
Meu ouvido não é pinico... E o seu?
Eu estava sentado em frente ao meu computador. Na verdade, meio sem saber o que escrever, até que passou, embaixo da minha janela, anunciando um evento que vai acontecer nos dias de Carnaval, um veiculo de som. Como profissional de comunicação, eu sou defensor da liberdade de expressão e acredito ser ela um direito inalienável. Contudo, vejo alguns abusos em determinadas pessoas que utilizam essa ferramenta para promover os seus eventos.
Como todos sabem, eu tenho uma filha pequena, mas o que pouca gente sabe, é que depois de muita luta para fazê-la dormir, ela é sempre acordada por alguns insanos que passam em frente a nossa casa, com o volume do som estourando os nossos ouvidos. Eu não sei se isso acontece, ou já aconteceu com o amigo que está lendo esse texto, mas isso é extremamente irritante e em algumas oportunidades, a vontade que nos dá é de ir até o barulhento perguntar se ele é louco, surdo ou está de propósito, querendo irritar.
E as residências que tem pessoas de idade? Conheço algumas histórias de idosos que ficaram tão assustados com o som que passou na rua em frente as suas casas, que o vovô e a vovó precisaram ser encaminhados para o Hospital Regional Darcy Vargas, onde foram medicados com calmantes e relaxantes, para conseguirem retornar à rotina. Eu gostaria de publicamente parabenizar a empresa Minas Gás, que para avisar aos moradores do bairro que o produto que eles comercializam está passando pela rua, utiliza um som melodioso e agradável.
Além dos carros e motos de som – estas são mais escandalosas – tem também os veículos, de grande e pequeno porte, caminhões e automóveis, respectivamente, que parecem ser pilotados por pessoas com sérios problemas auditivos. Se a doença não for auditiva é mental, porque é impossível, que uma pessoa no seu juízo perfeito, ache normal o som de alguns escapamentos que transitam pelas ruas da cidade.
Quando é um adolescente que faz esse tipo de estripulia, alguém diz que ele está querendo aparecer ou precisando se auto-afirmar. Mas alguns carros e caminhões que passam pelas ruas fazendo um barulho infernal, são dirigidos por senhores de barba e bigode, que há muito tempo já deixaram para trás a “aborrecência”, para estar se amostrando para uma ou outra gatinha.
Falando em adolescentes, eu gostaria de saber quem foi o infeliz que inventou esses estouros que se faz com as motocicletas. Esse sujeito deveria ser amarrado pelado sobre um formigueiro por 10min. Bom, depois de fazer uma sopa com todos esses barulhentos, algumas perguntas reflexivas precisam ser feitas. Quem é o responsável por fiscalizar o escapamento dos veículos automotores? E, por que essa fiscalização não funciona ou acontece? Por que esse pessoal não trabalha?
A sociedade, sobretudo, papai e mamãe, também não podem ficar de fora. Onde eles estão, durante o período em que os seus filhos estão estourando o cano de descarga das suas motinhas ou com o som alto ligado em frente a casa dos outros? Já observaram que esses jovens, adolescentes ou crianças, não fazem essas gracinhas em frente a suas residências?
Não adianta ficar cobrando ações da Prefeitura e da Câmara Municipal, se a Justiça não participar desse processo que deveria ser educativo e cansativo. Na verdade, esses desmandos acontecem, porque o promotor não mora mais na cidade. Dizem que isso deixou de ser uma obrigatoriedade... Sei lá! Com isso, estamos morando numa terra de “Malboro”.
Mas a solução é simples! O jovem que for pego sem habilitação, capacete e incomodando a vizinhança, deveria ser detido, e os pais, não importa a hora, seriam chamados ao fórum, onde participariam de uma palestra educativa. Terminada a palestra, o menino seria liberado junto com os pais. Essa cena deveria se repetir 20, 30, 50 vezes, até haver uma conscientização, porque alguns pais de poder aquisitivo alto, nem sentem o peso da multa dada ao brinquedinho dos filhos. Porém, tenho certeza que esses senhores e senhoras ficariam muito constrangidos aos serem acordados de madrugada para ouvir uma palestra “chata”.
Quando isso começar acontecer, os pais e responsáveis começarão a pensar duas vezes antes de deixarem os seus filhos saírem mundo a fora. Eles saem, e os pais só sabem que levaram dinheiro, a moto ou o carro. Não sabem para eles onde foram, com quem foram, a hora que voltam, estão fazendo o que. Essa é uma maneira educativa e simples de resolvermos vários problemas sociais, mas para isso, as autoridades precisam querer trabalhar, o que é uma raridade nos dias atuais. Com eles, a palavra.