Flávio Azevedo

Depois de cinco anos a frente da paróquia de São João Batista, na Praça Cruzeiro, o Pe. Eduardo Braga é novo pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, de Rio Bonito. Como o direito canônico não permite que um padre administre duas igrejas, o sacerdote assume a Igreja Matriz em caráter pro-tempore até dezembro de 2009. O Pe. Dudu, como é carinhosamente chamado, foi empossado na noite do último dia 18 (domingo), na igreja Matriz Auxiliar, na Av. Sete de Maio. Centenas de pessoas acompanharam a posse e a primeira missa celebrada pelo sacerdote com administrador da paróquia.

Depois da celebração da missa, o Pe. Eduardo pediu que os fiéis tivessem um pouco mais de paciência para que ele falasse algumas palavras. Parafraseando Jesus Cristo, o sacerdote disse que “eu vim para servir e dar a vida pela igreja”. Ele também fez alguns agradecimentos. “Monsenhor Guedes deixou a paróquia muito organizada, recebi relatórios com minuciosas informações pastorais e patrimoniais. A ele o meu muito obrigado”.

O Pe. Marcelo Fróes, que também está se despedindo da Igreja Matriz – ele vai assumir a paróquia São José Operário, em Jardim Catarina – também ouviu agradecimentos. Eles foram seminaristas no mesmo tempo. “Entramos juntos para o seminário. Naquele tempo, eu era uma criança de 15 anos e Pe. Marcelo ainda tinha cabelos e bigode. Ele podia estar em São Gonçalo há muito tempo, mas não se ausentou. Isso demonstra a sua maturidade sacerdotal”. Além dos agradecimentos as autoridades presentes, aos diáconos, os acólitos, ministros e paroquianos, o Pe. Dudu citou a importância do Pe. Irineu. Ele comentou que a saúde do padre precisa ser lembrada nas rezas e orações dos fiéis.

Três sentimentos

Depois dos agradecimentos, o Pe. Eduardo falou de três sentimentos que surgiram quando ele foi convidado para assumir a paróquia de Nossa Senhora da Conceição. “Eu retornava de uma missão fora do país e o primeiro sentimento foi surpresa. Em seguida surgiram outros dois sentimentos: amor, porque eu prometi a Deus, que tudo que eu fizesse depois que me tornasse padre seria feito com esse sentimento, e temor, porque aqui passaram Monsenhor Antonio de Souza Gens, Monsenhor Guedes e Pe. José Geraldo.

Revelados os três sentimentos, Pe. Dudu disse que tinha três pedidos a fazer aos fiéis. Primeiro ele pediu que as pessoas não criem expectativa sobre ele. “Esperem em Deus, porque eu estou aqui até o fim de dezembro e não mais que isso”. O segundo pedido foi “evitem fazer comparações”. Ele destacou que a língua é uma das coisas que tem prejudicado a igreja. “Já era assim no tempo de S. Tiago, mas não usemos a nossa língua para o mal. Não façam comentários, nem comparações de padres, porque os filhos de uma casa não são iguais. Para quem tem fé, não importa o padre”.

O último e terceiro pedido foi que as pessoas deixem de lado os preconceitos. “Vocês já ouviram falar muito do Pe. Eduardo, mas talvez eu não seja aquilo que vocês ouviram. Eu, muito já ouvi falar de vocês, mas vocês não são aquilo que eu penso que sejam”. O pároco disse que gostaria de começar do zero, como se estivesse chegando naquele dia. “Mas como isso não será possível, eu vou pedir uma coisa melhor. Confiança. Eu confio em vocês, vocês confiam em mim e nós confiamos em Deus”.

Padre Marcelo Fróes

Depois de participar da despedida do Monsenhor Guedes, no dia 25 de setembro, no Motorista Futebol Clube, o Pe. Marcelo Fróes, que está indo para a paróquia de São José Operário, em Jardim Catarina, em São Gonçalo, também foi homenageado. De acordo com o diácono Luiz Orlando, “padre Marcelo imprimiu dinamismo em vários setores da igreja. Ficamos tristes com a sua partida, mas felizes em saber que ele está cumprindo a sua vocação”.

Em entrevista exclusiva a nossa reportagem, Pe. Marcelo Fróes comentou que em 1996 chegou a Rio Bonito como diácono. “A comunidade me preparou para o sacerdócio e aqui eu fui ordenado. Eu sou cidadão gonçalense, mas o meu sacerdócio é riobonitense. A paróquia de Rio Bonito muito me ensinou, porque ela é viva, acolhedora e muito generosa”. Sobre o substituto do Monsenhor Guedes, Pe. Fróes disse que confia muito no Pe. Eduardo. “Ele é comunicativo, centrado, um homem de fé e de profunda oração. Fico preocupado com ele, porque ele tem uma saúde frágil, principalmente quando trabalha muito, mas é um excelente administrador.

“A vida nas mãos de Deus”

Sempre atencioso, Pe. Eduardo recebeu a nossa reportagem na sala pastoral. Questionado sobre a forma como vai administrar as duas paróquias, ele respondeu que “a nossa vida está nas mãos de Deus. Ele tudo sabe e guia os nossos passos quando confiamos nele. O tempo que eu vou ficar não importa, eu só quero servir com amor e vamos trabalhar para realizar a festa da padroeira”. Ele comentou que em Rio Bonito o carinho dos fiéis é muito grande. “Em Rio Bonito, o povo sabe valorizar os seus pastores, porque todos os padres que por aqui passaram não deram contra testemunho. Qualquer sacerdote vai encontrar por aqui, um povo aberto e acolhedor”.