Num clima de indignação e revolta, cerca de 250 pessoas participaram da passeata em protesto contra a morte do empresário Américo Branco, no início da noite de segunda-feira. “Precisamos nos mobilizar para fazer valer os nossos direitos”, dizia Bruno Soares, ao microfone, em um caminhão de som no início da passeata, que saiu de frente ao Posto Luanda e precorreu as ruas Centrais da cidade. Com faixas com dizeres como “Basta. Chega de descaso com nossa segurança”, a manifestação ia ganhando corpo conforme se aproximava do Centro da cidade. No caminho, pelo menos mais seis viaturas extras e homens da Polícia Militar davam cobertura. “Gostaria que isso fosse sempre a realizade do nosso município”, criticou Bruno, ao microfonese referindo ao aumento do efetivo após a tragédia.

“A cidade está crescendo e nós precisamos de mais segurança, como uma cabine da PM na Rua dos Bancos”, disse o empresário Alexandre Antônio Vieira Ferreira, o Xandinho, que participou da passeata. Ele acrescentou que o crime é reflexo do “descaso do poder público” e que a cidade “não pode ficar a mercê desses bandidos”.

No final, após uma concentração em frente a American Club, com direito a um minuto de silêncio e palmas para o empresário morto, Bruno resuniu o pensamento da população: “Uma hora isso ia acontecer. Essa é uma tragédia anunciada”, desabafou.

Medo e indignação

Após o assassinato, além de indignadas, muitas pessoas se sentiram inseguras. O comerciante Nelson Espindola é um dos moradores de Rio Bonito, que apesar de ter escolhido o município para viver, já está repensando a ideia de continuar vivendo na cidade. De acordo com ele, além de mais policiais, deveriam ter mais câmeras no Centro, onde muitas pessoas são assaltadas.
“Quando eu morava em São Gonçalo, fui assaltado mais de 20 vezes, então procurei uma cidade mais tranquila para viver, e vim morar em Rio Bonito há 10 anos. Mas agora me sinto inseguro e já estou até pensando em sair daqui”, disse Nelson, proprietário do mini-mercado Rio Doce.

A indignação da população também se refletiu na reunião da Câmara dos Vereadores de terça-feira (24), onde o vereador Marcinho Bocão (único político que participou da passeata) criticou o fato dos bancos não terem um local reservado para que os clientes possam fazer saques em dinheiro.

Na mesma reunião o vereador Saulo Borges (PTB) apresentou um requerimento pedindo uma audiência pública, a fim de discutir e cobrar atitudes práticas, e sugerindo a realização da mesma para o dia 31 de maio, com a presença de vários representantes de entidades e órgãos públicos, entre eles o prefeito José Luiz Antunes, vereadores, o juiz da comarca, o secretário estadual de segurança, o presidente da comissão de segurança da Alerj, o delegado, o comandante da 3ª CIA da PM, e representantes do comércio local e associação de moradores, entre outros.

Além da audiência, Saulo ainda pediu que fossem encaminhadas ao Poder Executivo algumas reivindicações, como um novo projeto de lei para criação dos agentes de trânsito (triplicando o número solicitado anteriormente), colocação de Câmeras 24h com gravação em todas as ruas do Centro de Rio Bonito, em especial direcionada às agências bancárias e lotéricas, remanejamento da banca de jornal da Praça Fonseca Portela para dar lugar a uma guarita da Polícia Militar, e aumento do efetivo da guarda municipal.

O requerimento também se estendeu ao governo do Estado, para o qual, pediu aumento do efetivo de policiais para Rio Bonito, construção da guarita da PM, ajuda financeira na colocação de câmeras 24h, aumento do efetivo da Polícia Civil.