
As lições do Rio Bonito Atlético Clube
No dia 16 (quinta-feira), participei de uma solenidade no Rio Bonito Atlético Clube (RBAC), uma agremiação que chama a minha atenção, por ter em sua história, nomes como José Alves Ventura, Dionísio de Sá Leones, Antonio Figueiredo, entre outros que marcaram os seus nomes na história de nossa cidade – que não tem memória, como diria Tarquínio Freire – através da dedicação a esse clube. A reunião marcou a despedida do dinâmico presidente Paulo Gustavo Brandão Moraes, que está deixando a presidência depois de nove anos.
Na solenidade compareceram a deputada federal Solange Almeida (PMDB), o presidente do Legislativo riobonitense Fernando Soares (PMN), e os vereadores Saulo Borges (PTB), Humberto Belgues (PSDB) e Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR). Mas o que realmente chamou a minha atenção foi o fato do mestre de cerimônia do evento ser o presidente do Esporte Clube Fluminense, Marinoni Nicolau. Digo isso, porque de acordo com a mentalidade anacrônica e provinciana do riobonitense, o correto seria Paulinho e Marinoni serem inimigos. Lembro que quando o futebol de Rio Bonito era vivo, existia certo preconceito com os torcedores do RBAC, porque o chique era torcer pelo Motorista Futebol Clube. Rivalidade boba de torcida da roça!
Hoje, o desenvolvimento alcançado pelo Rio Bonito Atlético Clube e por outras entidades como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV) etc., que nos últimos 10 anos passaram a ter um viés profissional na administração, demonstram que está mais do que na hora de termos uma administração profissional nas instâncias políticas do nosso município. Aliás, as entidades que ainda não adotaram esse viés profissional continuam no século XIX e sobrevivem com dificuldades. Sobretudo nesses tempos de crise!
É claro que a presença de empresários bem sucedidos na direção do RBAC, contribui e muito para o sucesso do clube. Por isso, acho importante repetir o que eu disse naquela noite: “Rio Bonito precisa que as pessoas que administram tão bem os seus negócios e entidades, saiam da inércia e participem com as suas ideias e trabalho dos cargos políticos da nossa cidade”. Para aqueles que já participam da vida pública, a principal lição que pode ser tirada dessa entidade e seus administradores é a forma apaixonada e comprometida com que eles administram os seus negócios e instituições.
Acho que um dos primeiros passos seria tirar do campo das idéias, a criação do “Conselho Municipal de Notáveis”, proposto pelo vereador Aliézio Mendonça (PP). O parlamentar recuperou a ideia de democracia na sua origem. Afinal, era assim que acontecia no berço de nossa civilização, na Grécia de Sócrates, Aristóteles e Platão, onde os rumos do ‘demos’, ou cidade, eram decididos por pessoas de notório saber. O problema é que a presença de vida inteligente ou pessoas de notório saber nos parlamentos do Brasil é uma raridade.
O prefeito José Luiz Antunes (DEM) vem administrando a cidade com dificuldades. Sobre isso, o ouvinte Nadelson Costa Nogueira, do nosso programa “O Tempo em Rio Bonito” deixou um comentário dolorido, mas verdadeiro. Disse ele: “José Luiz, estamos te deixando trabalhar, mas trabalhe direitinho! Selecione melhor seu staff e justifique o ordenado dos mesmos. A única coisa que eu sei é que os gastos sempre fecham nos valores idênticos à arrecadação dos períodos. O Município deveria economizar, quando é incentivado a gastar tudo ou ir além do orçamento. É complicado ver o atraso do pagamento dos servidores e contratados, a carência dos serviços de utilidade pública e a falta de respeito com o cidadão, que já paga muito caro para ter tudo isso”, analisou.
O nosso ouvinte ressaltou também, que “nos países baixos, o cidadão paga até 52% de seus rendimentos em tributos, mas tem todas as garantias do Estado, incluindo ensino universitário e pós-graduação. No Brasil, se paga mais de 37,6% de impostos de tributos diretos e indiretos, e o Estado, na pessoa jurídica do Município, sempre desvia as suas obrigações para ONGs e para o governo federal, que já fez o repasso das verbas”. A sua conclusão foi espetacular! Ele disse: “o fato é que Rio Bonito está doente faz tempo! O município está sofrendo de pobreza, miséria intelectual e desemprego”.
Concluindo, acho que se a administração municipal – quem esteve, quem está e quem estiver – copiar as lições de profissionalismo das nossas entidades, sobretudo nos acertos (às vezes copiam o que deu errado), e ouvir as sugestões que chegam da população – que se finge de morta, mas está atenta – poderemos ter num futuro muito próximo, um Rio Bonito onde a prioridade será o coletivo e não o individual.