A queda das máscaras!

As últimas semanas foram interessantes para nós brasileiros, porque algumas máscaras caíram e algumas velhas afirmações no campo da especulação se tornaram reais. O primeiro exemplo foi o deputado federal Edmar Moreira e seu castelo. Aliás, esse negócio de castelo está se tornando comum entre os Democratas. O deputado, “Castelão”, nome que ele ganhou da imprensa, seria o segundo vice-presidente da Câmara de deputados, mas a publicidade inesperada do seu empreendimento de quase R$ 25 milhões fez com que ele desistisse do cargo.

O Brasil inteiro está zombando dos mineiros por causa do “Castelão”. Contudo, nós cariocas devemos botar a nossa viola no saco e olhar para o nosso próprio umbigo, porque um rápido giro pelos bens declarados ou não, dos nossos políticos, certamente vai mostrar mansões, fazendas, chácaras, hotéis, supermercados, postos de gasolina, fábricas de asfalto, participação em concessões de bens estatais privatizados, milícias, sociedade em boca de fumo, tráfico de armas etc.

Nesse ínterim, a Polícia Federal indiciou os conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro José Nader, José Graciosa e Jonas Lopes. Nader está sendo acusado de peculato (corrupção cometida por servidor público), advocacia administrativa e formação de quadrilha. Segundo a imprensa, esses senhores, Nader e Graciosa, estão sendo investigados pela “operação Pasárgada”, por suposto envolvimento com fraudes cometidas por prefeitos municipais. Estariam levando “roubustas” comissões.

Fica então um pergunta: “esses tribunais não foram criados para fiscalizar os gastos?” Se isso não está acontecendo, fechem esses tribunais e direcionem o dinheiro gasto com esse pessoal para setores carentes da sociedade brasileira. E, são muitos. Eu não entendo o funcionamento do TCE. Quando ele dá um parecer técnico contrário às contas do prefeito, por exemplo, a Câmara de Vereadores – onde não existem técnicos – tem a prerrogativa de fingir que não viu o parecer do Tribunal, e se quiser, aprova as contas irregulares. Coisa de doido!

Depois disso tivemos a celeuma que envolveu a opinião pública e a classe política sobre os gastos dos parlamentares com verba indenizatória, que foi criada há oito anos e custou aos cofres da Câmara, somente no ano passado, R$ 83,9 milhões. Depois da pressão sofrida pela imprensa e pela sociedade, a mesa da Câmara decidiu, por unanimidade, detalhar os gastos de todos os deputados com a verba indenizatória, que representa R$ 15 mil mensais para pagar despesas como: aluguel de escritório, de carro, gastos com água, luz, telefone, condomínio, segurança, material de escritório e divulgação, nos estados de origem. Mas tem uma “marreta”: “não será divulgado o CNPJ dos fornecedores”. Olha o golpe!

Embora ainda possa haver recurso, achei louvável a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou o mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice, José Lacerda Neto. Eles permaneciam no cargo por força de uma liminar concedida pelo próprio TSE. Deverá assumir o cargo, o senador José Maranhão (PMDB), segundo colocado na eleição de 2006. Mas o que lavou a alma do brasileiro foi a entrevista do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos à revista Veja. Ele disse que “o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões”.

O senador criticou o seu próprio partido, o PMDB, que segundo ele, “quer mesmo é corrupção”. Além disso, Vasconcelos afirmou, e com total razão, que considera um retrocesso a eleição de José Sarney à presidência do Senado. Segundo ele “a moralização e a renovação são incompatíveis com a figura de Sarney, que vai transformar o Senado em um grande Maranhão”. Sobre Renan Calheiros, que será o líder do PMDB, na Casa, Vasconcelos comentou que “ele (Renan), não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido”.

Vale a pena ler a entrevista. Aproveito a oportunidade para agradecer ao senador Jarbas Vasconcelos, por dizer aquilo que todos nós brasileiros gostaríamos de falar, mas não podíamos. A sua manifestação permitiu que jornalistas, comentaristas políticos e o povo, digam o que quiserem sobre o PMDB. E, eu começo: o PMDB era um grande partido quando era pequeno. Mas agora que ele se tornou grande, ele está pequeno, porque esqueceu os valores que no passado tão ardorosamente defendeu.