Por Ana Carolina Soares e Roberta Escansette
Foto: Vicente de Paulo 

’’Dá um medinho’’, diz a atriz, sobre investir no cinema internacional, que surge como o próximo passo de sua carreira. A seguir, ela fala, ainda, sobre religião, o sonho de ter dois filhos, e revela que vive a maturidade sexual no namoro

Em maio, ela apareceu nas páginas da revista americana People como uma das 100 pessoas mais lindas do mundo. Um mês depois, Juliana Paes estava em Los Angeles, nos Estados Unidos, para uma reunião com o agente de atores Steve Small, que trabalha com várias estrelas do cinema internacional, entre elas Philip Seymour Hoffman, vencedor do Oscar de melhor ator este ano. Aos 27 anos, a menina que nasceu no município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, está dando seus primeiros passos a caminho de uma carreira internacional. Dona de um corpo exuberante, divertida e talentosa, Juliana tem mais um elemento a seu favor para brilhar em Hollywood: a beleza brasileira.

E ela sabe disso. Tanto que aponta a latinidade como sua maior arma para conquistar espaço no cinema mundial, como fizeram Jennifer Lopez, Penélope Cruz e Salma Hayek, por exemplo. Centrada e realista, Juliana já decidiu que irá, sim, morar nos Estados Unidos durante um tempo. Só não sabe ainda quando será. Primeiro, quer montar um cronograma de trabalho com testes e propostas concretas. Na entrevista a seguir, ela fala das expectativas em relação ao trabalho no exterior, de religião, de vaidade, do sonho de ter dois filhos e do namoro de dois anos com o empresário Carlos Eduardo Baptista, 28. "Estamos na fase mais gostosa da relação. A intimidade está no grau máximo", diz.


Com essa investida na carreira internacional, você pretende morar no exterior?
Eu não sei (risos). No mês passado, tive um encontro com Steve Small (agente de atores de Hollywood). Ele me chamou para conversar no escritório dele, em Los Angeles (Estados Unidos), depois que eu saí na revista People (na edição de maio, ela foi apontada pela publicação como uma das 100 pessoas mais lindas do mundo). Voltei para o Brasil para pensar. Algumas pessoas poderiam agarrar essa oportunidade com unhas e dentes e dizer: "Vou embora amanhã". Não sou assim.

Por quê?
Dá um medinho, né?

Medo de quê?
De divulgar que vou começar uma carreira internacional e criar muita expectativa. Por exemplo, o que aconteceu com Rodrigo (Santoro). Ele não fez nenhum alarde sobre a carreira internacional. Mas quando estreou numa grande produção americana (referindo-se ao filme As Panteras - Detonando), algumas pessoas criticaram. Diziam: "Ele não fala nada no filme". Não sei se tenho estrutura para ouvir algo como: "Juliana fracassa".

Afinal, qual é a sua situação? Você está com medo e ainda não decidiu se vai para os Estados Unidos ou já decidiu que vai, mas está com medo?
Decidi que vou, mas estou com medo.

E quando você vai?
Ainda não sei. Pedi para o meu agente montar um cronograma. Quando tudo estiver acertado, com testes e propostas concretas, eu vou para lá.

Qual o seu sonho nesta carreira internacional?
Fazer uma ponta num filme legal.

Só uma ponta? Você não sonha em ganhar um Oscar?
Lógico que, num sonho grandioso, isso acontece. Mas eu sou realista. O meu sonho começa pequeno.

Você fala em medo de se frustrar. De onde vem isso?
Tenho um pai maravilhoso (Carlos Henrique, 57, militar reformado), porém muito sonhador. Ele dizia coisas do tipo: "Agora, a gente vai ter uma casa em Angra dos Reis". Mas não tinha nada concreto e a coisa não acontecia. Resultado: eu me frustrava. Aprendi que a melhor maneira de não me frustrar é ser realista.

Quais são suas armas para conquistar o cinema internacional?
Primeiro, a minha latinidade. Segundo, minha espontaneidade. Tenho uma capacidade enorme de quebrar o gelo. Um dia, encontrei Steve (Small, o agente americano dela) e uns amigos dele, uns executivos engravatados, num bar na frente dos estúdios da Paramount, nos Estados Unidos. Comecei a falar sobre cachaça e que eu gostava de tequila. De repente, estavam todos relaxados, tomando tequila (risos).

Seus papéis sempre têm um lado cômico. Você faz isso de propósito?
Por mais que o ator estude interpretação, nosso jeito de ser aparece no personagem. Como eu sou muito palhaça, isso acaba surgindo na interpretação.

Palhaça como? Daquelas que costumam cometer gafe?
Várias (risos).

Conte-me uma.
Um dia, eu estava andando de ônibus, sentada no banco, e uma mulher barrigudinha chegou a meu lado e ficou de pé. Cedi o meu lugar a ela, que me perguntou o porquê da gentileza. Respondi que era porque ela estava grávida. Daí, ela falou que não estava grávida. Fiquei muito sem graça.

Sua irmã Rosana (26 anos) mora nos Estados Unidos. Ela mostrou para os amigos americanos a revista People na qual você aparece?
Rosana já ficou impressionada quando Contigo! publicou (em julho de 2004) a reportagem sobre a volta da minha mãe (Regina, 53, que também morava nos Estados Unidos) para o Brasil. Quando saiu a People com a minha foto, a chefe dela ficou impressionada, comprou uma People e pediu para que Rosana pegasse um autógrafo meu para ela (risos).

Depois de ser considerada uma das mulheres mais lindas do mundo, o que vem na sua cabeça quando pensa que a beleza é algo passageiro?
Todo mundo envelhece. Comigo não será diferente. Não vou ficar mal. Ter rugas no rosto é sinal de histórias de vida. Todo mundo passa por isso.

Você tem planos de ter um casamento tradicional, com vestido de noiva, igreja e dama de honra?
Não sei. Sou espírita, mas ele é católico (referindo-se ao namorado, Carlos Eduardo Baptista, 28). Mas acho bonito o ritual de reunir as pessoas que você ama, como se dissesse: "Gente, essa é a pessoa que eu escolhi".

Quando você pretende fazer esse ritual?
Não sei. Daqui a uns três anos está bom. Casar aos 30 anos seria lindo.

E filhos?
Daqui a uns dez anos. Meu sonho é ter uma casa linda, cachorro e dois filhos: um menino primeiro, que se chamaria João, e depois a menina, que ainda não sei o nome.

Por que não se casa agora?
Eu tenho apenas 27 anos! Eu me considero muito novinha. Para que vou casar agora? O rótulo "namorado" é muito legal. Vamos namorar (risos)!

Seu namorado não sente o peso de ter ao lado uma das mulheres mais lindas do mundo?
Namorar pessoas famosas é fácil. As outras pessoas ficam com medo de se aproximar. Dudu (como ela chama o namorado) sabe que eu sou fiel. Se eu ficar com alguém, com certeza ele ficaria sabendo nas revistas. Eu é que tenho de ficar de olho nele (risos).

Você é ciumenta?
Não. Se Dudu resolver me trair, ele vai fazer. Só não quero ficar sabendo. Não que seja namoro aberto. Não temos isso! Mas não acredito em fidelidade.

Como assim?
Não acho que todo mundo trai, mas acredito que todo mundo tem vontade de trair. A partir do momento em que existe a vontade de trair, o que você vai fazer? Vai ter ciúme do pensamento?

Você já pensou em trair?
Nunca. Muito menos agora! Eu e Dudu estamos juntos há dois anos. Estamos vivendo em um verdadeiro mar de rosas. Estou naquela fase mais gostosa, em que a intimidade está no grau máximo. Podemos falar certas coisas sem pudores. Até o sexo fica melhor.

Fonte: Revista Contigo