Lívia Louzada

“Existe a promessa do secretário (de Segurança, José Mariano Beltrame), de aumentar o efetivo de policiais do 35º Batalhão (da Polícia Militar), a partir de agosto”. A afirmativa é do comandante do 35º BPM, coronel Cézar Tanner, que concedeu entrevista à FOLHA, por telefone, na tarde de ontem, sexta-feira (01/07), três dias depois que ele e representantes da sociedade civil organizada de Rio Bonito se reuniram, no Rio de Janeiro, com o secretário Beltrame. A reunião, que aconteceu na manhã de terça-feira, dia 28/06, contou com a presença da deputada federal Solange Almeida, que conseguiu agendar a reunião com o secretário, após o aumento da violência no município, que culminou com o assassinato do empresário Américo Branco e várias manifestações da população pedindo mais segurança.

Segundo o coronel Cézar, os policiais que virão para a área do 35º, são aqueles que fizeram o recrutamento na região, ou seja, que moram aqui, já que o edital do concurso não especifica o trabalho deles exclusivamente na capital. Além do aumento do efetivo o comandante disse que o secretário orientou para que se “mantivesse, e se possível intensificasse” as operações que estão sendo feitas para apreender motos e motoristas que estão trafegando em situação irregular.

Em entrevista a reportagem da FOLHA, o presidente da 35ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Rio Bonito), César Gomes de Sá, que também estava presente na reunião com Beltrame, disse que ao falarem sobre o número de policiais destacados para guarnecer uma cidade, que oficialmente possui cerca de 55 mil habitantes, o secretário lhes pareceu surpreso.

“Quando nós colocamos para o secretário, sobre a situação do efetivo, nos pareceu que ele se assustou um pouco, que uma cidade com aproximadamente 60 mil habitantes, tenha um número tão reduzido de policiais militares”, disse César.

De acordo com o presidente da OAB de Rio Bonito, essa reunião aconteceu como parte de um cronograma de trabalho estipulado por membros da sociedade civil organizada, que também promoveram manifestações em prol de mais segurança para o município. Em sua avaliação, o encontro foi proveitoso para que pudessem conhecer algumas dificuldades encontradas pela Secretaria de Segurança, como por exemplo a perda anual de cerca de 1200 policiais por motivos de afastamento ou aposentadoria, e até a nova política de treinamento dos policiais.

“O que queríamos com esse encontro, era exatamente isso, mostrar que se em Itaboraí existe uma crise (na área de segurança), em Rio Bonito a crise está instalada também. E se em Itaboraí o problema (da falta de segurança) é grande, em Rio Bonito ainda não é tão grande assim, por isso, resolver aqui, é mais fácil do que resolver em Itaboraí. O que a gente não pode fazer, é deixar para resolver depois que o problema explodir aqui. Esse movimento (manifestações em prol da segurança) vem nesse momento, porque entende que ele é especial. Não podemos perder a passada. Agora temos a solução, amanhã não sabemos mais”.

Na reunião, também estiveram presentes o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), André Goettert, o presidente do Hospital Regional Darcy Varga, Luis Gustavo Martins, o empresário Bruno Soares, o advogado Luis Guilherme Cordeiro, o jornalista Flávio Azevedo.

Delegados

Além do aumento do efetivo, outro assunto abordado pelo grupo, foram as recentes trocas de delegado na cidade. Segundo César, apesar de também se mostrar surpreso, o secretário disse que a saída dos delegados acontece por falta de produtividade ou porque foram assumir responsabilidades maiores em outros lugares.

“Mas apesar dessa fala, eu pessoalmente ressaltei a vinda de delegados para a cidade, no final da carreira. Com relação a isso (a alta rotatividade de delegados na cidade), ele também ficou surpreso. Não nos pareceu que ele estava ambientado com essa nossa realidade”.

Segundo o presidente da OAB, apesar de terem falado sobre a possível migração de bandidos da capital para o interior, oriundos de comunidades pacificadas, Beltrame contestou a informação. César disse ainda que além de se comprometer a visitar Rio Bonito, e ter convidado o grupo para retornar, em breve, para uma nova reunião sobre o assunto, o secretário Beltrame também anunciou que encaminhará para a 35ª Subseção, o resultado de uma pesquisa que encomendou ao Instituto de Segurança Pública (ISP), sobre os impactos, relacionados a segurança, do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, nas cidades do seu entorno.

Conclusão

Ao final da reunião, de acordo com César Sá, o que ficou claro, é que existem ações que também cabem a população, como o registro de ocorrências, já que a Secretaria de Segurança trabalha com estatísticas, com base nos dados apresentados através das investigações da Polícia Civil. “A sociedade civil agora precisa fazer um trabalho organizado, para incentivar a população a registrar as ocorrências, não só para formular estatísticas, mas também para que a Policia Civil possa trabalhar melhor”.