
Festa da Democracia
Camisas amarelas, camisas laranja, agitação e aglomeração. Na Avenida Manuel Duarte, em frente ao Colégio Rio Bonito, no Centro da cidade, um candidato acena para os eleitores, quem sabe na tentativa de conquistar algum voto indeciso! Outro candidato, que, coitado, nem sabia que estaria concorrendo, esboça um sorriso encabulado quando passa um cidadão e grita: “Fala senador!” Mas o que atrai a minha observação é o povo. É... O povo. Apostaram que ele não ia comparecer, pois segundo os ‘apocalípticos’ de plantão, a sociedade estava enauseada com a corrupção tão patente dos últimos meses, e sendo assim, ninguém iria votar. Mais isso não aconteceu. Na verdade aconteceu uma festa. Que alegria, que monte de gente chegando, saindo, votando. Não se sabe o motivo dessa empolgação. Motivados para participar de um evento obrigatório em um domingo lusco-fusco, como diriam os antigos.
Passado o dia, as urnas em todo país nos trazem alguns recados que merecem ser pontuados e nos sugerem sérias reflexões. O primeiro recado é o orgulho que hoje possuo em ter nascido no Estado do Rio de Janeiro. Lugar de gente séria, atenta, que tem aprendido votar, e não permitiu a reeleição de nem um sanguessuga (e tinha gente graúda no meio), dando uma votação expressiva ao deputado Fernando Gabeira, que bateu boca com o tresloucado Severino Cavalcante, por ocasião do escândalo do mensalinho e vem atuando com brilhantismo na CPI dos sanguessugas. Alguém poderá me questionar: “Ah, isso”?! E eu respondo: – É, é só isso. Vejam só os paulistas, além de recolocarem na Câmara Federal, Antonio Palocci, João Paulo Cunha e José Genoíno, não sei por que, permitiu a entrada de outro amiguinho na brincadeira: o ex-prefeito Paulo Maluf.
Equívocos dessa natureza, justificam as palavras do recém eleito deputado federal paulista Clodovil Hernandes (com quase meio milhão de votos), em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo na última segunda-feira (2): “Existe política nesse país?” Mas eles também tiveram acertos: castigaram Aloísio Mercadante, que não teve chance de ir nem para o segundo turno, e deixaram de fora a deputada coreógrafa Ângela Guadagnin do PT de São Paulo. A autora da ‘Tarantela’ intitulada pela imprensa de Dança da Pizza.
Vejo uma luz no fim do túnel. Na Bahia, depois de 16 anos, caiu o império do coronel Antonio Carlos Magalhães. Falta agora, o ‘feudo Maranhense’ proclamar sua independência e sair das mãos dos Sarney (quem sabe na próxima?). Em São Paulo, Eduardo Suplicy quase passa a sua vaga cativa no Senado para o sumido Afif Domingos (presidenciável em 1999). Vejam só!
E a campanha para o Planalto? Depois do PT estar ganhando o jogo, a sua equipe arruma um dossiê contra o PSDB, que foi um pênalti a favor dos tucanos aos 45 minutos do segundo tempo, o que levou a “partida” para a prorrogação. Pra dizer a verdade, já que falamos em futebol, espero sinceramente que não exista nesse segundo turno, nem a cabeçada, nem os xingamentos da final da Copa do Mundo entre Zidane e Materazzi.
No entanto, já começou a batalha entre os personagens coadjuvantes. A propósito, na última segunda-feira (2), o empresário Márcio Fortes, candidato derrotado pelo PSDB carioca, e o deputado Edson Santos, reeleito pelo PT também do Rio, perderam o controle diante das câmeras do programa Espaço Público da TVE. O petista, em defesa de Lula, e o tucano defendendo Alckmin.
E Rio Bonito? Minha cidade natal... Até que enfim tomamos vergonha e elegemos um representante para a Alerj (Marcos Abrahão – PSL), e outro para a Câmara Federal (Solange Almeida – PMDB). Mas essas duas lideranças são antagônicas, e daí vem o recado. A expressiva vitória da ex-prefeita Solange Almeida, com votos em quase todo o Estado, e a maneira acachapante que conquistou os votos Riobonitenses e de municípios próximos (Tanguá, Itaboraí, Saquarema e Silva Jardim), credenciam a ‘formiguinha’ (apelido dado pelos seus eleitores), como uma nova liderança política nesse espaço tão carente de políticos que não estejam interessados apenas nos seus próprios interesses. Já o deputado Marcos Abrahão, dessa vez ganhou com tranqüilidade e também teve forte penetração nos municípios vizinhos. Isso indica que a luta pela hegemonia política na cidade está rompendo fronteiras. A disputa agora é descobrir, quem será o “Rei da Bacia de São João”? E desejar que os nossos novos representantes na Alerj e na Câmara Federal possam cumprir com o prometido e trazer o desenvolvimento para a nossa cidade e região.