Um dos clássicos do teatro infantil brasileiro, Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, estreou no último dia 22 de outubro, em Rio Bonito. No palco, na produção, no elenco e na direção, alunos e uma ex-aluna do Colégio Estadual Professor Dyrceu Rodrigues da Costa, e supervisionando tudo, um grande amigo da escola de Rio Bonito, o ator Flávio Migliaccio. Mais do que morador ilustre da cidade, Flávio é um dos responsáveis por uma grande transformação no colégio e nos alunos que, agora como atores e discípulos, ganham também os palcos.
Foi após a chegada do ator que o teatro passou a fazer parte da rotina do C.E. Professor Dyrceu Rodrigues da Costa. Proprietário, há mais de 20 anos, de uma casa no bairro Serra do Sambê, onde está localizada a escola, ele aceitou, em 1988, o convite para ser mais do que um vizinho do colégio.
“Anna Cristina e sua irmã Maria Nazareth assumiram a direção de uma escola que estava no buraco. Eram comuns casos de roubo, as paredes estavam todas pichadas e havia até tráfico de drogas. Para ajudar na recuperação, Maria Nazareth, que sempre via o Flávio passar na rua, tomou coragem e o convidou”, relembra a coordenadora pedagógica Maristela Faria de Melo Rodrigues.
Convite aceito, Flávio entrou e colocou em cena os alunos do Dyrceu. Inicialmente ministrando palestras, ele logo se tornou figurinha fácil por lá nos fins de semana. Isso mesmo! Mesmo com as atividades sendo realizadas fora do horário de aula, os alunos não desanimaram. Ao contrário, o interesse só foi aumentando e alguns descobriram na atividade extracurricular uma vocação profissional. Foi o que aconteceu com Morgana Michele, ex-aluna que após se formar na escola foi estudar teatro e hoje assina a direção de Pluft, o Fantasminha.
Pluft não é a primeira montagem dos atores do Dyrceu, mas é, provavelmente, a mais importante delas. “Foram feitas outras peças antes, mas todas foram apresentadas apenas na escola”, conta Maristela. A estreia, no dia 22, na Sociedade Musical, foi apenas o início. Além das pré-estreias feitas na própria escola, o grupo está com a agenda lotada para apresentar a adaptação do clássico de Maria Clara Machado a alunos de outros colégios. Em outras escolas ou, com muito orgulho, no palco que foi construído no pátio do Professor Dyrceu Rodrigues da Costa e que ganhou, claro, o nome de Flávio Migliaccio.
Atualmente, mais de 30 alunos participam do grupo. Destes, 18 estão envolvidos na adaptação e montagem de Pluft. “Eles participam de tudo, adaptação, montagem, escolha de figurino... O Flávio faz questão que eles participem de tudo”, diz Maristela. Com o envolvimento de Flávio e com o trabalho desenvolvido no grupo de teatro mudou o colégio e mudaram os alunos. “Melhorou a maneira de ler e interpretar e também a aproximação deles com a escola”, comenta Maristela. Aplausos para Flávio, aplausos para o grupo do Dyrceu e aplausos, de pé, para a parceira entre arte e educação.
Pluft, o Fantasminha
O texto de Maria Clara Machado é um clássico da literatura dramática brasileira. A peça conta a história do rapto da Menina Maribel pelo pirata Perna-de-Pau, que esconde a menina no sótão de uma velha casa abandonada, onde vive uma família de fantasmas. A mãe faz deliciosos pastéis de vento e conversa ao telefone com a prima Bolha; o fantasminha Pluft nunca viu gente; Tio Gerúndio passa o dia inteiro dormindo dentro de um baú; e Chisto, o primo aviador que surge apenas no final para fazer um salvamento espetacular da menina. A trama se concentra na procura do tesouro do avô da menina, o Capitão Bonança, que morreu no mar, mas a poesia está na amizade entre Maribel e Pluft. Pluft, o fantasminha foi levado pela primeira vez aos palcos pelo Teatro Tablado, no Rio de Janeiro, em 1955.
Fonte: Conexão Aluno / Governo do Estado do RJ