Entre uma marcha e outra, os cavalos têm sido uma eficiente ferramenta na recuperação de pacientes com algum tipo de deficiênca física e/ou cognitiva, através da equoterapia, desenvolvida desde agosto de 2007, em Rio Bonito, no Centro de Equoterapia. Cerca de 30 alunos são atendidos individualmente pela equipe composta por psicóloga, fonoaudióloga, fisioterapeutas, educador físico, veterinário e equitadores. Registrado pela Associação Nacional de Equoterapia Ande-Brasil, o projeto, único do Estado totalmente gratuito, devolve, na grande maioria das vezes, a autoconfiança dos pacientes, além de felicidade e vontade de vencer os desafios impostos pela vida. O Centro de Equoterapia é responsabilidade da Secretaria de Agricultura, em parceria com a Educação e com a Saúde.

Aos 14 anos e acometido pela mielo melingocele, uma malformação congênita da coluna vertebral da criança, dificultando a ligação entre o cérebro e os nervos periféricos do corpo humano, Vitor Carvalho Penalva está em sua sexta sessão da terapia e desde que iniciou o tratamento sente, a cada dia, os benefícios do tratamento.
“No início, eu achei estranho ter que fazer equoterapia. Mas logo que comecei, eu vi que era bem legal, tranquilo”, confessa o menino, que muito tímido teve sua fala reforçada pelo seu pai, Roberto Cesar Penalva Costa. “Os benefícios que o tratamento trouxe para meu filho são enormes. Além de estimular o desenvolvimento do equilíbrio dele, que tem os movimentos dos joelhos comprometidos, proporcionou a descoberta da autoestima”, comenta o pai, que assistia o tratamento do filho com os olhos brilhando.

A fisioterapeuta Letícia Sales ressalta que a equoterapia é um tratamento complementar e que cada sessão é diferente da outra, aliando o desenvolvimento de cada paciente.
“A terapia desenvolve muito o equilíbrio dos pacientes, que têm uma interação muito grande com os cavalos. No início, alguns estranham um pouco, mas logo interagem. Cada paciente é um caso. O Vitor, por exemplo, temos que desenvolver bastante a mobilidade do tronco dele, através da utilização de bambolês, sempre montado no cavalo. Mas é de extrema importância ressaltar que este é um tratamento que não substitui o atendimento clínico, ele é uma atividade complementar”, alerta a profissional.

Um dos xodós da psicóloga Maria Carolina do Espírito Santo Moraes, o pequeno Júnior Mota Drumond, de 4 anos, em sua segunda sessão já dá sinais claros e positivos de entrega e pleno desenvolvimento.
“Essa é a segunda sessão e ele já está soltando mais a voz, tem tido um bom início. Mas cada caso é um caso. Há pacientes que demoram um pouco mais a reagir ao tratamento. Nos casos de pacientes cadeirantes, como a Dandara Jhennifer, de 5 anos, que tem paralisia cerebral. Só o fato de mudar a perspectiva de visão, já muda muito a autoestima dela. No cavalo, os pacientes têm uma visão superior à nossa, e esse tipo de detalhe é fundamental para o bom desenvolvimento do tratamento”, destaca a psicóloga.

Logo nos primeiros anos de vida, Júnior Mota começou a preocupar os pais por conta do atraso no desenvolvimento na fala. Eles buscaram ajuda médica e o quadro clínico do menino ainda está em análise, mas Júnior Mota já iniciou os tratamentos.

“Os médicos suspeitam de que ele tenha autismo, mas ainda não está fechado o quadro clínico. Os rápidos benefícios que a equoterapia trouxeram não têm preço. O conforto que eu tive em ver meu filho se entregando ao tratamento é bom demais. Até na escola a professora já elogiou a mudança de comportamento dele. Hoje, ele ri e se comunica com mais facilidade. Fora a inteligência dele que é além do comum. Às vezes ele usa funções do computador que nenhuma criança da idade dele faz”, comemora o pai do menino, Aroldo Drumond, que deixou o emprego para se dedicar ao tratamento do filho. “Eu deixei o emprego para que meu filho tivesse mais atenção e minha mulher continuou trabalhando”.

Para que o cavalo esteja completamente preparado para fazer parte do projeto, é necessário um treinamento de seis meses, perdendo todo instinto arisco comum do animal. O equitador do Centro de Equoterapia, Carlos Eduardo de Moraes, informa que o cavalo utilizado para esta finalidade é o mesmo dos trabalhos rurais.

Idealizadora e coordenadora do projeto, a veterinária Daneiele Rodrigues de Souza explica que o cavalo é utilizado neste tipo de terapia porque simula a marcha humana.
“Ele (cavalo) simula a marcha humana e quando a criança está em cima do animal, ela sente o movimento de quadril feito pelo cavalo, semelhante ao do humano. Os estímulos receptores da coluna do animal vão dar sensibilidade à criança, através da marcha e a manta, que é usada no lugar da cela, ajuda a estabelecer esta transmissão”, descreve a veterinária.

Os interessados em se cadastrar no projeto devem procurar a Secretaria Municipal de Agricultura, através do telefone 2747-8184.

Fonte: O São Gonçalo