Mais uma “lipo”... Mais uma “morte”!

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou no último dia 29 de janeiro, a elaboração de um novo protocolo de segurança para cirurgia plástica. A medida ocorreu quatro dias depois da morte da jornalista Lanusse Martins, que se submeteu a uma cirurgia de lipoaspiração, numa clínica de Brasília. Segundo o CFM, o protocolo será uma espécie de “check list”, com todos os procedimentos que devem ser adotados nas diferentes etapas de uma cirurgia plástica. O documento deve abranger orientações de indicações cirúrgicas, os exames pré-operatórios necessários em cada caso, informações sobre anestesia e atendimento pós-cirúrgico e as condições ideais do local para a realização da cirurgia.

O Conselho Federal de Medicina informou que os cursos de formação de profissionais que trabalham com lipoaspiração serão monitorados. “Vemos disponibilizados cursos de lipoaspiração de fim de semana, com um dia de atividade teórica e dois dias de atividade prática. Esse tipo de curso não qualifica o médico. A maioria dos casos em que há complicações envolve profissionais com esse tipo de treinamento, que considero nulo”, disse o médico Antonio Gonçalves Pinheiro, coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM.

A lei brasileira não exige que os médicos possuam especialização em cirurgia plástica, em lipoaspiração, por exemplo, para realizar o procedimento. No entanto, o CFM recomenda que os pacientes procurem profissionais com qualificação específica. De 2004 a 2008, o CFM julgou 238 denúncias de erros médicos ocorridos durante cirurgias plásticas. Neste período, seis profissionais tiveram o registro cassado e 89 processos foram arquivados. Foram aplicadas censuras públicas a 35 médicos.

Pouca gente tem peito para falar o que vamos dizer agora, mas acidente de trabalho acontece em qualquer profissão. E infelizmente, amigo, com a área médica não é diferente. No meu caso, por exemplo, que sou jornalista e trabalho com informação escrita e falada, quantas vezes já esqueci uma palavra? Quantas vezes eu errei a concordância? Quantas vezes eu me equivoquei na acentuação? Quando isso acontece, se o erro for percebido antes do texto ser publicado, a correção é feita. Porém, se não forem vistos, eles serão publicados com o erro. O problema é que o cirurgião Hackel Cabral, que fazia o procedimento cirúrgico na jornalista, não lidava com escrita, mas como a vida humana, onde um erro é fatal.

Mas o objetivo de escrever sobre esse tema é o seguinte. Depois de mais uma lipoaspiração seguida de morte, eu continuo sem ver debates sobre a realização de cirurgias plásticas, lipoaspiração, lipoescultura e outros procedimentos, que são encomendados, apenas pelo apelo estético e não pela saúde. A necessidade de se mostrar um corpo emagrecido e languido é mais uma das loucuras fomentadas pela modernidade, que através dessa mania de magreza, provocou um fenômeno chamado Bulimia, que foi, inclusive, tema de novela. O pior é que não vemos ninguém combatendo essa sandice, que tem como único objetivo “engordar” o bolso das indústrias da “magreza”.

Esse é um assunto que os pais devem participar ativamente, mas com uma postura diferente do que nós temos visto por aí. Assim como acontece com os papais, que sonham com um filho Pelé, as mamães, com raríssimas exceções, sonham com a filha Gisele Bündchen. Nós até compreendemos que os pais querem o melhor para os filhos, por isso, eles querem que a prole ocupe lugares onde conseguirão ganhar dinheiro e glamour com mais facilidade.

Contudo, nos últimos anos nós não vemos os filhos serem incentivados a seguir carreiras técnicas. Não vemos os pais almejarem para os filhos uma vida profissional onde ele trabalhe. Alguns têm a cara de pau de dizer aos seus rebentos, que fulano e sicrano estão no auge, mas além de pouco terem estudado, pouco trabalham. “Esse é o exemplo para você meu filho”! Que absurdo! Isso acontece por um motivo simples... Em sua maioria, as pessoas estão preocupadas com o “ter” e não com o “ser”. Quando um rapaz vai namorar uma moça, a ansiedade do futuro sogro é saber o que ele “tem” e não o que ele “é”.

Mas voltando a magreza, pensamos que as escolas, que também educam, deveriam abordar esse assunto com mais empenho. Aliás, professoras e professores deveriam trazer para a sala de aula, debates e esclarecimentos sobre o tema. As famílias – aquelas que cultivam o hábito de conversar e ainda se conhecem – devem alertar os filhos sobre essa questão. Nas igrejas, padres, pastores, diáconos, obreiros, presbíteros, entre outros, devem comentar a luz da Bíblia, os perigos envolvidos nesta busca desenfreada por magreza.

Também acreditamos que os Programas de Saúde da Família (PSFs), não podem ficar de fora e devem produzir orientações sobre isso – já que a bulimia, por exemplo, é considerada uma doença. Enfim, todos nós devemos estar empenhados em impedir que outras pessoas tenham um fim igual ao da jornalista Lanusse Martins.

O que é bulimia? É um transtorno alimentar que se caracteriza pela ingestão de grandes quantidades de alimentos, seguidos por métodos compensatórios, tais como vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar. Diferentemente da “anorexia nervosa”, na bulimia pode não haver perda de peso, e assim médicos e familiares têm dificuldade de detectar o problema. A doença ocorre mais frequentemente em mulheres jovens, embora possa ocorrer, raramente, em homens e mulheres com mais idade.