Lívia Louzada

 

A equipe do Espaço Municipal de Ensino Supletivo (EMES) está comemorando duas vezes. O motivo, é que por causa do mesmo projeto, o “Educação EMES Cidadania”, a escola ganhou o Prêmio Construindo a Nação, e o Selo Escola Solidária. O selo é uma iniciativa do Instituto Faça Parte, em parceria com o Governo Federeal, Unicef, Unesco e outros órgãos, que identifica escolas do Brasil como “núcleos de cidadania em suas próprias comunidades”.

Já o Prêmio Construindo a Nação, que foi entregue no dia 12 de março, em São Paulo, é uma realização do Instituo da Cidadania Brasil, em parceria com a CNI-SESI e a Fundação Volkswagen. Ele tem o objetivo de “destacar, valorizar e mostrar ações que as escolas públicas e privadas realizam com a presença ativa de seus alunos no diagnóstico, e ações práticas, de solução para problemas das comunidades onde as escolas estão situadas”.

 

“Educação EMES

Cidadania”

 

No projeto desenvolvido pela escola, participaram diretamente, cerca de 500 alunos, e indiretamente, a mesma quantidade. Depois de ouvirem palestras sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso e sobre a Lei Maria da Penha, os alunos tiveram que desenvolver trabalhos em todas as disciplinas.

Mas os alunos do EMES não ficaram apenas em sala de aula, eles também visitaram a Casa da Criança de Rio Bonito, um asilo e uma instituição de menores infratores. E para concluir o projeto, participaram de um sarau na Sociedade Musical e Dramática Riobonitense, e no dia 29 de novembro, distribuíram alguns estatutos na Praça Fonseca Portela, no Centro da cidade.

 

Iniciativa

 

Não é a primeira vez que a escola participa do Prêmio. No ano anterior, o EMES ficou em segundo lugar na categoria EJA (Educação de Jovens e Adultos), mas este ano, segundo a diretora do EMES, Suely de Paula e a coordenadora pedagógica, Fernanda Leite, não foi aberta concorrência para a mesma categoria.

“Mas nem por isso a gente iria deixar de participar. Mesmo sem a categoria que participamos, nós inscrevemos o projeto, e ganhamos o prêmio”, disse a diretora.

De acordo com Suely, esse prêmio representa muito para a escola. “Sinto orgulho de trabalhar em uma escola que apesar de tudo, todos os funcionários trabalham com garra. Esse prêmio é o fruto do nosso trabalho”, disse.

Já para Fernanda, quando um projeto é bem elaborado, como esse, e até ganha um prêmio, é um incentivo, não só para os professores, mas também para os alunos. “Aqui no EMES, temos alunos que estavam parados a 30 anos, e por causa disso, se sentem incapazes de aprender. Então quando a escola ganha um prêmio por causa de um projeto que eles participaram, eles ficam orgulhoso, e começam a acreditar neles mesmos, e ficam mais engajados nos projetos seguintes”, disse a coordenadora.

Mesmo com o projeto tendo terminado no final do ano passado, alguns alunos lembram com detalhes, da participação que tiveram durante o ano letivo. Para a moradora de Parque Andréa, Vanda Lima, de 31 anos, o projeto fez com que ela aprendesse de leis, direitos e obrigações, que não tinha conhecimento.

“Existem coisas que não sabemos porque não procuramos saber, como por exemplo a Lei Maria da Penha e o Estatuto do Idoso. Eu já tinha ouvido falar nessas leis, mas depois da palestra que tivemos, aprendi a quem procurar quando acontecer alguma coisa”, disse.

Já para Adriano Lisboa, de 28 anos, morador de Cidade Nova, aprender sobre o Estatuto do Idoso lhe deu outra visão sobre a 3ª idade. “Adorei o projeto. Gostei de saber sobre o Estatuto do Idoso, a importância de valorizá-los, e a importância que eles tem na sociedade”, disse.

Até mesmo os alunos especiais participaram do projeto. Para Isael Fingolo, de 24 anos, morador de Itaboraí, o assunto que mais lhe chamou atenção foi sobre o ECA. “Depois da palestra que assisti, descobri que existem leis que protegem as crianças e os adolescentes, das drogas e da violência”, disse Isael.