Fabiano Martinez
A greve dos rodoviários pegou os riobonitenses de surpresa, na manhã da última quinta feira (29). O transtorno foi grande, principalmente, para trabalhadores e estudantes. Com a falta dos ônibus, as vans foram a única opção para quem usa o transporte coletivo, mas não conseguiram atender ao grande número de passageiros. Para quem conseguiu seguir viagem, o problema foi o trânsito. Na BR-101 o engarrafamento complicou a vida dos motoristas, com retenções que passaram dos 10 km.
A paralisação atingiu em cheio quem seguia para o trabalho em outros municípios e se surpreendeu com a rodoviária vazia, logo pela manhã. Nos pontos de ônibus, pessoas que não tinham conhecimento da greve ficaram horas à espera dos coletivos. Muita gente cansada da demora resolveu voltar para casa e perdeu o dia de trabalho. Para outros, a solução foi o transporte alternativo, as vans ficaram lotadas de passageiros com destino às cidades vizinhas, como Itaboraí, São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro.
A falta de ônibus trouxe outro problema. O aumento do número de veículos nas estradas causou um engarrafamento de 12 km na Br-101, no trecho entre Manilha e Niterói. A viagem de Rio Bonito para o Rio de Janeiro, chegou a levar 3 horas.
“O trânsito foi caótico, o engarrafamento começou antes do Shopping São Gonçalo e ninguém sabia por quê. Só depois ouvi no rádio sobre a greve. Foi um dia muito difícil”, desabafou o Analista de Sistema, Gustavo Bastos, que trabalha no centro do Rio.
Transtornos na volta para casa
Os problemas continuaram na volta para casa e o cenário foi o mesmo encontrado pela manhã, com pontos lotados e poucos ônibus circulando. Quem precisou usar o terminal rodoviário de Niterói enfrentou filas e esperas que chegaram a mais de 1 hora entre um coletivo e outro. Na BR-101, novamente os motorista enfrentaram engarrafamento e precisaram de muita paciência.
“Há quase uma hora que eu estou no ponto esperando van, porque não tem ônibus”, afirmou uma mulher que tentava voltar para casa, no fim da tarde de quinta-feira.
Entenda a greve
Em torno de 3 mil ônibus deixaram de circular por causa da paralisação dos rodoviários. Funcionários de empresas de ônibus de seis municípios do Rio - Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá e Rio Bonito entraram em greve pedindo aumento de 16% sobre o salário, reajuste de 50% sobre a cesta básica, fim da dupla função de motorista e cobrador e o fim do cargo de motorista júnior. Os empresários ofereceram aumento salarial de 10% e de 25% no valor da cesta básica. Por determinação judicial, as empresas de ônibus são obrigadas a circular com pelo menos 40% da frota durante a greve, e 70% nos horários de maior movimento.