Lívia Louzada

Já começou a segunda fase da campanha de vacinação contra a febre aftosa. A Secretaria Agropecuária de Silva Jardim já está vacinando contra a doença. Em Tanguá, o órgão responsável pela vacinação, que também já começou, é o Núcleo de Defesa Agropecuária – órgão ligado a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado, que também é responsável pelo recebimento dos certificados de vacinação e emissão da Guia de Trânsito de Animais (GTA) dos dois municípios e mais Rio Bonito. Este último deve iniciar a vacinação a partir da próxima semana. Quem quiser informação sobre a vacinação ou sobre a entrega de certificados, pode entrar em contato com o órgão de Tanguá, pelo telefone (21) 2747-2185, e de Rio Bonito (2734-4302).

Depois da primeira fase da vacinação contra a febre aftosa, realizada em maio, em que Rio Bonito alcançou 95% e Tanguá 98% da meta de vacinação, a intenção agora é aumentar o número de bois e búfalos vacinados. Em Tanguá, foram vacinados mais de 6.600 bovinos e 17 búfalos, em 229 propriedades visitadas, principalmente nos bairros Posse dos Coutinhos, Barbozão e Mutuapira.

Segundo o secretário de Agricultura de Tanguá, Luiz Antônio dos Santos, a intenção é que nesta segunda fase sejam vacinados 100% dos bovinos e bubalinos. De acordo com ele, apesar da febre aftosa estar erradicada no Estado há mais de 10 anos, é importante garantir a vacinação para que a doença não volte.

“Quando existe surto da doença em uma propriedade, todo o rebanho tem que ser exterminado, e com isso, além do agricultor ter prejuízo, o Brasil também perde, já que a importação de carne é suspensa”, disse Luiz Antônio.

Em Rio Bonito foram vacinados na primeira fase, quase 28 mil bovinos, principalmente nas localidades de Boa Esperança, Mata, Rio Seco, Lavras e Braçanã. Segundo o secretário de Agricultura, Bruno Machado, apesar do foco da campanha ser o pequeno produtor, todos os produtores podem receber a equipe de vacinação, desde que estejam cadastrados na Secretaria de Agricultura e no Posto de Defesa Agropecuária.

Segundo a veterinária responsável pela vacinação em Rio Bonito, Daniele Rodrigues, na segunda fase, os cadastros dos produtores serão unificados, ou seja, será feito um apanhado dos cadastros do Posto de Defesa Agropecuária, da Emater, e da Secretaria, já que muitas propriedades constam em mais de um órgão. “Este mês vamos trabalhar com duas equipes de vacinação, com duas ou três pessoas em cada um deles, até o fim do mês”, explicou Daniele.

Já em Silva Jardim, o secretário de Agricultura Rafael Badia, disse que a vacinação está sendo feita somente nas propriedades que possuem até 15 cabeças de gado, beneficiando os pequenos produtores. E nesta segunda fase, a intenção é focar na vacinação de animais que fazem o pastoreio às margens da estrada, por falta de pasto. “Queremos vacinar cerca de 4 mil bois nesta fase da campanha”, disse Rafael.
Importante
De acordo com a Secretaria de Agricultura do Estado, na segunda fase da campanha, a meta é vacinar cerca de 2,1 milhões de animais, entre bois e búfalos, em todo o Estado. Considerado área livre de aftosa, há 14 anos sem o registro da doença, o Rio de Janeiro conseguiu índices vacinais superiores a 90% nas campanhas realizadas nos meses de maio deste ano e novembro do ano passado.

Após vacinar os animais, os produtores devem se dirigir ao Núcleo de Defesa Agropecuária ou ao Posto Municipal de Defesa Agropecuária, de seu município e apresentar a declaração de vacinação.

O superintendente de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Paulo Henrique Moraes, orienta os produtores a adquirir a vacina nas lojas agropecuárias autorizadas e imunizar seus animais durante o prazo de duração da campanha.

Ele alerta também que a comprovação da imunização dos animais é sempre exigida para a emissão da Guia de Trânsito de Animais (GTA) nos deslocamentos de bovídeos, além disso, evita penalidades previstas na lei como multa e interdição da propriedade.

O Núcleo de Defesa Agropecuária de Rio Bonito fica localizado no Box 16 do Mercado Municipal, no Centro. Em Tanguá, o órgão fica na Rua Demerval Garcia de Freitas, nº 88, no Centro, ao da Secretaria de Agricultura. E em Silva Jardim o Núcleo é localizado próximo ao Horto, onde também fica a Secretaria de Agricultura.

A doença
A Febre Aftosa é uma doença grave que ataca todos os animais com cascos fendidos (animais de 2 unhas), bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos e outros. Existem vários tipos de vírus, com os mais variados graus de infecciosidade.

A Febre Aftosa pode ser transmitida através de alimentos contaminados ou do contato com animais doentes. Tome cuidado com equipamentos veterinários, roupas, botas, veículos e arreios. Exija a comprovação da vacinação na compra de animais. O vírus também é transmitido pela carne, pelo leite, pelos derivados e, ainda, pelo sêmen do animal infectado.

O vírus penetra no organismo do animal, multiplicando-se rapidamente. A doença provoca febre alta (40º a 41º C) e sintomas em várias partes do animal. Na boca é percebido pela salivação abundante, provocada pelas aftas, nas mucosas da gengiva e da língua. Quando se rompem, as lesões são extremamente dolorosas, impedindo que o animal se alimente.

Já nas patas, os sintomas aparecem entre as unhas e na coroa do casco, onde surgem feridas, que provocam muita dor. O animal passa a “mancar”, podendo permanecer deitado por longos períodos. Normalmente há infecções secundárias provocadas por bactérias, o que complica, ainda mais, a situação do animal. Em suínos pode causar a perda das unhas. Nas tetas, surgem feridas no úbere, que podem atingir os canais do leite, provocando mastite e perda de tetas.

Quem não precisar da ajuda dos órgãos públicos para vacinar seu rebanho, pode comprar a vacina em lojas de produtos agrícolas ao preço médio de R$ 1,50 a dose. Cada dose é destinada a um animal somente.