Lívia Louzada
Uma operação da Justiça Eleitoral de Rio Bonito, recolheu 31 placas de candidatos a deputado estadual, federal e senador na tarde da última quinta-feira (12), em Rio Bonito. A ação atendeu a uma portaria baixada pelo juiz eleitoral de Rio Bonito, Marcelo Espindola, na quarta-feira (11), considerando, entre outras coisas, “que é obrigação do Juízo Eleitoral zelar pela incolumidade física dos cidadãos residentes no Município de Rio Bonito/RJ, aí contido o controle do bom andamento do trânsito de pessoas e veículos”.
A portaria nº 3/2010, baixada pelo juiz Marcelo Espindola, diz, em seu artigo primeiro, que “fica terminantemente proibida a veiculação de qualquer modalidade de propaganda eleitoral às margens dos trilhos da Rede Ferroviária Federal S/A, em todo o percurso que corta o município de Rio Bonito”. Já em seu artigo 2º, ela se refere as rotatórias da Rua João Caetano, na Praça Cruzeiro; da Avenida Martinho Almeida, em frente a Madeireira Rio Bonito, na Mangueirinha; ao entroncamento da Rua Lauro da Silva Araújo Júnior, com a Rua Pedro Colares, no Centro; e a Praça Astério Alves de Mendonça, também no Centro.
Segundo o chefe do Cartório Eleitoral da cidade, José de Tárcio Fonseca Teixeira, a propaganda política não pode atrapalhar o movimento de pedestres e do trânsito da cidade.
“A propaganda é permitida nas ruas, desde que seja móvel, mas isso não está sendo cumprido pelos partidos políticos. Recebi uma ligação hoje, de uma senhora dizendo que a filha se acidentou por causa de uma dessas placas na rua”, revelou.
A operação começou por volta das 14 horas, retirando as placas e os banners da rotatória em frente a Madeireira Rio Bonito, o que provocou a curiosidade e a manifestação das pessoas que passavam pelo local. Muitas pessoas gritavam palavras de apoio a ação da Justiça Eleitoral, enquanto José de Tárcio e o motorista Júlio Leite, que estava ajudando, retiravam as placas irregulares.
Cerca de 10 minutos depois do início da operação no local, equipes de trabalho ligadas ao candidato a deputado federal, Sandro Cruz (PV), e ao candidato a deputado estadual Marcos Abrahão (PT do B), pediram explicações a José de Tárcio, sobre a ação.
Nos outros pontos em que a portaria determinava a atuação, a quantidade de publicidade dos candidatos já não era mais a mesma quando a equipe do TRE voltou ao centro da cidade. Segundo testemunhas que não quiseram se identificar, em pouco tempo, correligionários de alguns candidatos recolheram as placas antes que a fiscalização chegasse.
No final da operação, o chefe do Cartório Eleitoral divulgou a quantidade de placas recolhidas. Foram 11 placas do candidato a deputado estadual, Zé Ricardo Jiquiriçá (PRP); cinco do candidato a deputado federal Jefferson Luiz, o Jeffinho (PSOL), quatro do federal Marcelo Matos (PDT); três do federal Alexandre Santos (PMDB), com o candidato a deputado estadual Maninho; mais três do federal Sandro Cruz (PV), uma placa da candidata a deputada federal, Líliam Sá (PR); dois banners do deputado estadual, Marcos Abrahão, e mais duas placas do mesmo deputado com o candidato ao senado, Jorge Picciani (PMDB).
De acordo com José de Tárcio, os oito “diretórios válidos de partidos da cidade”, receberam a notícia da portaria baixada pelo juiz. “Colocamos também a portaria fixada no quadro de avisos do Fórum. Os partidos tem a obrigação de se manter informados sobre o que está acontecendo”, disse.
Os candidatos
O candidato Zé Ricardo Jiquiriçá, que teve o maior número de placas apreendidas, foi procurado pela reportagem do FOLHA DA TERRA para falar sobre a operação. Ele disse que não sabia da portaria, mas que pretende se informar sobre o assunto para não repetir o erro.
“Não tomei ciência dessa portaria, e só coloquei as placas, onde já existia a de outros candidatos. Fiquei surpreso, porque as minhas (placas), eram as que tinham em menor quantidade na cidade”, contou.
Guardadas
Com autorização do prefeito José Luiz Antunes, segundo o chefe do Cartório Eleitoral, as placas e os banners apreendidos, foram guardados na Secretaria de Meio Ambiente do município, na Praça Cruzeiro. Segundo José de Tárcio, os candidatos poderão requerer a devolução das placas, “mas é o juiz eleitoral quem decidirá”.