Ana Wambier e Jorge Martins
Policiais de quatro batalhões foram mobilizados no cerco montado ontem de madrugada para prender os ladrões que arrombaram uma agência do Unibanco na Rua Jardim Botânico 635, para levar dois caixas eletrônicos. Durante a perseguição, houve troca de tiros nas ruas Lopes Quintas e Lineu de Paula Machado. Foram montados bloqueios na galeria Sul-Norte do Túnel Rebouças, no Cosme Velho, e no elevado da Paulo de Frontin. Embora ninguém tenha sido preso, o material roubado foi totalmente recuperado. O tiroteio causou pânico nos moradores da região, que acordaram no meio da madrugada com o som dos tiros.
Ladrões abandonam caixa eletrônico e fogem
O Unibanco escolhido pela quadrilha fica em frente à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). Às 4h, o alarme soou na central em São Paulo e a PM do Rio foi avisada. Foram acionados o 23 BPM (Leblon), o 19 (Copacabana), o 2 BPM (Botafogo) e o 1 BPM (Estácio). Bloqueios nas principais rotas de fuga foram montados e carros da polícia chegaram à Rua Jardim Botânico quando os ladrões ainda estavam tentando retirar um dos caixas eletrônicos, que seria colocado numa picape Fiorino, placa KNL 9617, estacionada na frente da agência.
Com a chegada da polícia, parte da quadrilha fugiu a pé em direção à Lagoa, abandonando a Fiorino e o caixa eletrônico ainda no interior da agência. Eles foram perseguidos e chegaram a trocar tiros com a PM na Lineu de Paula Machado, mas conseguiram fugir.
Outra Fiorino, placa KUF 2108, de Rio Bonito, que levava outro caixa eletrônico, saiu em fuga e entrou na Rua Lopes Quintas, também no Jardim Botânico. Os carros da polícia seguiram em sua direção. Na esquina das ruas Corcovado e Lopes Quintas, policiais que estavam numa cabine da PM e que acompanhavam a perseguição pelo rádio da polícia tentaram fazer com que a Fiorino parasse, mas ela seguiu adiante e houve troca de tiros.
O bloqueio feito pelos policiais da cabine permitiu que os carros da polícia que vinham um pouco mais atrás se aproximassem da Fiorino. O bandido que dirigia a picape, então, deu uma freada brusca em frente ao número 497 — a apenas cem metros da cabine — e o caixa eletrônico tombou, abrindo a porta traseira da Fiorino e caindo na rua. Houve mais tiros e os bandidos escaparam pulando o muro de um prédio.
A dona-de-casa Dalva Cameiro, que mora em frente à cabine, disse que os moradores do prédio acordaram assustados.
— Foram muitos tiros e o som foi muito alto. Eu estava dormindo no meu quarto, que tem a janela voltada para a rua, e acordei apavorada, mas não quis olhar pela janela porque era muito tiro. Fiquei com medo de ser atingida. De manhã, todo mundo só comentava sobre isso — disse Dalva.
Segundo o comandante do 23 BPM, coronel Carlos Eduardo Milan, há três possibilidades para os bandidos terem entrado na Lopes Quintas: eles poderiam ter entrado aleatoriamente na rua durante a fuga, poderiam ter escolhido a rota previamente para fazer o retorno em direção à Lagoa, fugindo por onde não houvesse bloqueio, ou pretendiam fugir pelo Alto da Boa Vista.
— Nesta hipótese eu não acredito. O carro estava muito pesado e eles teriam que seguir numa velocidade muito lenta. Estamos muito perto de descobrir a origem da quadrilha. Suspeitamos que seja a mesma que fez roubos semelhantes em Botafogo — disse.
Fonte: Jornal O Globo