O colapso do socialismo e dos projetos políticos

Na edição 147, da revista Caros Amigos, Frei Betto, um dos colunistas do veículo, escreveu um artigo que ele chamou de “socialismo, contradições e perspectivas”. Para ele, o socialismo é estruturalmente mais justo que o capitalismo. Porém, em suas experiências reais esse pensamento político não equacionou a questão da liberdade individual e corporativa. Ele destacou também, que cercado por nações e pressões capitalistas, o socialismo soviético cometeu o erro de abandonar o projeto originário de democracia proletária, baseado nos sovietes, para perpetuar a maldita herança da estrutura imperial czarista da Rússia.

Frei Betto escreve também, que não foi surpresa a queda do socialismo na União Soviética, porque o estado, além de cometer excessos no controle do regime, não conseguiu oferecer à população bens de consumo elementares de qualidade, mercado varejista eficiente e uma pedagogia que formasse cidadãos mais conscientes. Ele acredita que o socialismo ruiu, porque quem estava no controle projetou o futuro, nos moldes do capitalismo, ou seja, privilegiando a produção, a distribuição e o consumo. Na verdade, os dois sistemas se igualaram.

Os detentores do poder socialista esqueceram que o socialismo só se justifica, como sistema e proposta de governo, quando o seu objetivo principal são as relações humanas: a solidariedade, a cooperação, o respeito, a dignidade do outro, o fim de discriminações e preconceitos. Além disso, se no capitalismo, o direito é um privilégio da classe que detém os lucros (dominante), no socialismo ele tem que ser comum a toda sociedade. Já no capitalismo, o sistema é baseado na economia, que é similar a qualquer jogo: para um ganhar, alguém ou muitos tem que perder.

Se Frei Betto fez essa observação tendo como pano de fundo a Guerra Fria, que nada mais do era que uma luta pela hegemonia do poder mundial, essa é uma das lições, que como diria Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, podem ser assimiladas pelos políticos que pretendem implantar um “reino novo”. Em Rio Bonito, está muito nítido que um novo grupo político está tomando forma. Por isso, penso que lições como as causas da derrocada socialista no mundo, deixam ensinamentos preciosos.

 

Mas, infelizmente, nós estamos lidando com seres humanos, que na sua essência são extremamente egoístas. Aliás, geralmente, quando a pessoa quando percebe, que exerce certa liderança, a primeira coisa que pensa é em se perpetuar no poder. Assim, eles trocam o “PROJETO POLÍTICO PELO PROJETO DE PODER”. Em sua maioria, eles não se satisfazem com o que tem e ganham, e querem mais, mais e cada vez mais – é o egoísmo. E como aumentar esse ganho significa ficar mais tempo no comando, o projeto político dá lugar ao projeto de poder.

Isso é fácil de ser identificado, porque o detentor do poder desenvolve algumas clássicas escolhas que definem essa tendência. De propósito, ele não forma um líder político para substituí-lo, pois para esse grupo, a liderança é exercida através da concessão de benesses e do velho mensalão. Outra artimanha, além de se cercar de pessoas sem liderança, é a aproximação de indivíduos que tenham desvios de caráter – que possam fazer o trabalho sujo. Mas o principal é a escolha de um substituto que não tenha carisma. Aqui está o principal motivo da ineficácia da transferência de votos. E, é simples! O herdeiro desses votos não tem o mesmo carisma do seu padrinho, que sabe disso, mas cinicamente finge que não sabe.

Que os projetos futuros dos postulantes ao poder, não esbarrem na troca de objetivos que ficou patente na história dos líderes políticos antigos e modernos – o egoísmo.