Lívia Louzada
A morte do empresário Carlos Américo de Azevedo Branco, de 44 anos (faria 45 no próximo dia 12 de outubro), assassinado com um tiro de pistola calibre 380, na Avenida Presidente Castelo Branco (Rua dos Bancos), na última segunda-feira dia 23/05, em uma possível ‘saidinha de banco’, deixou a cidade paralisada pelo clima de insegurança e expôs um problema que vem sendo discutido já há algum tempo: a falta de segurança nas cidades no entorno de Itaboraí, onde será implantado o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, investimento que vem aumentando a população da região e a onda de crimes.
Proprietário de uma das principais academias de ginástica de Rio Bonito, a American Club, localizada na Rua Arthur Bernardes, também no Centro, Américo foi assassinado em plena luz do dia (por volta das 12h50min), dentro do shopping Comercial Center, depois de fazer operações bancárias no local. Policiais da 119ª DP, onde o caso foi registrado, ainda investigam se a vítima teria entrado em luta corporal com um dos dois elementos que praticaram o crime, que teria disparado dois tiros, sendo que um atingiu as costas da vítima, saindo pela frente, e outro acertou a parede, ao lado da escada que dá acesso para o segundo andar. O atirador fugiu logo após os disparos, na garupa de uma motocicleta que era pilotada por outro assaltante que aguardava em frente ao prédio.
No momento do crime, o movimento no andar térreo do prédio era pequeno e alguns funcionários de lojas e estabelecimentos que funcionam no local disseram que não viram nada. A morte de Américo, provocou revolta na população riobonitense, que foi às ruas, em passeata, no final da tarde do mesmo dia, pedir mais segurança para a cidade, que vem enfrentando um aumento nos casos de furtos e roubos, nos últimos meses.
O crime
Segundo o registro de ocorrências na 119ª DP e informações de policiais militares, por volta das 13h, Américo, como de costume, chamou o funcionário Higor Medeiros, de 23 anos, para acompanhá-lo para fazer serviços bancários. Ambos foram até a agência do Banco Itaú, localizada na Avenida Castelo Branco, que concentra três, dos sete bancos que existem na cidade, onde Américo teria sacado cerca de R$ 4.500,00.
Em seguida, ainda dentro do Itaú, ele teria entregue a Higor R$ 2.550, para que pagasse alguns boletos na agência, e dito ao funcionário, que iria a UNICRED, uma cooperativa de crédito vinculada a Unimed-Rio, localizada no andar térreo do prédio do Comercial Center, quase em frente ao Itaú, e que depois o encontraria na agência do Banco do Brasil, na mesma rua.
O empresário foi à UNICRED, e quando voltava, no corredor, próximo a escada, teria sido abordado por um homem armado. O bandido teria pedido dinheiro, e o empresário teria batido com as mãos no bolso, indicando que não havia dinheiro. O bandido, então, o teria ameaçado com a arma, e como estava bem próximo, Américo o teria afastado e gritado, “socorro, estou sendo assaltado”, pelo menos duas vezes. O bandido então teria disparado três tiros, sendo que um atingiu Américo na altura das costelas, e saiu na altura do mamilo. Os dois assaltantes fugiram levando apenas o celular da vítima, e o empresário ainda agonizou por alguns minutos no local, até ser socorrido e levado para o Hospital Darcy Vargas, onde já chegou morto.
Com Américo, policiais militares que estavam em frente a agência do Bradesco na hora do crime e foram avisados por populares, encontraram três recibos de depósito, R$ 750,00 em espécie, e dois cheques do Banco Real, um no valor de R$ 3.000,00 e outro de R$ 5.000,00. A entrada do Comercial Center foi fechada logo após o crime, até a chegada da perícia, que encontrou no local duas cápsulas deflagradas.
A polícia ainda trabalha para tentar identificar o autor dos disparos, que estava sem capacete. Ele fugiu em uma moto (segundo registros, a moto seria vermelha ou preta), pilotada por outro homem de capacete, que o esperava na frente do estabelecimento comercial. Na saída, o assassino teria dobrado a placa da moto, para que não pudesse ser identificada.
Socorro
Os tiros foram ouvidos por diversas pessoas que estavam no Comercial Center e por quem passava pela rua, inclusive o funcionário da vítima, Higor, que foi até o local ver o que tinha acontecido. Em poucos segundos o cabo Vanderlei Ribeiro e o soldado Rafael Serpa, que estavam próximos a agência do Bradesco, a cerca de 50 metros, foram chamados e chegaram até o local. Segundo Vanderlei, que já encontrou Américo caído no chão, mas ainda vivo, a primeira atitude foi prestar socorro ao empresário. “No momento, passou uma pessoa em um Strada (modelo de carro com carroceria, da Fiat) e o chamei para levar o Américo para o hospital (Hospital Regional Darcy Vargas), já que tínhamos chamado o SAMU, mas não podíamos esperar”. Segundo testemunhas, a motolância do SAMU e a ambulância do Corpo de Bombeiros chegaram no momento em que Américo era colocado no Strada e estava saindo para o hospital.
Susto
Segundo alguns lojistas que trabalham no local, quando ouviram os tiros, eles pensaram que estava acontecendo um assalto a alguma loja. De acordo com Carmem Regina Carvalho, da loja Realce, ela levou um susto quando ouviu os tiros, e se abaixou atrás do balcão com medo de ser atingida. No terceiro andar do mesmo prédio, a ginecologista Júlia Maria Salerno e sua funcionária, Débora Estrela, estavam prestes a sair da sala para irem ao banco, quando ouviram os disparos.
“Quando íamos descer para fazer serviço de banco, fui ao banheiro, e em seguida ouvimos os tiros. Fechamos o consultório, apagamos as luzes e nos escondemos, pois achamos que estava acontecendo um assalto em alguma loja lá em baixo (no térreo)”, disse a médica.
Já Paula Garcia, que trabalha na loja da Natural da Terra, logo na entrada do prédio, não imaginou que o barulho fosse de tiros: “pensei que fosse um transformador de luz que tivesse estourado”.
Velório
O corpo de Américo foi velado na capela da Funerária Santo Antônio, em Rio Bonito, na manhã de terça-feira, por dezenas de amigos e familiares (entre eles os irmãos Almir e Silvana, a mãe Maria Carmem e a esposa Marcela), e enterrado no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. Durante o velório em Rio Bonito, o clima era de indignação e revolta. Sua esposa, Marcela Branco, apesar de abalada com a tragédia, quiz prestar sua homenagem ao marido, e escreveu os seguintes versos:
“Meu amor, a pessoa mais humana que já conheci, mais verdadeira, coração puro, cristalino.
Nascido no dia das crianças, dia 12. Casamos no dia 24 de junho de 2006, mas estamos juntos há 12 anos.
‘Que não seja apenas eterno enquanto dure, mas que dure eternamente’ (nossa frase)
Meu marido, meu melhor amigo, meu companheiro, fique em PAZ !!!
Agradeço o carinho que todos sempre tiveram e continuam tendo por nós”.
Investigação
O delegado da 119ª DP, Paulo Henrique da Silva Pinto, não deu detalhes da investigação, mas disse que a princípio teria sido um latrocínio ou homicídio qualificado. Ele disse ainda que está analisando as filmagens que recebeu, mas não forneceu detalhes do conteúdo, mas que conta com a colaboração da população para ajudar a esclarecer o crime.
“Contamos com o apoio das pessoas. Se alguém souber de alguma coisa, pode se apresentar espontaneamente, sem se identificar. Quem puder ajudar, pode vir a delegacia ou ligar para o número do plantão (3634-8971).
Apesar do caso de assemelhar com o golpe conhecido como “saidinha de banco”, o delegado disse que a morte de Américo foge às características do crime, que, segundo ele, geralmente acontece entre os dias 1º e 12 do mês.
Segundo o comandante da Guarda Municipal, sargento Soares, as filmagens das câmeras da Prefeitura, foram entregues ao delegado para a investigação. Uma fonte também revelou a reportagem da FOLHA que o Banco do Brasil também teria disponibilizado as filmagens do dia. (Colaborou Alfonso Martinez)