assustada estava a sua filha Renata do Amor Divino, que dormia no segundo andar da casa no momento do deslizamento. “Eram quase cinco da manhã e chovia bastante. Ouvi um estrondo e em seguida o meu quarto foi invadido por galhos de árvores e barro”, explicou Renata, que saiu de casa pela janela.
Em Cachoeira dos Bagres, dois deslizamentos de terra também provocaram a interdição da Estrada principal do bairro. Os deslizamentos de encostas provocaram a queda de árvores sobre os fios da rede elétrica e de telefone. Equipes da Secretaria de Obras e Serviços Públicos do município estiveram no local para retirar a grande quantidade de barro e galhos de árvores que desceram das encostas, mas o acesso à comunidade ainda está prejudicado. Até o momento ainda existem oito pessoas desabrigadas na Escola Municipal Professor Honesto de Almeida Carvalho (EMPHAC), no bairro Mangueirinha. A secretária estadual de Bem-Estar Social, Benedita da Silva, e a secretária municipal de Trabalho, Habitação e Bem Estar Social de Rio Bonito, Lilian Antunes, percorreram as localidades atingidas para avaliar os estragos.
O prefeito José Luiz Antunes (DEM), voltou a cobrar do governo federal respostas para as solicitações encaminhadas aos Ministérios das Cidades e da Integração Social para reconstrução e reforma das casas atingidas desde novembro. Ele destacou também, que a cidade está em situação de emergência desde o dia 26 de novembro, um dia após a morte de dois moradores no bairro marajó, após um temporal.
População reclama de lentidão da prefeitura
No bairro Bosque Clube, a dona de casa Sebastiana dos Santos, de 39 anos e o zelador Adão Pereira da Costa, de 47, que moram na Rua Nelson de Mendonça, queixam-se da ausência da prefeitura na localidade. A dona de casa está morando de favor na casa de uma vizinha desde 25 de novembro e o zelador, que tinha quatro casas para alugar, queixa-se da perda dos inquilinos. As casas foram invadidas pelo barro e estão juntas ao barranco, que continua caindo. No alto, a cerca de 100 metros de distância, existem duas moradias que podem desabar a qualquer momento sobre as casas de Sebastiana e Adão.
Na residência de Sebastiana, o barro invadiu a cozinha no dia 25 de novembro e ela denuncia que não recebeu nenhuma ajuda. A casa está tomada de lama e os móveis e objetos estão perdidos. “Tenho ido à Secretaria de Bem-Estar Social, mas eles sempre nos dizem que não tem condições de me ajudar. Além disso, nós ficamos indo de um lado para o outro e ninguém resolve nada. Preciso alugar uma casa e preciso de ajuda”, disse, emocionada. O zelador Adão Pereira revelou que já foi orientado a sair de casa, mas diz que não tem para onde ir. “Eu só saio daqui se indenizarem as minhas cinco casas”, avisou.
No Boqueirão, a situação não é diferente. A dona de casa Isabela da Silva Pereira, de 18 anos e a manicure Rosângela Mendonça da Costa, de 34, moradoras da Rua Prefeito Viana, uma das mais atingidas do bairro, estão com as residências interditadas. Isabela já deixou sua casa e está morando em outra emprestada, mas Rosânea continua morando com o esposo e duas crianças no imóvel que está interditado desde novembro. “Eu estou percebendo que a minha casa está cedendo e eu sei que ela vai cair, mas para onde eu vou? Eu não tenho para onde ir”, destacou a manicure.
Embora a comissão de moradores do bairro tenha conseguido ser atendida pelo prefeito José Luiz Antunes, a dona de casa Isabela disse que não acredita nas providências. Ela argumenta que “em novembro nos prometeram que em janeiro iriam começar a trabalhar aqui no Boqueirão para resolver os nossos problemas, mas até agora nada aconteceu”, disse. Segundo a manicure Rosângela, ela e o esposo não conseguem dormir direito e se revezam durante a noite para não serem surpreendidos pela tragédia enquanto dormem.