O terceiro dia do julgamento do Crime da Mega-Sena, em Rio Bonito, foi marcado pela polêmica e emoção. Após duas horas de depoimento de Creuza Ferreira de Almeida, mãe da ré Adriana Ferreira de Almeida, o advogado da viúva, Jacskon Rodrigues, pediu a dissolvição do Conselho de Sentença.
O advogado da ‘Víuva da Megasena’ pediu para que seja ouvida mais uma testemunha que não havia sido intimada até então: o pai de Adriana, conhecido apenas como Valcir, morador de São Gonçalo. O pedido foi negado.
Jackson argumentou ter sido surpreendido por uma informação que surgiu, ontem, no depoimento do policial militar Alexandre Fonseca Cipriano, que fazia parte da equipe de segurança de Renné Senna. Mesmo sendo o PM arrolado pelo próprio Jackson, ele afirmou desconhecer o fato de que Cipriano afirmou que após Adriana ter ido com ele ao bar do Penco, local onde Renné foi assassinado em 7 de janeiro de 2007, ela voltou para fazenda e, de lá, foram à rodoviária de Rio Bonito, onde buscou o pai.
A informação não foi confirmada por Creuza, interrogada logo em seguida, que afirmou ter estado com a filha durante todo o tempo, no dia 7.
“Fui surpreendido pelo fato de Adriana ter ido buscar o pai na rodoviária. Nem ela, nem Cipriano haviam me contado isso. Requeri à juíza que Valcir seja intimado a depor como testemunha de defesa de Adriana”, argumentou Jackson.
Emoção - Desde que tinham começado os trabalhos de análises de fatos e provas, Adriana Ferreira não havia demonstrado nenhum tipo de reação. Porém, ontem foi diferente: ela chorou por duas vezes. A emoção aflorada se deu no momento em que o policial militar Alexandre Fonseca Cipriano, segurança de Renné Senna, relembrou o dia da morte de seu patrão, e durante a fala de sua mãe.
O terceiro dia de julgamento começou por volta das 11h e outros três réus, os policiais Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral, o China, e a professora de Educação Física Janaína Silva de Oliveira foram ouvidos. O tão esperado depoimento de Adriana foi marcado para hoje.
O PM Alexandre Fonseca afirmou que no dia do crime estava de plantão. Ele declarou que, por volta de 8h, saiu da fazenda com Adriana e o filho mais velho dela para a casa da namorada do garoto. Após 40 minutos, retornaram à fazenda para, 20 minutos após, Alexandre sair novamente com Adriana. Eles foram ao supermercado e, depois, a um bar comprar maços de cigarro para Renné.
“Enquanto eu desci do carro para comprar o cigarro, a Adriana ficou me esperando no carro uns dois minutos. No retorno, encontrei com ela chorando e falando ao telefone com a irmã dela, a Valéria. Na conversa, ela perguntava se Renné estava vivo”, relembrou o PM.
Alexandre Fonseca foi contratado em dezembro de 2006 para ser um dos seguranças do milionário. No processo, ele entrou como testemunha de defesa de Adriana.
Ainda de acordo com o segurança, Adriana decidiu, então, ir ao local do crime, o bar do Penco, onde ficou por volta de 20 minutos. Em seguida, ela retornou à fazenda, quando encontrou com a filha da vítima, Renata Almeida Senna.
Fonte: O São Gonçalo