Lívia Louzada
Cinco anos depois da tentativa de assassinato do prefeito José Luiz Alves Antunes, o Mandiocão, a polícia ainda não sabe quem foi o mandante do crime. No dia 1º de agosto de de 2006, Mandiocão levou dois tiros, na Pensão Das Irmãs, na Praça Cruzeiro, por volta das 13h, enquanto almoçava. Apesar do autor dos disparos, Alex Rodrigues de Souza, o Kiko, o comparsa, Daniel Pinto Júnior, e o contratante Carlos José Fraga, o Lagartinho, terem sido presos e reconhecidos pelo prefeito e por testemunhas, a Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro ainda não descobriu quem foi o mandante do crime, que continua solto.
Como não podia deixar de ser, o prefeito não esqueceu o que aconteceu, e no dia que o atentado completava cinco anos, falou, durante a reunião do Conselho Comunitário de Segurança de Rio Bonito, realizada na Câmara de Vereadores.
“Hoje está completando cinco anos que Deus me devolveu a vida, pois há cinco anos, por volta das 13h, estava sofrendo um atentado. Mas graças a Deus, por um milagre, e apoio do povo, mensagens positivas de todas as lideranças religiosas, eu estou aqui hoje. Costumo dizer que hoje completo mais um aniversário”, desabafou José Luiz.
Embora tenha feito a declaração, em público, ao ser perguntado pela nossa reportagem sobre o assunto, o prefeito disse que não gostaria de relembrar o caso. A mesma frase foi dita por uma das proprietárias da pensão em que aconteceu o crime., bastante frequentada no bairro da Praça Criuzeiro. Segundo ela, o fato lhe fez muito mal, e não gostaria de recordar a cena que presenciou.
O que a polícia
descobriu
Segundo depoimento de Daniel, na época, na Delegacia de Homicídios, Lagartinho apenas teria feito a ligação entre o mandante e os pistoleiros. Ainda de acordo com o depoimento, para executar o crime, ele e Alex Rodrigues receberiam R$30 mil, valor que não foi pago por completo, já que o prefeito conseguiu sobreviver.
Assim como a linha de investigação que foi estabelecida na época, o prefeito disse em entrevista a imprensa, que a emboscada que foi vítima, teve motivação política.
Segundo informações que circularam na cidade, no ano seguinte ao atentado, a polícia já teria o nome do mandante, mas nada foi divulgado.
Relembrando
o caso
José Luiz Mandiocão estava exercendo o seu segundo mandato como prefeito de Rio Bonito quando foi atingido por dois tiros no dia 1º de agosto de 2006, enquanto almoçava com uma secretária, e um amigo, na Pensão Das Irmãs, no bairro Praça Cruzeiro, local onde costumava almoçar quase diariamente. Por volta das 13h30, Mandiocão foi surpreendido, por dois homens, um deles armado com um revólver calibre 38. Testemunhas que também estavam almoçando no local contaram que os tiros foram disparados a menos de um metro de distância da vítima, que estava de cabeça baixa no momento dos disparos. O prefeito foi atingido no ombro e no abdômen.
Após os disparos os bandidos fugiram em direção a Rodovia BR-101. O prefeito foi socorrido e levado para o Hospital Regional Darcy Vargas, onde foi operado e ficou internado durante vários dias, até receber alta. Foi obrigado a andar de muletas e a fazer fisioterapia durante meses, para recuperar o movimento total das pernas. Após o atentado e mesmo com a prisão de três pessoas, o prefeito teria sofrido outras ameaças de morte.