Flávio Azevedo

Desde o último dia 5 de abril está proibido o uso de telefones celulares no interior de agências bancárias em todo o estado do Rio de Janeiro. A proibição inclui também o uso de rádio transmissor, palmtops e similares. O objetivo é evitar crimes como a chamada ‘saidinha de banco’.

A determinação consta da lei 5.939/11, do deputado Domingos Brazão (PMDB), promulgada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Paulo Melo (PMDB), após a derrubada do veto do governador Sérgio Cabral ao projeto original, no último dia 30 de março. A medida já foi publicada no Diário Oficial do Legislativo.

O autor da lei explicou a iniciativa em plenário. Segundo ele, não se trata de uma proibição ao porte dos aparelhos. “As pessoas não precisarão deixar os aparelhos ao entrar nas agências. A lei proíbe apenas o seu uso. O objetivo é evitar a incidência de crimes como a saidinha de banco”, justificou.

Segundo Brasão, ele se inspirou numa lei argentina, onde as ‘saidinhas de banco’ teria sofrido uma redução de 20%. O deputado informou ainda, que no Brasil, em cidades como Curitiba, por exemplo, medidas semelhantes já foram adotadas e os resultados foram satisfatórios.

Policiamento

Segundo especialistas, para cometer o crime, os assaltantes são ajudados por um cúmplice que está no interior do banco observando o movimento das pessoas. O capitão Almeida, comandante interino da Polícia Militar de Rio Bonito (3ª CIA do 35º BPM), disse durante a reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CCS) no dia 28 de março, que “esse comparsa é alguém que nós nunca poderiamos imaginar”.

– É possível que esse informante seja uma pessoa de idade, uma mulher grávida ou um homem bem vestido e de boa aparênciaem vestido. São pessoas que não levantariam qualquer suspeita – destacou.

Já o delegado titular da 119ª DP (Rio Bonito), Henrique Paulo Mesquita Pessoa, afirmou em entrevista a nossa reportagem, no dia 16 de abril, que a patir de maio, “uma parceria entre as polícias Civil e Militar de Rio Bonito irá aumentar o policiamento, principalmente na Av. Castelo Branco. A nossa estratégia é dar uma atenção ao local, sobretudo nos 15 primeiros dias do mês, época que ocorre mais assaltos por conta dos pagamentos”, disse.

Bancos discordam

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Almir Aguiar, acha que a nova lei não vai ajudar a diminuir o número de assaltos a clientes. Além disso, ele alega que a lei foi criada sem que a instituição fosse ouvida.

– Essa modalidade de crime é praticada desde antes do uso massivo do telefone celular. Nós temos um anteprojeto que prevê a instalação de biombos impedindo a visualização das filas e de um recuo nos caixas de atendimento para evitar que os clientes sejam vistos realizando saques de altos valores – comentou.