Flávio Azevedo

Em virtude do fiasco que foi o Coliseu Combate Arena, organizado por Jorge Valente, no Rio Bonito Atlético Clube, na noite do dia 15 de agosto, os praticantes de artes marciais Uanderson Brito, Bruno Sales e Marcos Santos (Javali), anunciados como atrações do evento, procuraram a nossa reportagem na última semana, para esclarecer o motivo deles não terem lutado. Uma das lutas mais esperadas, por exemplo, seria o combate entre o praticante de Jiu-Jítsu, Marcos Javali e o super campeão do Taekwon-do ITF Bruno Sales. O público também esperava ver em ação no octógono, Uanderson Brito, atualmente um dos praticantes de Jiu-Jítsu mais respeitados da região. Ele enfrentaria Adriano Montanha, de Niterói.

Para Uanderson Brito, a sucessão de erros de planejamento e organização deixou evidente que o organizador não é do ramo. Brito comenta que “para realizar esses eventos, o organizador tem que ser do meio e entender as regras do jogo”. Os atletas são unânimes ao afirmar, que a falta de incentivos para as artes marciais na cidade, que ainda encara com preconceito, a prática desses esportes dessa natureza (lutas e artes marciais), atrai pessoas inescrupulosas acabam denegrindo a imagem das artes marciais e dos seus praticantes. “Nessa brincadeira, nós é que ficamos manchados frente à população riobonitense”, disse Javali. Já Uanderson Brito questiona a postura de Jorge Valente. “Ele chegou aqui na academia e perguntou: “tem pitbul aí?”. Eu disse que não, porque na minha academia existem lutadores e atletas”.

Processo contra o organizador

Segundo Marcos Javali, ele entrou processou Jorge Valente, porque ele usou a sua imagem nos outdoors e cartazes de divulgação do evento, sem a sua autorização. “Ele (o organizador) entrou no meu Orkut, pegou a minha foto e colocou no outdoor, mas eu não havia assinado o contrato. Isso mostra o caráter dele. Ele queria que eu assinasse um contrato em branco e sem estipular o valor que eu iria receber pela luta”. De acordo com Bruno Sales, que assinou o contrato, ele não sabia da divulgação da sua imagem. “Eu estava em Araruama. Levei um susto quando vi minha foto num outdoor”, comentou.

Conversando com os atletas – Brito e Javali praticam artes marciais há mais de 10 anos – fica muito nítido que o preconceito para com os as artes marciais, sempre reclamado pelos atletas, é estimulado pela carência de investimentos para essa modalidade e a falta de projetos sociais duradouros que não sejam permeados por interesses políticos. Recentemente os núcleos esportivos da Prefeitura Municipal foram suspensos, o que certamente dificulta o trabalho. O atleta Bruno Sales, por exemplo, é fruto desses núcleos que tem a frente o professor Marcelo Mollica, que está contrariado com o cancelamento dos núcleos e em entrevista a nossa reportagem comentou que não concorda com a prática de Vale Tudo.