Sem transporte universitário desde o dia 26 (quarta-feira), os estudantes fizeram outra manifestação reivindicando a normalização do serviço, na tarde da última sexta-feira (28). Com a suspensão dos ônibus, que diariamente levam para os municípios de Niterói, São Gonçalo e Silva Jardim, cerca de 1,2 mil alunos, muitos estudante estão perdendo aula por não terem condições financeiras de pagar passagem todos os dias. Coincidência ou não, os ônibus foram suspensos depois que os universitários fizeram uma manifestação – na terça-feira (25) – cobrando melhores condições no transporte. De acordo com eles, os coletivos têm viajado com cerca de 150 pessoas em pé, além dos 45 sentados.

Um dos líderes do movimento, o universitário Leandro Gonçalves, fez uma retrospectiva da situação dos universitários em Rio Bonito. Ele disse que em 2004, o então candidato a prefeito, José Luiz Antunes, pegou um carona no ônibus e prometeu condições dignas de transporte. “Na época ele disse que nós viajávamos em condições desumanas”. Leandro lembrou que o prefeito comprou quatro ônibus em 2006 e destacou que os ônibus desfilaram pelas ruas da cidade. “Mas se o acidente que aconteceu com um dos ônibus universitários, no dia 11 de agosto, fosse hoje, talvez muitos de nós não estivéssemos aqui”, analisou.

O transporte universitário já havia sido discutido na Câmara de Vereadores, que de acordo com os universitários está omissa, na semana anterior. O parlamentar, Saulo Borges (PTB), havia feito um requerimento ao Executivo, pedindo a compra de novos veículos ou a celebração de contrato com empresas locais para transportar os alunos com mais conforto e segurança. Nas sessões de terça e quinta-feira, os universitários compareceram em grande número à Casa Legislativa. Eles prometem continuar indo a Câmara Municipal, até que o problema seja resolvido.

Passando pela Praça Fonseca Portela, durante a manifestação dos universitários, Monsenhor Guedes, pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, comentou que uma conversa sincera poderia solucionar o problema. Para ele “um país e um município que não planta o estudo está cultivando um futuro triste”. Parafraseando Ruy Barbosa, ele concluiu dizendo que “fechar escolas é abrir cadeias”. Já a ex-prefeita Maria Luisa Loureiro elogiou a iniciativa e a coragem dos estudantes e comentou que esse impasse entre a Prefeitura e os universitários é simples de ser resolvido.

onde a educação não é prioridade, pode ser feitoa vida para qwuem tem estudo que é uma pena a Em entrevista a GAZETA, o estudante Uanderson Pereira Luz, fez um alerta: “se houver um acidente, quem vai se responsabilizar pelos universitários machucados? Nós não temos amparo nenhum”, desabafou. Também conversou com a nossa reportagem, o universitário Saulo Alberto Teles Viana, que viajava no ônibus que foi parado, segundo ele, pela terceira na Policia Rodoviária Federal, de São Gonçalo. “O policial disse que se nós voltássemos a passar por lá com a mesma superlotação, o ônibus e a carteira do motorista seriam apreendidos”, contou.

Cerca de 20 minutos depois de iniciada a manifestação, que começou com cerca de 70 alunos, três universitários foram recebidos por representantes da Prefeitura Municipal. O Procurador Geral do Município disse que o chefe do Executivo está preocupado com a situação dos estudantes e destacou que o assunto tem sido tema de debate permanente no alto escalão do governo.
 

Segundo os universitários, muitos alunos estão perdendo aula por não terem condições financeiras de pagar passagem todos os dias. O assunto promete novos desdobramentos nas próximas semanas.