Paula Brito

Após dois anos de espera, os amantes da obra de Chico Buarque de Holanda já podem comemorar. O musical baseado na Ópera do Malandro será encenado em Rio Bonito. Uma iniciativa dos atores João Gabriel Balbi e Renata Egger, o musical do grande ícone da MPB, mostrará sucessos que alguns escutam até hoje como “O meu amor” e “Geni e o Zepelim”. As apresentações serão destinadas à população de cidades do interior.

A Ópera do Malandro foi encenada pela primeira vez em julho de 1978, no Rio de Janeiro. Com um texto baseado na Ópera dos mendigos de John Gay em 1728, e na Ópera de três vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A Ópera possui uma crítica ao poder do dinheiro, à corrupção e à entrada das multinacionais no país. Discute a decadência de um sistema econômico, social e político e as alternativas criadas por ele. O texto retrata a malandragem brasileira, em espetáculo musical, com composições de Chico. Várias já foram as versões apresentadas no teatro; agora chegou a vez de Rio Bonito. Depois de dois anos tentando a liberação da obra, João Gabriel afirma que a base e a estrutura do texto continua a mesma, mas adaptada à realidade do interior.

“É complicado a gente apresentar o texto original, ele tem uma conotação sexual. O texto está sendo adaptado para ficar mais aceitável e agradável ao público, não tirando a característica ou a intenção da crítica, por isso vamos usar termos mais leves”.

“Quando ela foi liberada eu nem acreditei muito, o Chico Buarque não costuma liberar suas obras para adaptação, mas mesmo assim decidimos tentar. Fizemos todos os processos legais na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais que é o órgão que controla os direitos autorais de textos teatrais, e depois de um processo bem trabalhoso de um ano e quatro meses nós conseguimos”, disse João. Para a realização da peça os produtores têm que cumprir algumas condições, como pagar ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), que cuida dos direitos autorais das músicas e da porcentagem para o autor nas vendas da bilheteria.

Segundo Balbi, a maior dificuldade dos musicais é o preço muito alto das apresentações e o transporte, por isso o projeto é voltado para cidades do interior. “Essas cidades normalmente não recebem musicais e esse é o nosso objetivo, disseminar a obra e incentivar o teatro musical no município. Ir até o Rio de Janeiro para assistir um musical é muito caro, queremos mudar isso”, disse.

O espetáculo tem trilha sonora composta de 20 músicas de Chico, e duração de aproximadamente 1h40m. A adaptação tem a direção musical de Mateus Prevot, Karla Boechat como preparadora vocal e direção geral de Raimundo Miranda. O projeto prevê apresentações iniciais em Rio Bonito e excursões para outras cidades do interior. Segundo João Balbi, a intenção é acessibilizar a obra, já que as músicas são bem conhecidas, “mas a maioria das pessoas não sabe que elas fazem parte da peça”.
Montagem
A Ópera do Malandro terá 24 personagens e os produtores estão convidando as pessoas que quiseram trabalhar de forma voluntária. “É uma oportunidade enorme para a cidade. A área de cultura está crescendo muito e não podemos ficar isolados, por isso estamos dando oportunidade pra quem quiser. Qualquer pessoa que tenha vontade de fazer teatro tem a possibilidade, nós queremos dar oportunidade para pessoas daqui, desde ajuda com iluminação à atuação (em cena). Está sendo um aprendizado pra todos”, acrescentou João.

Ainda não foi fechado um local para as apresentações, mas de acordo com a produção, há pretensões de realizar o musical em locais como o salão nobre do Esporte Clube Fluminense (Centro) ou o novo salão da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

O projeto conta com o apoio da Secretaria Estadual de Cultura, e está à procura de parcerias e patrocínio. “Eu espero que a cidade dê valor, é uma oportunidade para todos nós. Precisamos do apoio dos governantes, comerciantes, e principalmente do público. Não é uma montagem barata, são 24 atores, técnica, produção, direção e muito mais. Esperamos conseguir patrocínio que viabilize isso para o público”, pontuou Balbi.