Lívia Louzada
No último dia 21/01, sexta-feira, pessoas que passavam próximo a Praça da Bandeira e ao Camelódromo, no Centro de Rio Bonito, levaram um susto ao ver a presença de policiais militares, guardas municipais e um corpo estendido no chão. Segundo registro efetuado na 119ª Delegacia de Polícia de Rio Bonito, o corpo era de Alcidino Gomes Batalha, de cerca de 56 anos, morador do bairro Rio Vermelho.
O corpo de Alcidino, ou Cidino, como era mais conhecido, foi encontrado por volta das 7h, por Guardas Municipais, que chamaram a Polícia Militar. Apesar do registro, informações dão conta de que o homem era um morador de rua, que frequentava bares próximos ao local onde foi achado morto, e que na verdade quem mora em Rio Vermelho, são parentes da vítima.
Curiosos que se aproximaram do corpo, afirmaram que no dia anterior (quinta-feira, 20), ele teria sido arrastado, por alguns metros, e que teria levado um soco na barriga, de outro morador de rua. Por conta disso, o Serviço de Assistência Móvel de Urgência (SAMU) e o Corpo de Bombeiros foram chamados, mas o homem teria se recusado a receber atendimento e ser removido para o Hospital Regional Darcy Vargas, no Centro.
De acordo com o coordenador do SAMU, major Márcio Garcia, Cidino não possuía risco aparente de morte e apresentava sinais de embriaguês. “Ele estava consciente e optou por ficar onde estava, sem atendimento”.
Segundo o técnico de enfermagem do SAMU, Amilton Rodrigues, que atendeu Cidino na quinta-feira, ele possuía escoriações nas costas. “Ele estava lúcido e não deixou a gente verificar a pressão, nem ver sua taxa de glicemia”, disse Amilton.
Apesar da afirmativa, testemunhas disseram que os profissionais do SAMU chegaram até o local, apenas olharam Cidino, e em seguida foram embora.
“Minha casa é na rua”
A equipe da FOLHA DA TERRA procurou a família de Alcidino em Rio Vermelho. De acordo com sua tia, Teresinha Alves da Silva, de 55 anos, Cidino dizia que sua casa era a rua. Terezinha contou que pediu por diversas vezes, que o sobrinho parasse de beber.
“Ele era uma pessoa boa, vivia carregando bolsa de ‘madame’ perto de supermercados, e as vezes o chamavam para capinar quintal, mas bebia muito, e teve vários ataques por causa do álcool. Sempre que ficava doente, ele vinha para minha casa, mas quando ficava bom, voltava para rua, e voltava a beber”, informou Teresinha.
O corpo de Cidino só foi retirado do local por volta das 13h, e encaminhado para o Instituo Médico Legal (IML) de Araruama, onde até o fechamento desta edição, se encontrava sem documentação. O IML espera o alvará de liberação do corpo, pela Justiça, que determinará o sepultamento de Cidino. O laudo da perícia, com a causa da morte, deve ficar pronto em até 15 dias.