Lívia Louzada
A Justiça julgou improcedente o processo movido pela cabeleireira Adriana Almeida, que pedia o reconhecimento da união estável com o ganhador do prêmio milionário da Mega-Sena, Renné Senna. Adriana é acusada de mandar matar o ex-companheiro em 2007, na localidade de Lavras, em Rio Bonito, e aguarda o julgamento em liberdade. A sentença foi expedida pelo juiz Marcelo Espindola, da 1ª Vara da Comarca de Rio Bonito, na última segunda-feira (13). Apesar de ainda caber recurso, o advogado da herdeira Renata Senna, Marcus Rangoni, classificou, em entrevista por telefone, como brilhante, a decisão da Justiça, e disse que “não esperava outra decisão” sobre o caso. Ele acrescentou que o julgamento de Adriana, no processo criminal, deve acontecer ainda este ano.
O processo de união estável é apenas um dos que tramitam na comarca de Rio Bonito envolvendo o assassinato do lavrador Renné Senna. O principal processo, a que Adriana também responde, o de mandante do assassinato, já se arrasta na Justiça há quatro anos sem conclusão. De acordo com Rangoni, parte da demora no julgamento, aconteceria por conta de processos que o advogado de Adriana, teria dado entrada. Segundo Rangoni, isso seria uma estratégia para atrasar o julgamento da ré.
“Ele (o advogado de Adriana) está usando de recursos para travar o andamento do processos, e para isso, está usando brechas na lei”, disparou.
Um exemplo desses processos que estariam atrasando a marcação da data do julgamento, seria o de calúnia, injúria e difamação, contra Renata, que a defesa de Adriana moveu em março deste ano. Apesar de dizer que ainda não tem conhecimento sobre o processo movido, Rangoni contou que a nova ação da defesa tem o intuito de intimidar Renata, e até tentar um acordo com a acusação.
“Nada irá nos intimidar até que consigamos ter ela (Adriana) presa pela morte do Renné. E jamais uma filha irá se sentar na mesma mesa que a mandante do assassinato do pai. Temos convicção de que ela foi a mandante do crime”, ressaltou.
O advogado também disse que a decisão da Justiça, de não reconhecer a união estável da acusada com Renné, trás uma brecha moral no processo de indignidade que moveu contra Adriana, em dezembro de 2010. No processo, a acusação pede que a cabeleireira seja considerada indigna de receber a herança do milionário.
“Essa decisão do juiz, prova que o relacionamento dos dois (Renné e Adriana), não passou um namorico, e que o relação estava dentro do golpe financeiro (que Adriana tramava contra Renné)”.
Adriana também responde um processo por falsidade ideológica, no município de Arraial do Cabo, onde comprou um apartamento em seu nome, e não declarou que tinha uma união estável com o ganhador da Mega-Sena.
A FOLHA consultou o advogado João Carlos Faria, que é vice-presidente da 35ª Subseção da OAB de Rio Bonito. Ele concorda com o advogado de Renata, e diz que a decisão de segunda-feira, do juiz, pode atrapalhar Adriana no processo criminal e o de indignidade. “O que de repente pode ter faltado ao processo, era anexar elementos que pudessem provar a união estável do casal, visto que era público e notório o tempo de convivência de ambos”, disse João.
Decisão certa
Para uma amiga de Renné, que não quis se identificar, a decisão do juiz é mais do que certa, já que ninguém tem dúvidas do tipo de relacionamento que a Adriana tinha com o milionário. “Todo mundo sabia e ele também dizia que nos primeiros dois meses juntos, era uma maravilha, depois, ela começou a maltratar ele”, lembrou.
Segundo ela, o ganhador da Mega-Sena não estava satisfeito com a união, e teria até feito uma proposta a Adriana. “Ele ofereceu R$ 3 milhões, uma casa, dois carros, e uma cobertura em Arraial do Cabo para ela largar ele, mas a ganância falou mais alto e ela não aceitou”, revelou.