Não foi surpresa!

Eu não fiquei nem um pouco surpreso com as notícias de corrupção do governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Aliás, nós não poderíamos esperar outra coisa, de quem protagonizou uma das cenas mais constrangedoras da história do senado brasileiro. Quando era líder do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, ele esteve envolvido na fraude do painel eletrônico – durante a votação que cassou o então senador Luiz Estevão. A comprovação dessa história fez com que Arruda renunciasse o cargo. A ideia era escapar da cassação.

Desde aquela época, Arruda tenta reconstruir sua carreira. Em 2002, retornou ao Congresso Nacional. Em 2006, chegou ao governo do Distrito Federal. Parte da mídia comercial, já vendia o governador como um político moderno. Dentro do partido, ele era apontado pelos colegas como a nova cara do DEM – se essa é a nova cara, imagine como seriam as velhas! Numa recente entrevista, antes de estourar o escândalo atual, José Roberto Arruda falou sobre o episódio do painel eletrônico e disse que ele é “igual a todos os políticos brasileiros”.

Volto a dizer: “eu não fiquei surpreso!”. Mas a falta de memória dos eleitores do Distrito Federal me surpreendeu. Além de devolver José Roberto Arruda a vida pública, os brasilienses decidiram entronizá-lo na chefia do poder Executivo Distrital. Arruda, é claro, não aprendeu a lição! E, o povo, infelizmente, também não aprende! Apesar disso, aquele monte de dinheiro armazenado nas cuecas, meias (seria isso fazer o pé-de-meia?), bolsos, paletós e pastas confirmam como ele retornou ao poder. Simples...! Compra de votos! Com que dinheiro? Aquele que aparece nas imagens!

Antes de continuarmos falando sobre isso, devo lembrar aos nossos leitores, que aquelas cenas grotescas, que contou inclusive, com uma poderosa oração (que coisa ridícula!) – para abençoar os bandidos – no Brasil, são episódios corriqueiros, e às vezes, costumeiros. Aliás, a Justiça entende que “doação de campanha” não é crime e que “caixa dois” é um delito mínimo. A compra de votos, que é o nascedouro da corrupção política brasileira, também é crime, mas você já viu alguém ser preso por causa dessa prática? Aliás, por que ninguém é preso? Simples, com raríssimas exceções, todos compram voto!

Para quem sonha em acabar com a compra de votos, paciência, porque certamente será mais fácil acabar com o “jogo de bicho” ou com tráfico de drogas. Dizemos isso, porque para existir o comprador, tem que ter o vendedor. As padarias estão abertas, porque as pessoas consomem e compram pão. Os hospitais existem, porque sempre alguém está doente. O supermercado abre todos os dias, agora, até aos domingos e feriados, porque os clientes diariamente estão fazendo as suas compras. Até as bocas de fumo estão abertas, porque existe consumidor que compra o que ela oferece. E, no caso da compra de votos não é diferente. O político compra o que alguém vende!

Na comunidade do programa “O Tempo em Rio Bonito”, no site de relacionamentos Orkut, existe uma enquete com a seguinte pergunta: “sobre compra de votos, quem é o vilão dessa história?”. Bem, é curioso, mas o político e o colaborador de campanha não receberam sequer um voto. 16% culpam a Justiça Eleitoral e outros 16% acreditam que a culpa é da impunidade. Mas a maioria esmagadora, 66%, reconhece que o culpado pela compra de votos é o eleitor, que vende o voto.

Sendo assim, também não deve nos causar surpresa, se em outubro do próximo ano, José Roberto Arruda conseguir ser reeleito. Você duvida disso?