Reflexões sobre a manifestação dos universitários

Infelizmente, os debates político-administrativos sempre descambam para uma discussão onde predomina o pensamento político-partidário. Sendo assim, nós decidimos fazer algumas reflexões para mostrar que a manifestação dos universitários não só é um divisor de águas, mas ela é legítima e um instrumento de combate a passividade da sociedade.

Sobre o ônibus universitário, realmente ele não é uma atribuição do governo municipal... Mas, é justo, isso? Para clarear as idéias, o Espaço Municipal de Ensino Supletivo (EMES) e o ensino médio oferecido pelo município, no Colégio Márcio Duílio, também não são atribuição do município... Vamos acabar com eles também? Se a resposta é sim, e confesso que acho justo, mas que tal gerar emprego e renda para os munícipes – atribuição do poder público municipal – para que o cidadão riobonitense não dependa de esmola para chegar as suas universidades?

Aliás, se está insuportável carregar esse fardo – os gastos com o ônibus universitário – por que não existe um empenho para trazer o sonhado e prometido ensino superior para Rio Bonito? É caro? Mas e as quadras e pracinhas? Não foram caras? Agora nós temos a Faculdade Cenecista de Rio Bonito. Todavia, será que a diretoria da faculdade recebeu algum tipo de incentivo do governo municipal para que outros cursos pudessem ser trazidos, além da administração? Essa iniciativa não amenizaria a crescente demanda de nível superior?

Sobre o transporte universitário, alguém já encomendou uma pesquisa – feita com lisura e decência – que contabilize o número dos atuais e futuros universitários, para que se tenha uma estimativa real da demanda de hoje e dos próximos anos? O amigo leitor já observou que quando se fala de educação só se fala em merenda e uniforme? Por que será? O que esses serviços oferecem para despertar tanto interesse? E as Kombis? Esse é outro serviço muito disputado.

Outra coisa interessante é que somente agora descobriram que existem carteiras falsas. Mas existe fiscalização para inibir essa prática? Só por isso, nós vamos pedir que os estudantes assumam essa responsabilidade? Será que nem esse serviço a Prefeitura Municipal pode fazer? Argumentaram que isso é democracia participativa. Sendo assim, que tal o povo participar das demais decisões do Executivo?

Mas voltando aos ônibus... Se eles precisavam de manutenção, por isso o transporte foi suspenso, por que esses reparos não foram feitos durante as férias ou no recesso motivado pela gripe suína?

Também achamos que os pais deveriam ser mais participativos, porque quando a moto de um jovem é apreendida, eles imediatamente ligam para A, B e C, tentando contornar a situação. Será que nesse assunto, esses pais também estão ligando para A, B e C, buscando soluções? A propósito, onde eles estavam durante a manifestação? Assistindo Malhação e Paraíso? E o enredo da vida dos filhos? Será que os pais sabem qual é?

Diz o folclore político de Rio Bonito, que o saudoso prefeito Alcebíades Moraes Filho, o Bidinho, dizia que quando não se quer resolver uma questão, deve-se marcar uma reunião para discutir o assunto. Seria esse o motivo de termos tantas reuniões para resolver essa questão? Por que não decidir e anunciar a decisão que será tomada? Seja daqui a 2, 10, 20 ou 30 dias, mas que um prazo seja estabelecido para que os universitários saibam quantas aulas perderão e qual será o valor do empréstimo para pagar a passagem nesses dias.

Questionados sobre esse ou outros temas, Legislativo e Judiciário dizem que precisam ser provocados. Bem, será que alunos sentados no meio da rua, duas vezes na mesma semana, não é provocação suficiente? Na verdade, eles são jovens que estão correndo atrás de educação, dignidade e um futuro melhor. E a nossa representação estadual e federal? Estariam de férias? Eles também são importantes nessa hora!

Uma das grandes brigas relacionadas ao Legislativo, hoje, é a questão dos suplentes que estão esperando ansiosos pelo aumento do número de cadeiras nas Câmaras Municipais – os atuais 10 lugares podem ser ampliados para 15. Mas onde estão esses senhores? Não seria o momento de provarem que se estivessem com os seus mandatos, eles conduziriam o município de maneira diferente daqueles que aí estão? Ou não fariam diferença?

Para concluir, fica uma última reflexão: será que fazer política é comprar voto, carregar mudanças, levar doentes para hospitais de outros municípios e segurar alça de caixão nos funerais? Não aparece alguém com outras práticas? Por outro lado, a população quer um político que tenha esse perfil? Um projeto político voltado para o desenvolvimento do município, onde não aparece o assistencialismo ou qualquer tipo de vantagem individual seria vitorioso nas urnas? Viu? É mais difícil do que parece e a culpa não está apenas em quem recebe o voto. Quem vota tem grande participação nesse caos!