Lívia Louzada
O tratamento que vem reabilitando pessoas de todas as idades no Brasil e no mundo, está se destacando em Rio Bonito. A equoterapia, método terapêutico e educacional que utiliza cavalos, funciona há dois anos no Complexo Agrícola, em Boa Esperança. O Centro de Equoterapia de Rio Bonito conta com a participação de um neuropediatra, que atende uma vez por mês, e uma equipe multidisciplinar de nove profissionais, entre três fisioterapeutas, uma psicóloga, uma fonoaudióloga, dois equitadores, um educador físico e uma veterinária, atendendo no momento, 30 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, em três cavalos treinados para este tipo de atendimento. Para fazer parte da equipe, os profissionais tiveram que fazer um curso promovido pela Associação Nacional de Equoterapia, a Ande-Brasil, instituição a qual o Centro de Rio Bonito é filiado. No ano que vem os instrutores da cidade, farão um curso avançado em Brasília, para ampliar os conhecimentos.
A equoterapia utiliza o cavalo para simular o movimento do quadril, e também como agente promotor de ganhos físicos, psicológicos e educacionais. Por causa dessas atividades, são mais indicados, cavalos mestiços ou puros de raças de trote, como quarto de milha e brasileiro de hipismo, mas em ambos, é preciso que se escolha animais não muito altos. Segundo a coordenadora do Centro e também veterinária da equipe, Daniele Rodrigues de Souza, outra característica importante do animal, é que seja mais velho. “Geralmente usamos cavalos a partir de oito anos de idade, depois fazemos uma preparação, que é a descensibilização do animal. Essa preparação é preciso ser feita, pois se uma criança puxar o rabo do cavalo, com esse tratamento ele não faz nada”.
Para fazer o tratamento, a pessoa entra em uma fila de espera e assim que abre uma vaga, é feita uma avaliação pelo neuropediatra; em seguida uma outra, é feita pela equipe multidisciplinar. Após traçar os objetivos para o praticante, como é chamada a pessoa que faz a equoterapia, começa o tratamento. A partir do momento que esses objetivos são alcançados, o praticante ainda fica em tratamento durante três meses, e se a melhora permanecer, recebe alta.
Cada praticante passa pela adaptação com o cavalo, escovando e montando junto com o equitador, depois, dependendo da patologia, são feitos exercícios diferenciados, inclusive com a pessoa montando sozinha no animal. O objetivo é o praticante guiar o cavalo sozinho.
Relacionamento e equilíbrio melhor
A dona de casa, Maria Aparecida Rodrigues, que é mãe do praticante de equoterapia, José Matheus Rodrigues de Azevedo, de 12 anos, portador de encefalopatia crônica, falou das mudanças que viu no filho após o começo da terapia. “Ele está fazendo há oito meses e já consegue controlar o corpo, consegue ficar firme, sentar sozinho sem apoio. E além disso, Matheus adora fazer a equoterapia, se tivesse todo dia, ele vinha fazer”.
De acordo com uma das fisioterapeutas do Centro de Equoterapia, Lívia Duarte Bastos, o tratamento ajuda também na autoestima do praticante. “Tem pessoas que têm a mesma patologia, mas desenvolvem de formas diferentes”. Ela também falou sobre o desempenho de Matheus. “Ele melhorou no relacionamento, ficou mais calmo e consegue se equilibrar em cima do cavalo. Até na cadeira de rodas, a postura dele mudou”, comentou.
Outro exemplo é o de Ronald Monte Maciel, de 13 anos, que tem paralisia cerebral e começou a fazer a equoterapia em Rio Bonito há algumas semanas, mas já faz o tratamento há 11 anos, em outros centros. Segundo a mãe de Ronald, a dona de casa Claudinete Monte, “apesar dele fazer a equo aqui a pouco tempo, pois estamos nos mudando para Rio Bonito agora, percebo que os exercícios daqui são diferentes dos outros lugares onde o Ronald fez, e por causa disso já vejo algumas diferenças, como a postura ao levantar o pescoço, em apoiar o braço e também o aumento da força”.
O Centro de Equoterapia de Rio Bonito, é mantido pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Agricultura, em parceria com as Secretarias de Saúde e de Educação. O Centro, que já atendeu a 50 pessoas, funciona às quartas-feiras, de 8h às 11h, e de 14h às 16h, e as sextas somente pela manhã. Os interessados podem procurar a Secretaria de Agricultura, no Complexo Agrícola e se inscrever, o telefone para contato é o 2747-8184.