Rio - Mais de cinco mil pessoas podem ter participado de esquema de compra de votos em Duque de Caxias, que teria beneficiado os candidatos a deputado federal Geraldo Pudim e estadual Antônio Carlos Félix, ambos do PMDB. A denúncia, investigada pela Polícia Federal de Nova Iguaçu, levou o Ministério Público Eleitoral a pedir a cassação do registro da candidatura dos dois. Pudim e Félix fizeram dobradinha em Caxias, mas só Pudim, que tem como padrinho político o ex-governador Anthony Garotinho, conseguiu se eleger.

No dia 1º de outubro, Ageu Nery da Silva, 36 anos, e Ana Cláudia Miranda da Silva, 33, mulher de Antônio Carlos Félix, foram presos no bar Point do Pagode, em Gramacho, Duque de Caxias, com R$ 750 em dinheiro, cerca de 500 fichas cadastrais com nome, endereço e título de eleitores, um carimbo, além de “santinhos” com os nomes de Pudim e Antônio Carlos Félix.

O delegado Ricardo de Carvalho, que investiga o caso, disse que poderá indiciar Garotinho, Pudim e Félix, caso fique comprovado que os três orientaram eleitores para votar em troca de dinheiro. Em depoimento à PF, testemunhas disseram que Ana Cláudia e Ageu prometeram dar R$ 50 a cada morador de Gramacho que conseguisse outras nove que aceitassem preencher a ficha cadastral. A polícia apurou que uma parte do dinheiro foi entregue antes das eleições e o restante seria pago no dia 1º.

“O primeiro nome da ficha cadastral era o da pessoa que receberia R$ 50. Esta pessoa deveria convencer outras a entrarem no esquema”, disse o delegado. Ana Cláudia e Ageu foram soltos no dia 1º pelo juiz Antonio Carlos Arrábida Paes, da 194ª Zona Eleitoral, que concedeu o relaxamento das prisões. Os envolvidos serão indiciados em crime de corrupção eleitoral, cuja pena é de quatro anos de prisão.

Além de Pudim, outros nove deputados eleitos estão sendo investigados pelo Ministério Público Eleitoral e também podem perder o mandato. O MPE entrou com ações no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra os federais Bernardo Ariston e Solange de Almeida, do PMDB, e os estaduais Alair Corrêa e Álvaro Lins, também do PMDB; Jane da Núbia (PTC), Wilson Cabral (PSB) e Sabino (PSC). Nos próximos dias, o MPE entra com ação contra o federal Silvio Lopes e seu filho Glauco, reeleito para a Alerj. Os dois são do PSDB.

Fonte: O DIA