Lívia Louzada
A notícia de que cerca de 90 pessoas teriam dado entrada no Hospital Regional Darcy Vargas e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em janeiro, com sintomas de intoxicação alimentar, depois de comerem a maionese de fabricação própria de uma lanchonete localizada no Centro de Rio Bonito, assustou os riobonitenses. A reportagem da FOLHA procurou o setor de Vigilância Sanitária que informou ter recebido, somente do HRDV, 13 notificações, ou seja, 13 pessoas passaram mal, entre adultos, adolescentes e duas crianças, uma de 10 e outra de 3 anos, que consumiram a maionese que poderia estar infectada.
Segundo uma funcionária pública que não quis se identificar, o número de pessoas que passou mal depois de consumir a maionese, pode ser ainda maior, já que ela mesma sentiu os sintomas de intoxicação, procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não revelou que havia consumido a maionese no dia anterior. “Tive todos os sintomas de intoxicação, vômito, e muita diarréia, e fiquei no soro, mas ninguém me perguntou se havia comido algo diferente”, disse.
Diante do problema a lanchonete recebeu a visita da Vigilância Sanitária, que apreendeu a maionese encontrada no local, e deu orientações de higiene para o proprietário. Logo depois, uma nova visita foi feita junto com os fiscais de Postura da Secretaria de Fazenda, que expediram uma intimação, determinando prazos para serem cumpridas algumas exigências, entre elas, a legalização da lanchonete, que estaria funcionando de forma irregular.
Depois do ocorrido, a reportagem da FOLHA recebeu a informação de donos de lanchonetes, revoltados porque a Vigilância Sanitária teria “proibido” a comercialização da maionese caseira, em todos os estabelecimentos da cidade, e que por isso estariam perdendo clientes.
Segundo a coordenadora da Vigilância em Saúde do município, Sabrina Andrade, na verdade, a maionese caseira nunca havia sido permitida. “O Decreto nº 6538 do Estado, só permite a utilização de condimentos preparados, por exemplo, em sachês”.
Ainda de acordo com ela, a lanchonete também não pode colocar a maionese industrializada dentro de frascos que não sejam do próprio produto, já que ao ser fiscalizado, o dono do estabelecimento terá que responder e provar, quando aquele produto contido na embalagem foi fabricado. “O que as lanchonetes não podem fazer, é manusear a maionese, ketchup, ou mostarda”, explica.
A coordenadora também explicou que as lanchonetes só estavam comercializando a maionese caseira, porque, pelo menos durante o período em que ela está á frente do setor, não havia fiscalização a noite, devido ao horário de trabalho dos funcionários - de 8h às 17h, quando a maior parte das lanchonetes que vendem maionese caseia, estão fechadas - e pela pouca quantidade de funcionários para realizar a fiscalização pelo setor.
Revolta
A proprietária de uma das lanchonetes da cidade que vendiam a maionese caseira confirma a informação de que não havia fiscalização, e por isso comercializava o produto, mas depois que os funcionários da Vigilância foram ao seu estabelecimento, parou de vender, o que lhe acarretou alguns problemas.
“A gente nunca teve problema com nenhum cliente que passou mal por causa da maionese, até porque, fazíamos todos os dias, a gente nunca deixava para o dia seguinte. Mas o que eu fico indignada é que são poucos os que atenderam a determinação da Secretaria (de Saúde), e nós que estamos andando certo, é que estamos sendo prejudicados. Tem cliente que chega aqui e pergunta se estamos vendendo, e quando a gente diz que não, eles ficam revoltados e dizem que está todo mundo vendendo, só a gente que não. Isso é um absurdo, porque se é lei, a lei tem que valer para todos”, disse.
Mudanças a vista
De acordo com Sabrina, no início de fevereiro deste ano, a Vigilância começou a realizar fiscalizações em parceria com o setor de Postura, e já visitou lanchonetes do Centro e Praça Cruzeiro.
Segundo a secretária de Saúde, Maria Juraci Dutra, este ano, começou um processo de descentralização do Estado, e por consequência, municipalização da Vigilância Sanitária. Isso significaria mais ações no município, incluindo fiscalizações de farmácias, estabelecimentos de saúde, e outros.
A secretária também informou que esse processo é um pacto com o Estado, em que o município é obrigado a cumprir algumas metas, “e gradualmente a cidade vai assumindo níveis de responsabilidade”. Uma das metas desse processo é oferecer aos proprietários das lanchonetes, cursos de manipulação de alimentos, já que a intenção da fiscalização, não é punir, e sim educar.
Denúncia
A coordenadora faz um apelo para que as pessoas evitem problemas como o ocorrido, não consumindo produtos em locais com pouca higiene, e maioneses caseiras. “As pessoas tem que ficar alertas se a pessoa que manuseia os alimentos está de touca, se for homem, se tem a barba feita, por exemplo, porque a intoxicação por salmonelose, pode matar”, disse.
Se o consumidor quiser denunciar, os telefones são: 2734-3753 (Secretaria de Saúde), 2734-3753 ramais 234, 235, 236 (Vigilância Sanitária), e 2734-1190 (Ouvidoria).