Rio Bonito e a Cultura

É comum encontrarmos, sobretudo entre os jovens, pessoas criticando o setor cultural de Rio Bonito e região. “Falta incentivo aos artistas locais e os investimentos naquilo que é de interesse do jovem não existe”, dizem os mais inconformados. Bem, já ouvimos alguém dizer que a falta de retorno aos cofres públicos e aos bolsos dos políticos seriam motivos para esse marasmo cultural que experimentamos.

Outro dia alguém nos disse que as mudanças da sociedade deveriam começar pelos próprios cidadãos, através da mobilização popular que deveria ser organizada por movimentos sociais atuantes, como associações de moradores e entidades que representam a sociedade civil.

Bom, já que o assunto é Cultura. Vale lembrar que em setembro de 2008, o ator Juka Goulart organizou um encontro entre os candidatos a prefeito na Sociedade Musical e Dramática Riobonitense. A ideia era que eles levassem as suas propostas para os representantes do setor cultural. Por lá apareceram uns gatos pingados, que em sua maioria, depois de ouvir o candidato da sua preferência, se retirava sem fazer cerimônia.

Pensamos: onde estão aqueles que reclamam falta de atenção para a Cultura?

O Teatro Municipal e a sala de cinema que nós almejamos para Rio Bonito seriam muito concorridos nas primeiras semanas, mas quando deixassem de ser novidade, tomara que estejamos enganados, deixariam de ser procurados. Dizemos isso, porque nós temos o hábito de desvalorizar o que é local.

Quantos já ouviram Sheila Sá e Ricardinho? Você sabia que ela gravou um CD? E o grupo Bonanza, você conhece? Aliás, você sabia que o Andrezinho Shock está arrebentando em Minas Gerias, Espírito Santo, Rio Grande Sul, e em vários estados? Por que será que o garoto não é respeitado aqui? Dia desses, um cínico comentou conosco: “isso acontece porque em Rio Bonito tem muito crente”! Essa foi a coisa mais idiota que já ouvimos, porque os motivos são outros, e polêmicos.

Você assistiu a apresentação do espetáculo “Música sem Fronteiras”, coordenado pela Escola de Música Telca & Som, que aconteceu no último dia 21, no Centro Cultural da Câmara de Dirigentes Lojistas? Não? Por quê? Estava fraco? Sabe por que não foi melhor? Porque você não foi. Você preferiu estar em outro lugar, certamente reclamando a falta de atenção ao setor cultural.

Na verdade, o segredo é que pouca gente vai a esses lugares para ver o artista ou ouvir boa música. A idéia é, como diria a cantora Cláudia Leite, “beijar na boca”.

Você conhece Leir Moraes? Já leu alguma obra dele? Pois é, se você não sabe, este é um dos grandes filhos de Rio Bonito, mas poucos o valorizam, e muitos, sequer o conhecem. Vamos repetir: enquanto não abandonarmos os nossos hábitos provincianos, porque nós é que colaboramos para essa situação, a Cultura não receberá um centavo de investimento.

O poder público não é o único vilão dessa história. Ele carrega apenas parte da culpa, porque nós valorizamos mais as coisas ruins da “PROVÍNCIA” (os grandes centros) do que as boas coisas da nossa terra.

Para substituir o teatro municipal que ainda não existe, o diretor e idealizador do projeto “Lona na Lua”, o ator Zeca Novais está ali na Mangueirinha com o Espaço cultural. Já para substituir a sala de cinema que ainda não foi construída, Juka Goulart e a professora Ranata Mansour estão desenvolvendo os projetos Cine Itinerante e Cine Riba. Ambos estão sendo bem acolhidos pelo riobonitense, mas pode ser muito melhor.

Concluindo, não podemos deixar de mencionar a iniciativa do vereador Fernando Soares (PMN), que criou, e os seus pares aprovaram, o Dia Municipal da Cultura, que deve ser comemorado no dia 4 de outubro, em homenagem a Leir Moraes, que nasceu neste dia, no ano de 1935. Agora, esperamos que o prefeito José Luiz (DEM), faça a sua parte e sancione a lei.

Por falar em Leir, parabéns a Prefeitura Municipal por ter apoiado o Projeto “Encontros com a Literatura Fluminense”, que a editora Nitpress lançou com o objetivo de valorizar a produção literária do antigo Estado do Rio de Janeiro, republicando obras de autores como o riobonitense B. Lopes, da escritora Liane Arêas. O livro foi lançado no último dia 22 (sexta-feira), no Centro Cultural da Câmara de Dirigentes Lojistas (CCCDL) de Rio Bonito.

Uma última pergunta: você foi lá? Não? Pois é! Quem foi, participou de uma noite memorável. Aliás, durante este evento, nós vimos, em alguns momentos, porque a Cultura de Rio Bonito está em coma e respira com auxilio de aparelhos. Contudo, estamos esperançosos, porque em vários outros momentos, nós percebemos que ela continua respirando, tem apresentado alguma melhora e deve sair do coma.