Agentes da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), vinculada à Secretaria de Estado do Ambiente, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e policiais do Batalhão Florestal – BPFMA – apreenderam ontem (20), durante uma grande operação de fiscalização na Serra do Sambê, em Rio Bonito, uma tonelada de carvão vegetal e destruíram sete fornos de produção ilegal de carvão. Os fiscais também flagraram Welinton Vitorino Alves, 27 anos, e Josemir Brandt do Amor Divino, 36 anos, transportando 30 sacos de 20 kg de carvão ilegal em uma Kombi. Eles foram conduzidos à 119ª DP (Rio Bonito).

Ainda durante a operação, que teve início às 04 horas, os fiscais apreenderam num barraco no meio da mata três espingardas, uma de calibre 22 e duas calibre 36, farta munição de diversos calibres, um trabuco (arma artesanal de grosso calibre), além de material para fabrico de armadilhas e vasto petrechos e armadilhas para caça, como pólvoras, espoletas, chumbos. Os materiais foram encaminhados à respectiva Unidade de Polícia Judiciária. Diversos pássaros que estavam em gaiolas foram soltos na região.

O coordenador da Cicca, José Maurício Padrone, lembrou que somente este ano a SEA já fez quatro grandes operações contra carvoeiros na Serra do Sambê, inclusive com um depósito clandestino estourado, onde o carvão ilegal era “esquentado”, ou seja, era acondicionado em pequenos sacos com o selo falsificado do Ibama e vendido.

“Os fiscais destroem os fornos e apreendem o carvão durante as operações, mas os infratores voltam e confeccionam outros, já que são feitos de barro com água”, explicou Padrone.
A Serra do Sambê tem diversos mananciais. É um divisor de águas que alimenta duas das mais importantes bacias hidrográficas do Estado, a do Rio São João e a da baía da Guanabara. Segundo Padrone, as árvores cortadas pelos carvoeiros para o fabrico de carvão são importantes para manutenção dessas bacias.
“Para se fazer 20 kg de carvão são necessários cerca de 50 kg de madeira da mata nativa, e isso representa um enorme prejuízo ao meio ambiente. O saco de carvão de 20 kg é vendido por R$ 10 para o transportador, que vende a R$ 16 para o comércio ou para os depósitos clandestinos”, contou o coordenador da Cicca.

Histórico

No dia 04 de maio, A TRIBUNA acompanhou uma das ações da Cicca, Inea e BPFMA que estourou fornos clandestinos utilizados na produção de carvão vegetal na Serra do Sambê. No local, que já vinha sendo monitorado, foram apreendidas uma tonelada de carvão ilegal (50 sacos de 20 quilos cada) e uma arma de caça calibre 28. Ninguém foi preso.

Já no dia 30 de maio, policiais BPFMA estouraram um depósito clandestino de carvão vegetal, na Estrada da Guaxindiba, 122, em São Gonçalo, onde foram apreendidas 13,5 toneladas de carvão, produto da extração irregular de árvores nativas também da Serra do Sambê. O proprietário do imóvel, Francisco Luís Gonçalves da Silveira, 47 anos, foi detido e autuado no artigo 46 da lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza).

Fonte: A Tribuna