Lívia Louzada

 

Na terça-feira (10), o futebol e o samba amanheceram de luto em Rio Bonito. O motivo foi a morte do amante das duas artes, o funcionário público Edgar Rogério Alves de Carvalho, mais conhecido como Dóia, de 48 anos. Há cerca de três meses o alegre desportista, que completaria 49 anos no próximo dia 27 de março, travava uma luta contra o câncer. Há cerca de 15 dias estava internado no Instituto Nacional de Câncer (INCA), onde faleceu na madrugada de terça-feira. O corpo de Dóia foi velado na capela da Funerária Santo Antônio e enterrado, por volta das 17h do mesmo dia no Cemitério Central.

Na despedida, além de centenas de parentes e amigos, estiveram presentes colegas de trabalho de Dóia, que trabalhava na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, personalidades dos cenários político, como o prefeito José Luiz Antunes, o ex-vice-prefeito Anselmo, o vereador Caneco; esportivo, como os ex-presidentes da Liga Riobonitense de Desportos Walter Terra e Paulo Roberto Mello, o Papinha; e do mundo do samba, que ele conhecia como poucos.

Através da internet, alguns amigos também se despediram de Dóia e enviaram recados para a família. “Sensibilizado com a notícia. Dóia jogou futebol conosco, tocou samba, foi um excelente amigo. Não esperava esta notícia. Que Deus o receba confortando a ele e aos seus familiares”, disse um deles.

Já outro, postou: “Nesse momento não temos muito o que dizer, só pedir a Deus que conforte os corações dessa familia, ele era uma ótima pessoa”.

O samba
Integrante da ala de compositores da Viradouro, junto com seu parceiro Carlinhos de Almeida, eles compuseram e disputaram sambas nos anos de 2001, 2003, 2004 e 2005, este último ano, chegando a final da disputa do samba enredo com o tema “Viradouro é só Sorriso”. Segundo Carlinhos, como um bom mestre de bateria que era, Dóia tinha a facilidade de ouvir uma melodia, e conseguir separar os instrumentos, o que lhe favorecia na hora de compor.

“Me lembro que quando a gente ia compor, eu as vezes cantarolava uma melodia e ele sempre detectava se já existia ou não, e sempre acertava. Mas não éramos parceiros somente de composição, gostávamos de ir juntos ver as finais de samba enredo de outras escolas. Aliás, conseguimos entrar nesse meio do samba, por causa dele, por causa de sua facilidade em se comunicar com as pessoas”, lembrou Carlinhos.

Apesar dos sambas para a Viradouro, sua mãe Abgail, conta que a escola de samba de coração do filho era a Portela, e que ele herdou o amor pelo samba, dela. Apesar de emocionada pela perda, Abgail descreveu com orgulho como era seu único filho. “Maravilhoso, amigo, bom filho, trabalhador, responsável, bom pai e cumpridor dos seus deveres. Quero que as pessoas lembrem dele com alegria, pois era assim que ele era, um pagodeiro feliz”, disse.

O futebol
Criado no bairro Bela Vista, onde recebeu o apelido dos colegas, sua mãe lembrou que Dóia adorava jogar bola na rua com a sua turma. Uma diversão que ficou um pouco mais séria quando ele cresceu. Dóia começou jogando no Rio Bonito Atlético Clube, depois atuou pelo Cruzeiro Futebol Clube e foi um dos fundadores do time Panela.

No trabalho, Dóia juntou as duas paixões, ajudava a organizar os campeonatos de futebol (e de outros esportes) da cidade, e ainda foi um dos responsáveis pela criação do “Família na Folia”, a revitalização do Carnaval de Rio Bonito, com a criação da Associação de Blocos e Agremiações Carnavalescas de Rio Bonito (ABACARB).

De acordo com o secretário municipal de Esporte e Lazer, Ronen Antunes, Dóia trabalhava com alegria e dedicação, e “quando era preciso fazer algo, podia ter certeza de que ficaria perfeito”. Segundo Ronen, se alguém se mostrasse preocupado com problemas do trabalho, ele tinha sempre uma frase de incentivo: “relaxa o coração!”.

O funcionário público deixa a esposa Ana Lúcia Martinez e o filho Caio, de 14 anos.