Empregos e dinheiro jogados fora. Incompetência ou maldade?

O jornalista e professor Perseu Abramo, graças a Deus, teoriza a respeito dessa ilusão chamada imparcialidade no jornalismo. Para quem não sabe, a imparcialidade é uma conversa fiada inventada pela Escola Funcionalista americana, para que a imprensa mundial não criticasse as atrocidades dos Estados Unidos mundo a fora, em sua eterna busca por petróleo. Aquelas invasões disfarçadas de “Missão de Paz” e outras malandragens que são marcas do Tio Sam.

Veja o que diz Abramo: é desejável, para um jornalista, para um órgão de comunicação, uma postura de neutralidade, imparcialidade ou isenção no lugar de seu contrário, isto é, a tomada de posição? Na medida em que o jornalismo tem de tratar do mundo real, ‘natural’ ou ‘histórico’, e que esse mundo real é repleto de contradições reais, de conflitos, de antagonismos e de lutas, o que significa realmente ser neutro, imparcial ou isento? Neutro a favor de quem, num conflito de classes? Imparcial contra quem, diante de uma greve, da votação de uma Constituição? Isento para que lado, num desastre atômico ou num escândalo administrativo?

Assim, é defensável que o jornalismo, ao contrário do que muitos preconizam, deve ser não-neutro, não-imparcial e não-isento diante dos fatos da realidade. O órgão de comunicação não apenas pode, mas deve orientar seus leitores/espectadores, a sociedade, na formação da opinião, na tomada de posição e na ação concreta enquanto seres humanos e cidadãos.

Utilizamos esse preâmbulo, porque essa semana escrevemos sobre a localidade de Braçanã, um dos pontos turísticos mais pitorescos e procurados de Rio Bonito. Localizada no Terceiro Distrito do município, o local está abandonado. A RJ – 123, que liga Rio Bonito a Cachoeiras de Macacu, como as demais estradas, parece que há muito tempo não recebem manutenção. Em alguns trechos, o mato está invadindo. Já em outros pontos, a quantidade de pedras é tão grande que se alguém passar caminhando corre o risco de levar um tombo.

Nesse local está um dos pontos mais visitados da localidade, o Salto de Braçanã, que só está cuidado e ainda oferece condições de banho aos visitantes, por iniciativa particular dos moradores do lugar. Mas antes de chegarmos a Braçanã, nós passamos por Basílio, onde está o nosso único bem cultural tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a centenária Capela de Santana (1876), que está quase sempre fechada e já apresenta paredes emboloradas e sinais de deterioração.

O comerciante Israel Barbosa, 56 anos, que a 23 trabalha no salto, e o lavrador, Davi Ferreira dos Santos, 41 anos, que é nascido e criado em Braçanã, são unanimes ao dizer que “já perdemos a conta de quantas promessas foram feitas sobre melhorias para o nosso lugar. Na época das eleições todos passam por aqui, fazem um monte de promessas, mas quando acaba a disputa eleitoral some todo mundo”.

Eu não tenho dúvidas que nessa história, por exemplo, a imparcialidade não deve participar, porque a cinismo daqueles que deveriam prover uma vida melhor para essas pessoas é flagrante. Aliás, como a RJ – 123 é uma rodovia estadual, o “governador apagão”, quer dizer Sérgio Cabral (PMDB) tem gerência sobre ela, e por isso, é claro, ele também deve ser cobrado, assim como o nosso deputado estadual Marcos Abrahão, que embora diga ser apaixonado por Rio Bonito, esqueceu que Braçanã faz parte do município.

E os nossos governantes municipais? Alguém já avisou ao prefeito, que se diz tão católico e devoto a Nossa Senhora, que a Capela de Santana está virando ruína? Bom, para a conversa ficar agradável para essas pessoas é preciso falar de números. Então vamos lá. Já pensaram no Turismo Religioso que poderíamos ter em nossa cidade por conta da Capela de Santana e da Matriz Nossa Senhora da Conceição, que recentemente recebeu o título de Santuário de Adoração Perpétua? Lugares como Braçanã, Tomascar, Lavras e Cachoeira dos Bagres, são localidades que poderiam trazer semanalmente milhares de pessoas para Rio Bonito, devido as suas belezas naturais.

Se houvesse por aqui um turismo forte, não teríamos esse monte de gente querendo emprego na Prefeitura. A pessoa seria contratada por um hotel, uma pousada, um restaurante, pela estrutura que se montaria próximo da Capela de Santana para abrigar os visitantes, romeiros e turistas. Como nós temos certeza que as nossas autoridades têm cérebro, às vezes chegamos a pensar que essa inoperância não é provocada pela incompetência, mas é fruto de um coração mal, perverso e mesquinho. E não é de hoje!

Concluindo, vamos parafrasear o que ouvimos de um morador de Braçanã. Que os nossos políticos, que na sua maioria, só sabem fazer política com gente doente, se lembrem que as pessoas saudáveis também são cidadãs e tem direito ao lazer, ao esporte, entre outras benfeitorias ou vão acabar ficando doentes.