Lívia Louzada

No próximo dia 28/11 (segunda-feira), a cidade de Rio Bonito deve receber dezenas de jornalistas e aparecer nos principais veículos de comunicação do país. O motivo é o julgamento da ex-cabeleireira Adriana Almeida, acusada de mandar matar, em 2007, o milionário ganhador da Mega Sena, René Senna, e mais três acusados, o sargento da Polícia Militar Ronaldo Amaral de Oliveira, o China, o cabo Marco Antônio Vicente, e a professora de educação física, Janaína Silva de Oliveira. O julgamento havia sido marcado para o dia 4 de outubro, mas teve que ser remarcado porque o advogado de Adriana apresentou um atestado médico, válido por 40 dias, dando conta de que ele havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Adriana, conhecida como viúva da Mega Sena, vai a júri popular, por ser acusada de planejar a morte de René Senna, ganhador do prêmio de R$ 52 milhões. O ganhador foi morto no dia 7 de janeiro de 2007, em frente ao Bar do Penco, na localidade rural de Lavras.

O ex-policial militar Anderson Silva de Souza e o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira, foram julgados e condenados a 18 anos de prisão pela execução do milionário, no dia 9 de julho de 2009. Segundo o Ministério Público, Anderson disparou quatro tiros contra René, e depois fugiu em uma moto, que era pilotada por Ednei. Os outros réus teriam ajudado Adriana a planejar o crime.

Apesar do processo principal, de assassinato, Adriana e Renata, filha de René, travam uma batalha na Justiça pela herança do milionário. Em junho deste ano, Adriana perdeu o processo em que pedia o reconhecimento de união estável com René, mas apesar disso, ainda tem direito a herança, já que é citada no testamento. Se a ex-cabeleireira for considerada culpada pelo crime, ela perderá o direito de receber o dinheiro.

Segundo informações, a juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara de Rio Bonito, responsável pelo caso, deve pedir ao 35º Batalhão de Polícia Militar de Itaboraí, reforço no policiamento para os julgamentos, que devem se estender por alguns dias.
Repercussão
Depois de ganhar o prêmio milionário, René, já havia se tornado um dos assuntos mais comentados em Rio Bonito, mas depois de seu assassinato, o nome do novo milionário ganhou repercussão nacional. Com a proximidade do julgamento de Adriana Almeida, René voltou a ser assunto. Na cidade, muitas pessoas dizem achar Adriana culpada, e que ela teria se aproveitado na situação do companheiro, que era cadeirante por não possuir as duas pernas, perdidas por conta do diabetes, para lhe dar um golpe. A FOLHA foi às ruas para ouvir algumas dessas pessoas, mas apenas uma quis se identificar após dar sua opinião.

“Como os outros (o ex-policial Anderson e o funcionário público Ednei) foram condenados, acho que ela (Adriana) também vai ser condenada. Acho que ela foi a mandante, mas foi influenciada por gente mais experiente que ela no assunto”, disse um comerciante.

Já outro entrevistado, um funcionário público, que também não quis se identificar, disse que Adriana deveria ser condenada, pelo menos, com o mesmo tempo de prisão do ex-policial Anderson, e o funcionário público Ednei.

“Ela (Adriana) estava vivendo com ele (René), claro que por interesse, mas vivia sobre o mesmo teto, então acho que a culpa maior é dela. Os outros, apesar de terem cometido o crime, não tinham a relação com o milionário, que ela tinha, então penso que a pena dela deveria ser até maior”, disse.

O diretor comercial Og Monteiro, único entrevistado que não se negou a se identificar, também disse considerar Adriana culpada pelo crime. “Acho que ela vai ser condenada a muitos anos de prisão, e merecia ter, no mínimo, a mesma pena que os outros condenados”, disse Monteiro.