Eloisa Leandro

Visando informar a população e estruturar cidades vizinhas dos locais onde serão implantados o Complexo Petroquímico de Itaboraí e a Refinaria de São Gonçalo, Rio Bonito acaba de se unir a outros oito municípios (Itaboraí, São Gonçalo, Magé, Maricá, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Tanguá e Niterói) com o objetivo de formar os Conselhos Comunitários Municipais, organizados por associações, instituições e lideranças da sociedade civil, para discutir e planejar ações sociais, culturais e ambientais com a Petrobras, empresa responsável pelo empreendimento. Devido à proximidade e possíveis impactos econômico, social, cultural e ambiental, Rio Bonito foi integrada ao projeto numa reunião no dia seis de agosto, em Itaboraí. As primeiras reuniões no município ocorreram na segunda-feira (28) e quarta-feira (30), na Casa São Vicente de Paulo, no Centro, com a presença do coordenador da Petrobras e do Comitê Estadual dos Projetos Fome Zero Nacional, Nilson Viana Cesário, e de aproximadamente 20 membros da sociedade civil organizada, que escolheram dois delegados natos: Sueli Cristina Almeida Silva, da Casa de Umbanda do Caboclo Sete Penas, na Jacuba, e Márcio Luiz Sardinha, da Associação de Capoeira Berimbau de Ouro, então representantes do Conselho Comunitário de Rio Bonito.

Segundo Cesário, o propósito da criação dos conselhos municipais é estabelecer medidas preventivas para evitar problemas futuros, como: crescimento desordenado da população, má distribuição de renda, descaracterização cultural e social da região, impacto ambiental, dentre outras, além de facilitar as políticas públicas, embora não tenha ligação direta com os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Com um fundo social destinado a estruturação das cidades próximas à construção do Complexo Petroquímico e a Refinaria, cujo valor não foi revelado, a Petrobras espera propostas dos representantes dos Conselhos Comunitários Municipais, estimado num total de 200, sobre as melhores formas de aplicação do capital da empresa, baseado em características e necessidades de cada município.

“A Petrobras pretende ouvir a população e evitar problemas futuros nas localidades com a implantação do empreendimento. A intenção da empresa é gerar sustentabilidade aos municípios, como também facilitar a diplomacia entre as medidas propostas pelos Conselhos Comunitários Municipais com o poder político dominante, já que o repasse da verba é realizado através de convênios com a Prefeitura Municipal”, explicou Cesário, destacando que os conselhos também devem divulgar a população a aplicação do investimento industrial em suas cidades, avaliado em mais de R$ 13 bilhões, sendo 80% para Itaboraí, 18% para São Gonçalo e 2% distribuídos entre os demais municípios, de acordo com ele.

O próximo passo do trabalho será esclarecer dúvidas sobre as atividades desenvolvidas num Pólo Petroquímico, como a instalação de novas empresas, crescimento populacional, perfil das cidades vizinhas, capacitação profissional e inclusão e sensibilidade social entre outros temas que serão debatidos no Seminário do Conselho Comunitário de Rio Bonito, previsto para outubro, mas sem data e local definido.

“O seminário vai apresentar o diagnóstico das cidades e como traçarmos metas plausíveis, diante das suas prioridades”, esclareceu o representante do Centro de Cultura Afro Luz de Tanguá, Elias dos Santos Luz, lembrando a importância da população acompanhar o desenvolvimento do Plano Diretor da cidade, responsável por identificar problemas e dar soluções para cada localidade, visando o desenvolvimento do município em todos os aspectos.