
Contragolpe à italiana
No jornal O Globo do último sábado, uma matéria falava sobre a campanha publicitária da coleção primavera/verão de uma rede italiana de roupa feminina, que provocou a indignação das mulheres e da Política Militar do Estado do Rio de Janeiro. Fotografada em Ipanema, a campanha, que está sendo veiculada em outdoors da cidade de Nápoles, mostra duas modelos sendo revistadas por policiais de forma abusiva e com uma clara conotação sexual. Na campanha, além do abuso contra as mulheres, existe uma crítica ao comportamento da PM carioca e uma demonstração de como ela é vista pelos turistas estrangeiros, já que os modelos masculinos usam fardas da Corporação.
Em nota, o Secretário Especial de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, repudiou veementemente a propaganda e assegurou que iria enviar à embaixada Italiana, no Brasil, um pedido de retirada imediata da propaganda das ruas napolitanas. Segundo ele, “esse tipo de publicidade desrespeita não só a Polícia Militar como compromete a imagem do Rio de Janeiro e a dos próprios cariocas”. A assessoria da Polícia Militar afirmou, que apesar da semelhança, a farda usada pelos modelos não é a oficial, porque o brasão estampado na roupa dos fictícios policiais não é do Estado do Rio de Janeiro.
A campanha foi feita pela Relish, uma rede de roupas femininas de linha jovem e já virou polêmica na Itália. A imagem do policial passando as mãos por baixo da roupa de uma das modelos circulou na internet e motivou a criação de uma comunidade em um site de relacionamentos. Os membros da comunidade pedem a remoção dos outdoors e um boicote às lojas. Para a intelectual e feminista Rose Marie Muraro, as fotos têm consequências terríveis para a sociedade, porque “perpetuam uma tara masculina que liga o amor a violência”.
Eu particularmente não aprovo esse tipo de notícia, porque entendo serem elas uma forma canalha de desviar o olhar da sociedade dos seus verdadeiros problemas. Por isso, vou pegar uma carona na imagem das modelos que aparecem na campanha italiana, para criticar um dos produtos que a Itália exporta para o mundo: a moda. O meu contragolpe é abordar um problema social sério, que é provocado pelas indústrias da beleza. Eu falo da desnecessária magreza das modelos. Em minha opinião, esse assunto não é abordado pela mídia como deveria, porque jornais, televisão, rádios, revistas e outras mídias, não querem correr o risco de perder os milionários contratos publicitários dessas empresas, que implantaram na cabeça das mulheres, que para elas serem belas precisam ter uma aparência fúnebre e languida.
Gente! Que coisa esquisita é uma modelo! Lembram cabos de vassoura vestidos! Enquanto a grande imprensa desvia o olhar das pessoas para conversas fiadas e notícias sensacionalistas, caiu no esquecimento que descaradamente a mídia, a serviço dessas empresas de beleza, está marginalizando as pessoas que fazem opção por ter um corpo natural. Isso acontece, sobretudo entre as mulheres. Existe uma busca enlouquecida por um padrão de beleza que é inalcançável para uma dona de casa. Inclusive, penso que os dois extremos são condenáveis, porque outras correntes já preferem que as mulheres tenham a aparência de um lutador de jiu-jítsu. Outro dia eu olhava a fotografia de uma rainha de escola de samba e fiquei imaginando: “após fazer amor com essa mulher, o sujeito deve acordar com a impressão que esteve com o Arnold Schwarzenegger”.
Mas voltando a magreza, eu conversei sobre esse assunto com um médico especializado em saúde da mulher, e ele comentava sobre os prováveis motivos que causaram a morte da modelo Mariana Bridi, há cerca de 20 dias. Ele disse que as modelos têm uma saúde muito frágil, porque não se alimentam corretamente, e vivem em uma eterna dieta, para não perderem a forma de cabo de vassoura. Além disso, a vida agitada e estressante dessas meninas faz com que elas adoeçam com facilidade, mas como elas não têm um corpo saudável, a possibilidade de sofrer uma infecção generalizada é muito grande. Ou seja, o organismo não está nutrido para combater uma simples doença, que evolui para um quadro grave. Foi o que aconteceu com a modelo Mariana.
O médico comentou também, que muitas dessas modelos – uma carreira que começa cedo, aos 12 ou 13 anos, quando o organismo ainda está em formação e em processo de maturação – são usuárias de álcool, drogas, fumo e substâncias emagrecedoras, que junto com as noites de sono perdidas deixam o corpo sem imunidade para combater as doenças. Para nós que temos filhos fica uma dica: vamos esquecer a briga da grife italiana com a Polícia Militar, e vamos cuidar dos valores que a televisão está incutindo na cabeça de nossas crianças. E, sobretudo para quem tem filha, como eu, que possamos saber transmitir valores, que não permitam que elas tenham o triste fim de Mariana Bridi. Além disso, vamos amar e valorizar as nossas esposas, porque embora elas não sejam – algumas até tentam – “cabos de vassoura”, elas são “pau para toda obra”.