Flávio Azevedo

Cerca de 10 anos depois que a Justiça determinou o fechamento da estrada que liga as localidades de Mineiros e Jacundá, no 2º Distrito, para que os usuários da ViaLagos (RJ – 124), não burlassem o pedágio cobrado pela concessionária que administra a rodovia, mais uma estrada foi fechada em Rio Bonito. Agora, o fechamento aconteceu por vontade da Autopista Fluminense, subsidiária da empresa espanhola OHL, que explora a concessão da BR – 101 desde o ano passado. A concessionária fechou o acesso à rodovia, pela Rua Major Ferreira, no bairro Cidade Nova, mais conhecida como subida da Ojuara. O fechamento da rua aconteceu no último dia 30 (sexta-feira) e divide opiniões na cidade e no próprio bairro.

A concessionária informou através da sua assessoria de imprensa, que “após uma análise técnica, o corpo de engenheiros da empresa detectou irregularidades no acesso, que apresenta geometria desfavorável (concordância vertical e horizontal) em relação a BR-101. Além disso, oferece baixa visibilidade vertical a quem sai da Cidade Nova para a rodovia por ser um aclive/declive e há inexistência de faixa de aceleração, tudo em desacordo com o Manual de Acesso de Propriedades Marginais a Rodovias Federais do DNIT”. Ainda segundo a empresa, esse procedimento vem sendo realizado ao longo da rodovia, para aumentar a segurança de todos aqueles que utilizam a BR-101/RJ.

Fechamento agradou aos moradores

O fechamento da Rua Major Ferreira, agradou a maior parte dos moradores da localidade. O moldador Denis Félix Viana, de 27 anos, concorda com a iniciativa da concessionária. Ele disse que agora vai poder dormir sossegado. “O sobe e desce de carros fazia uma barulhada infernal. Era difícil pegar no sono”, comentou. O moldador, no entanto, criticou o fechamento inesperado e disse que “a Autopista Fluminense deveria avisar as pessoas ou colocar uma placa na Av. Inguita (rua principal do bairro), avisando que a saída para a BR – 101 foi fechada”.

Também morador da rua, o segurança Adelmo José da Silva, de 31 anos, concorda com o fechamento, mas faz um alerta: “como o local aqui é muito escuro, os motoristas devem ficar atentos, porque algum bandido pode se esconder para assaltar as pessoas”. Ele também contou que a falta de sinalização avisando que a rua está fechada já provocou um acidente em frente ao número 197, por volta das 17h do domingo. “Um carro subiu, mas como não tinha caminho ele decidiu voltar. Quando o veículo começou a voltar, vinha subindo uma moto e aconteceu a batida. Ninguém se machucou com gravidade, mas se uma placa fosse colocada na rua principal avisando sobre o fechamento, isso não teria acontecido”, lamentou.

O motorista Edvaldo Quintanilha, de 40 anos acredita que existem aspectos positivos e negativos na situação. “Eu saía por ali com o meu caminhão. Agora vou ter que dar uma volta enorme. Mas por outro lado acabou aquele trânsito de carro e moto de madrugada”, avaliou. Já a professora Eliane Queiroz, de 30 anos, citou os “constantes acidentes” naquele trecho.

– Um caminhão carregado de tijolos e um caminhão da prefeitura já desceram desgovernados por aquela rua e poderiam ter causado uma desgraça. Agora não corremos mais esse risco – lembrou Eliane, que durante a entrevista demonstrou algum conhecimento de engenharia de tráfego. “O problema é que o acostamento da pista de subida (da BR-101) é muito estreito e parar ali para descer por aqui sempre foi uma temeridade. A partir de agora a minha sobrinha, de 5 anos, vai brincar mais a vontade em frente de casa”, concluiu.

Empresário reclama de prejuízos

Há seis anos estabelecido no fim da Rua Major Ferreira e às margens da BR – 101, o empresário Maurício Gomes da Silva, de 50 anos, dono de uma marmoraria no local, não está nada satisfeito com o fechamento do acesso. Ele diz que está ilhado e a sua estratégia de construir a sua empresa às margens da BR – 101, como foi aconselhado por um consultor do Sebrae, foi jogada por terra. “Na verdade, eu estou lutando para dar acesso para a minha empresa. Eu recebo caminhões carregados de granito, o peso é muito grande e se eles subirem essa ladeira pode causar um acidente”, disse, preocupado, o empresário, que ainda não finalisou a obra.

Ainda segundo o empresário, acidentes acontecem em todo lugar. “Além disso, o que evita acidentes é a sinalização e a conservação das estradas e não o fechamento delas”, disse. Na manhã da última terça-feira (3), o aposentado Paulo César Souza Ribeiro, tentava chegar ao bairro do Boqueirão. Como não sabia do fechamento da rua, o aposentado teve que voltar ao chegar ao trecho fechado. Ele afirmou que a saída é prática, mas concorda que ela não está dentro das normas de segurança. “Perdemos a praticidade, mas ganhamos em segurança. Sempre que eu entrava aqui ficava receoso, porque realmente é perigoso”, disse.