Aplaca que indica a entrada de Jacuba não diz o que, de fato, é o bairro. Lugar de gente simples e acolhedora, a localidade é desenhada por ruas sem qualquer sinal de urbanização, um córrego que recebe todo tipo de sujeira, falta de transporte coletivo, barro para todo lado e uma ineficaz rede de esgoto. Além disso tudo, há ainda o fato de não existir uma unidade médica sequer, para socorrer qualquer problema de saúde.
Se questionados sobre como é a vida no bairro, os moradores enumeram.
“Aqui não tem posto de saúde, o ônibus não entra, se chover ninguém entra e ou sai, por conta da quantidade de lama, e o córrego que corta o bairro transborda sempre que chove”, reclama a moradora Vera Lúcia Siqueira, de 41 anos.
O abandono do bairro Jacuba não compensa a tranquilidade, que permite, segundo os moradores, deixar casas e automóveis abertos sem nenhum tipo de preocupação.
“Aqui não temos problemas com a violência. Mas, em compensação, também não temos nenhum tipo de apoio da Prefeitura. A gente paga todos os impostos e nada é revertido para cá. Se alguém passar mal e precisar de uma emergência, morre. Porque até chegar ao Centro, no Hospital Regional Darcy Vargas, já morreu. Para uma consulta médica temos que ir em Rio do Ouro, que é mais perto, mas precisamos acordar às quatro da manhã. É um descaso muito grande que a Prefeitura tem com os moradores daqui”, critica a dona-de-casa Andréia de Carvalho, de 39 anos.
No bairro, um pequeno parquinho com brinquedos de madeira e um campo de futebol improvisado, com um valão ao lado, são os únicos lugares que podem ser utilizados para lazer pelos moradores. Das casas, o esgoto vai diretamente para ligações que, em algum momento, se afunilam e acabam por minar pelo solo e espalhar o mau cheiro e propiciar a proliferação de doenças.
Morador há 17 anos do bairro, o comerciante Edir de Souza Cabral relata como é feita a ligação de esgoto das casas que estão sendo construídas e que já estão prontas.
“Cada um faz a rede de esgoto de uma forma. A Prefeitura não faz uma coisa só, um padrão. E é por isso que está entupido. As pessoas querem fazer suas casas mas não têm assistência. Esses dias mesmo uma patrola do município veio aqui e quebrou uma caixa de esgoto e por isso mesmo ficou, aberta, aumentando o risco de doenças”, alerta o comerciante.
Em dias de chuva, o tráfego de carros e motos pelas ruas é, praticamente, interrompido, já que os automóveis atolam com facilidade.
“Não precisa ser chuva forte, qualquer chuvinha faz o lamaçal. As pessoas que moram no alto são as que sofrem mais. Se, no meio do dia, cai a chuva, quem saiu de carro tem que voltar para casa a pé ou dar um outro jeito, porque de carro não se consegue trafegar por aqui”, descreve o aposentado João Carlos Bandeira, de 68 anos.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura não havia retornado às ligações e respondido aos e-mails.
Fonte: O São Gonçalo