Oque era para transformar o comércio popular informal em um segmento aquecido, o Mercado Municipal da cidade, mesmo depois da reforma em 2007, com investimento de cerca de R$ 460 mil, transformou-se em um mausoléu comercial, já que, segundo alguns donos de boxes, não há incentivo, como shows e eventos, prometidos à época da reinauguração, para que o número de clientes aumentasse, além de ‘esconder’ a diversidade de produtos à venda no espaço. Para explorar um dos boxes, é preciso participar ter uma concessão municipal, ou, como relatam algumas pessoas, ter o famoso QI (quem indica). Por conta dessa interferência direta na libração do uso do espaço, a grande maioria dos vendedores temem por dar declarações. Dos 29 espaços reservados para comércio no mercado, cerca de 10 encontram-se fechados.

Exemplo disto, é um comerciante, que tem tradição familiar em comércio de frutos do mar, e trabalha em um dos boxes, que, durante a realização da matéria, preocupava-se em não ser visto por nenhuma autoridade, e dizia sempre que não poderia dar seu nome.
“É claro que a estrutura de hoje está melhor do que antes. Mas você já viu um comércio como o meu, ou como outro qualquer outro, ficar no meio de dois banheiros”? indaga o comerciante, que acrescenta. Isso aqui foi mal projetado, o meu boxe, por exemplo, não tem estrutura para comportar o tipo de mercadoria que eu vendo, ou qualquer comércio de alimento. A gente já reclamou com a Prefeitura, para fazer obras de reparo e melhorias na divulgação do mercado, mas não adianta. Eles fizeram as obras e não nos consultaram em absolutamente nada”.

Um dos únicos a revelar seu nome, Raniel Bezerra, ou Raniel do Açougue, reclama que houve incentivo por parte do município para investir no empreendimento, mas o mesmo abandonou o espaço.
“Mandaram as pessoas investirem e eu, por exemplo, investi R$ 20 mil. Não temos o retorno necessário. Logo que foi inaugurado, a Prefeitura fazia show lá, o que dava uma bom rendimento para nós, comerciantes. Mas depois pararam e nós continuamos, com verba própria. Só que proibiram e esses shows é que nos ajudavam a ganhar um extra.Nós até reclamamos com o próprio prefeito José Luiz Antunes e ele disse que os shows iam voltar e não voltou. Nós estamos abandonados”, reclama o açougueiro, que acrescenta. O fato de ter muitas lojas fechadas já prova a nossa reclamação. Poucas pessoas conseguem manter um comércio no Mercado Municipal, que só tem bar. São oito, no total”.

No comércio informal há mais de 40 anos, dona Leci Borges, que trabalha no camelódromo ao lado do Mercado Municipal,aponta que se o espaço fosse mais bem divulgado, todo o comércio da regiçao seria beneficiado.
“Quando tem evento aqui no mercado, isso fica um movimento só. Dá gente de todo canto. E isso é muito bom para todo o comércio da região. O ponto é muito bom e não é bem explorado. Lá uma vez ou outra é que tem alguma coisa.A alma do negócio é a persistência. A prefeitura tem que persistir para fazer desse ponto mais rentável”, indica a aposentada.

Procurada para prestar esclarecimentos, a Prefeitura, através da secretária de Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo, Dayse Said de Barros, declarou:
“Tem um mês que estou na secretaria e já na quarta-feira (14) vou ao mercado me reunir com os comerciantes para me interrar dos problemas, que sei que não são poucos. Dentro do que estamos planejando, não temos condições de atender tudo ao mesmo tempo. Mas vamos nos reunir para podermos ajudar da melhor forma e resgatar a tradição do mercado, que é uma fonte turística para cidade”.

Fonte: O São Gonçalo