Lívia Louzada
A reportagem da FOLHA DA TERRA entrevistou o comandante do 35º Batalhão da Polícia Militar, em Itaboraí, coronel Cézar Tanner, na última terça-feira (23), um dia após o assassinato do empresário Carlos Américo Branco. O coronel Tanner, que está há pouco mais de um mês no cargo, falou sobre o efetivo que faz o policiamento em Rio Bonito, sobre o encontro com representantes dos bancos da cidade (na próxima reunião do Conselho Comunitário de Segurança, na próxima segunda-feira, dia 30/05), e a possível migração de bandidos de Itaboraí para Rio Bonito.
De acordo com o coronel, no dia em que o empresário Carlos Américo de Azevedo Branco, de 44 anos foi morto, estava começando o trabalho de uma nova dupla que irá fazer o policiamento bancário nos moldes do que foi implantado em Itaboraí. De acordo com o coronel, há cerca de 20 dias, foi feita uma reunião com os gerentes de bancos de Itaboraí, e policiais começaram uma nova estratégia de policiamento que permite com que os PM’s entrem nas agências.
“Aqui (em Itaboraí) chamei os gerentes, também primeiro para conscientizar de que eles são parte do processo, pois a primeira noção deles é que se (a “saidinha”) acontece fora da agência, eles não tem responsabilidade nenhuma. Tem sim, porque a informação está partindo de dentro da agência. Não estou dizendo que é o pessoal do banco, estou dizendo que é alguém que está dentro da agência. O policiamento é feito a pé, os policiais entram no banco, e ficam um tempo. A determinação é que eles percorram todas as dependências do banco de acesso ao público, tudo isso combinado com os gerentes. É uma presença mais marcante da PM no interior da agência”, explicou Tanner.
Ele contou que em Rio Bonito, a proposta é que o trabalho da PM aconteça da mesma forma. A reunião com os regentes de banco acontecerá na reunião do Conselho Comunitário de Segurança, que será realizada segunda-feira (30), às 10h, na Câmara dos Vereadores. O coronel explicou ainda quais mudanças deverão ser feitas na cidade para facilitar o policiamento.
“A frente de uma agência bancária tem que estar livre, não pode ter estacionamento, não pode ter barraquinha, como tem em Rio Bonito, na frente da Prefeitura. Se tiver que encostar um carro forte, vai encostar ali, e não em fila dupla e atrapalhar o trânsito, ficando longe da calçada e dando mais chance a uma ação criminosa. E para isso preciso da colaboração das autoridades municipais”.
Com relação ao efetivo de policiais para o município, o comandante sugere que precisariam de cerca de três radiopatrulhas e uma Patamo (blazer da Polícia Militar, com equipe de apoio). Ele acha que o efetivo poderia ser aumentado em mais ou menos 50%, mas para que isso aconteça, tem que haver uma nova política de segurança para a região, que pode ser reivindicada pela população. “Isso é política de segurança, o nome já está dizendo, política. É procurar os políticos da região, e reivindicar que se olhe para essa região”, sugeriu o coronel.
Ele também falou da responsabilidade que os bancos têm, em resguardar a privacidade dos seus clientes. “Acho que tenho direito a ter privacidade sobre o que eu vou fazer no banco. Quando eu entro no banco, tenho direito de que ninguém saiba o que eu vou fazer, tenho direito de querer que ninguém saiba se fui pagar conta, sacar quantia em dinheiro. O banco teria que ter um sistema de cabines na frente do caixa, em que o cliente e o caixa apenas, saibam o que foi feito. Acho que isso pode ser caracterizado como sigilo bancário”, pontuou.
O coronel pede para que as pessoas não reajam em ocasiões de assalto. “Infelizmente aconteceu, mas estamos trabalhando. Lamentamos a morte, mas o trabalho está sendo feito, estamos procurando fazer o que é possível. Peço para que as pessoas não reajam. Dificilmente a pessoa vai conseguir reagir e ter êxito”, alertou.
Depois de um mês sem ter registros de “saidinhas de banco” em Rio Bonito, o coronel contou que pode ter havido uma migração da criminalidade. “O bandido quer facilidade. Tinha alguém praticando “saidinha” em Itaboraí, e está encontrando dificuldade, por isso, a tendência é ele se aperfeiçoar ou procurar um local que tenha mais facilidade. O esquema que foi implantado aqui (em Itaboraí), ainda não foi implantado em Rio Bonito, então ele pensou em obter mais facilidade lá”, avaliou.